Revisão Monstro — ENEM em 77 dias
Dia 40 — 01 de outubro de 2026 — Quinta-feira — Temas de Redação
Simulado de Redação no estilo ENEM
Olá amigos e alunos do blog A Escola Literária! Chegamos ao Dia 40 da nossa Revisão Monstro — ENEM em 77 dias e, como acontece às quintas-feiras, chegou o momento de transformar o conteúdo estudado nos últimos dias em uma nova proposta completa de Redação. Ontem aprendemos a aprofundar argumentos por meio de causas, consequências e exemplos, e hoje aplicaremos essa estratégia a um tema urgente, atual e extremamente adequado ao tipo de discussão social que o ENEM costuma propor: os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras.
O assunto exige uma abordagem cuidadosa porque não basta afirmar que “o clima está mudando” ou que “as cidades precisam se preparar”. Uma redação consistente precisa mostrar como esses impactos se manifestam, por que determinadas áreas urbanas são mais vulneráveis e quais caminhos podem reduzir os prejuízos humanos, sociais, ambientais e econômicos. É justamente nesse ponto que entram questões como planejamento urbano, drenagem, ocupação do solo, arborização, prevenção de desastres e desigualdade socioespacial.
A grande chave da proposta de hoje está em compreender que eventos climáticos extremos não atingem todos os cidadãos da mesma maneira. Uma chuva intensa pode causar transtornos em diferentes regiões, mas tende a produzir consequências muito mais graves em áreas sem drenagem adequada, com ocupação de encostas, moradias precárias ou menor presença de infraestrutura pública. Por isso, discutir mudanças climáticas nas cidades brasileiras também significa discutir desigualdade urbana.
⏳ Faltam 38 dias para o ENEM!
Hoje, 1º de outubro de 2026, faltam 38 dias para o primeiro dia do ENEM. Estamos entrando em uma etapa cada vez mais decisiva da preparação, e as propostas das quintas-feiras precisam ser tratadas como treino real de prova. Isso significa planejar antes de escrever, selecionar dois eixos de discussão, escolher repertórios pertinentes e elaborar uma proposta de intervenção coerente com aquilo que foi desenvolvido.
A aula de ontem oferece uma estratégia muito útil para a proposta de hoje. Antes de começar a introdução, organize duas cadeias de raciocínio no rascunho: causa → consequência → exemplo. Se você conseguir construir duas cadeias diferentes e consistentes, terá praticamente o esqueleto dos dois parágrafos de desenvolvimento. Esse tipo de planejamento reduz improvisação e ajuda a produzir argumentos mais profundos.
Antes da proposta: o que são impactos climáticos urbanos?
As mudanças climáticas estão associadas a alterações de longo prazo nos padrões de temperatura, precipitação e frequência ou intensidade de determinados eventos extremos. Nas cidades, esses efeitos podem aparecer de várias maneiras: ondas de calor mais severas, chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos, períodos prolongados de seca, escassez hídrica e pressão sobre serviços públicos.
O problema urbano se torna ainda mais complexo porque as cidades concentram população, infraestrutura, circulação, moradia e atividades econômicas. Quando um evento extremo atinge um espaço densamente ocupado, seus impactos podem se multiplicar rapidamente e comprometer transporte, saúde, energia, abastecimento e segurança.
Uma chuva forte, por exemplo, pode ser agravada por impermeabilização excessiva do solo, ocupação de várzeas, falta de manutenção dos sistemas de drenagem e retirada de vegetação. Já ondas de calor podem se tornar mais intensas em áreas com pouca arborização e grande concentração de concreto e asfalto. Isso mostra que o fenômeno climático interage diretamente com a maneira como a cidade foi construída.
Leia o tema com atenção
Nossa proposta é:
Caminhos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras
A palavra “caminhos” indica que o foco não estará apenas na descrição do problema, mas também na construção de medidas capazes de reduzir seus efeitos. A redação deverá, portanto, apresentar um diagnóstico e avançar para possibilidades concretas de enfrentamento.
A expressão “impactos das mudanças climáticas” delimita o fenômeno central. Não se trata de qualquer problema urbano, mas daqueles relacionados a eventos climáticos e transformações ambientais que afetam a vida nas cidades. Por fim, o recorte “nas cidades brasileiras” obriga o estudante a pensar em planejamento urbano, infraestrutura, desigualdade territorial e políticas locais.
Uma pergunta orientadora poderia ser formulada da seguinte maneira: como as cidades brasileiras podem reduzir sua vulnerabilidade diante de eventos climáticos extremos e proteger principalmente as populações mais expostas? Essa formulação já aponta para dois grandes eixos possíveis: adaptação urbana e proteção social.
SIMULADO DE REDAÇÃO ENEM
Tema: Caminhos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras
Leia os textos motivadores a seguir e observe como eles apresentam diferentes dimensões do problema. Utilize essas informações como ponto de partida para construir seu próprio projeto argumentativo, mas evite simplesmente reproduzir a coletânea. O objetivo é mobilizar os textos para pensar o problema e construir uma tese própria.
TEXTO I — Eventos extremos e infraestrutura urbana
Chuvas intensas podem transformar-se em enchentes e alagamentos quando a infraestrutura urbana não consegue absorver e escoar adequadamente a água. A impermeabilização do solo, a ocupação de áreas de várzea e a deficiência dos sistemas de drenagem aumentam a vulnerabilidade de determinados bairros.
Em muitas cidades brasileiras, a expansão urbana ocorreu de forma rápida e desigual, sem planejamento suficiente. Como consequência, parte da população passou a viver em áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos e outros riscos ambientais, o que transforma eventos climáticos em crises sociais de maior intensidade.
TEXTO II — Ondas de calor e desigualdade
As altas temperaturas também produzem efeitos diferentes dentro de uma mesma cidade. Regiões com grande quantidade de concreto, pouco verde e pouca circulação de ar podem apresentar temperaturas significativamente superiores às de áreas mais arborizadas.
Esse fenômeno, conhecido como ilha de calor urbana, mostra como planejamento e infraestrutura interferem diretamente no conforto térmico e na saúde da população. Crianças, idosos, trabalhadores expostos ao sol e pessoas com determinadas condições de saúde podem apresentar maior vulnerabilidade durante períodos de calor extremo.
TEXTO III — Desastres não atingem todos igualmente
Eventos climáticos extremos podem atingir uma cidade inteira, mas seus impactos tendem a ser mais graves sobre populações que vivem em áreas com menor infraestrutura, moradias precárias ou menor acesso a serviços públicos.
Isso significa que os efeitos das mudanças climáticas também possuem dimensão social. A vulnerabilidade depende não apenas da intensidade da chuva, do calor ou da seca, mas também das condições econômicas, urbanísticas e territoriais existentes antes do evento.
TEXTO IV — Prevenção custa menos que resposta emergencial
A gestão de riscos envolve medidas de prevenção, monitoramento, sistemas de alerta, planejamento urbano, obras de infraestrutura e preparação da população. Quando as políticas públicas atuam apenas depois do desastre, a resposta tende a ser mais cara, mais difícil e menos eficiente.
Por isso, cidades resilientes procuram identificar áreas de risco, ampliar infraestrutura e criar estratégias preventivas antes que eventos extremos provoquem grandes perdas. A prevenção não elimina os fenômenos climáticos, mas reduz sua capacidade de produzir tragédias.
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, produza um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema:
“Caminhos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras”
Apresente uma tese clara, desenvolva argumentos consistentes e formule uma proposta de intervenção social relacionada aos problemas discutidos, respeitando os direitos humanos e articulando agentes, ações, meios e finalidades. Procure demonstrar não apenas o que deve ser feito, mas também por que determinadas medidas são necessárias.
Primeiro passo: não fale de tudo
Este tema permite discutir enchentes, deslizamentos, ondas de calor, drenagem urbana, arborização, ocupação de áreas de risco, moradia, saneamento, mobilidade, sistemas de alerta, educação ambiental, proteção social e planejamento urbano. Se você tentar colocar todos esses assuntos na mesma redação, provavelmente terminará com vários tópicos mencionados superficialmente e nenhum argumento realmente aprofundado.
Por isso, escolha dois eixos. Uma possibilidade seria organizar a redação em torno de urbanização desordenada e infraestrutura insuficiente no primeiro desenvolvimento e desigualdade socioespacial e maior vulnerabilidade das populações pobres no segundo. Esses dois caminhos dialogam entre si, mas continuam suficientemente distintos para produzir progressão argumentativa.
Primeiro eixo: planejamento urbano insuficiente
Um argumento bastante forte pode partir da forma como muitas cidades brasileiras cresceram. A expansão urbana rápida, associada à impermeabilização do solo, ocupação de várzeas e deficiência de drenagem, pode intensificar os efeitos de chuvas severas e aumentar o risco de alagamentos.
A cadeia de raciocínio pode ser organizada de maneira simples. A causa está no crescimento urbano sem planejamento adequado; a consequência é uma menor capacidade de absorção e escoamento da água; e o efeito final aparece em enchentes, interrupção de serviços e perdas materiais. Essa estrutura já produz um desenvolvimento consistente porque mostra como o problema se forma.
Impermeabilização do solo
Concreto, asfalto e edificações reduzem a infiltração da água da chuva. Quando a maior parte do solo está impermeabilizada, a água escoa mais rapidamente para ruas, córregos e sistemas de drenagem, aumentando a pressão sobre uma infraestrutura que muitas vezes já é insuficiente.
Se essa infraestrutura está mal dimensionada, sem manutenção ou construída para uma realidade climática diferente, o risco de alagamentos cresce. Esse é um excelente exemplo de como um fenômeno natural interage com escolhas urbanas: a chuva não é produzida pela cidade, mas a cidade pode ampliar ou reduzir seus efeitos.
Segundo eixo: desigualdade socioespacial
Esse talvez seja um dos argumentos mais importantes da proposta. Pessoas com maior renda possuem, em geral, mais possibilidades de escolher regiões seguras, adaptar suas casas, contratar seguros ou se deslocar em situações de emergência, enquanto grupos vulneráveis podem estar concentrados em encostas, margens de rios ou bairros com infraestrutura limitada.
Portanto, o impacto climático não é apenas ambiental. Ele também é social, porque condições econômicas influenciam diretamente a capacidade de prevenção, reação e recuperação. Uma cidade desigual tende a produzir também uma distribuição desigual dos riscos climáticos.
Mudanças climáticas e pobreza
Quando um desastre atinge uma família de baixa renda, as perdas materiais podem representar uma parcela muito maior de seu patrimônio. Uma enchente pode destruir móveis, documentos, alimentos, equipamentos e até a própria moradia, comprometendo recursos acumulados durante anos.
Além disso, famílias com poucos recursos possuem menos capacidade de reconstrução. Isso cria uma consequência adicional: o desastre climático pode aprofundar desigualdades já existentes. Esse argumento é particularmente forte porque mostra que clima e vulnerabilidade social não devem ser analisados separadamente.
O Quinze como repertório
Aqui podemos recuperar O Quinze, de Rachel de Queiroz. No romance, a seca atinge diferentes personagens, mas seus efeitos são muito mais devastadores sobre a família de Chico Bento, que possui poucos recursos para enfrentar a crise.
A obra mostra que fenômenos ambientais não produzem consequências iguais para todos. Em uma redação sobre cidades brasileiras, esse repertório pode ser utilizado para demonstrar que vulnerabilidade climática depende também das condições sociais existentes antes do evento. O livro trata da seca no sertão de 1915 e não deve ser apresentado como relato contemporâneo das mudanças climáticas; seu valor está na representação literária da desigualdade diante de um fenômeno ambiental.
Os Sertões também pode dialogar com o tema
Outra possibilidade seria recuperar Euclides da Cunha e Os Sertões. A obra revela um Brasil profundamente marcado por desigualdade regional, isolamento e falta de integração entre diferentes áreas do país, o que pode ajudar a discutir como populações territorialmente marginalizadas enfrentam maiores dificuldades diante de crises.
Entretanto, é importante escolher o repertório mais pertinente ao argumento. O Quinze apresenta relação mais direta com vulnerabilidade ambiental, enquanto Os Sertões pode ser mais útil quando a discussão enfatiza abandono estatal, desigualdade territorial e populações historicamente excluídas.
Terceiro caminho: ondas de calor
Você também pode optar por discutir o aumento das temperaturas urbanas. Cidades com pouca arborização e grandes áreas de concreto tendem a criar ilhas de calor, tornando determinados bairros significativamente mais quentes do que outros.
Durante ondas de calor, isso pode aumentar riscos à saúde e reduzir a qualidade de vida. Pessoas que trabalham nas ruas, idosos, crianças e indivíduos com determinadas condições de saúde podem ser particularmente afetados, o que reforça a necessidade de compreender o calor extremo também como problema de saúde pública.
Áreas verdes como infraestrutura
A arborização urbana não deve ser tratada apenas como questão estética. Árvores produzem sombra, ajudam a reduzir a temperatura, favorecem a infiltração da água e contribuem para uma melhor qualidade ambiental.
Por isso, parques, corredores verdes e arborização de ruas podem funcionar como infraestrutura climática. Um bom argumento poderia defender que planos de arborização priorizem justamente regiões com maior temperatura e menor cobertura vegetal, relacionando planejamento ambiental à redução das desigualdades urbanas.
Quarto caminho: prevenção de desastres
Outro eixo excelente seria a necessidade de abandonar uma lógica exclusivamente emergencial. Muitas políticas públicas entram em ação somente depois que o desastre acontece, quando resgates, abrigos e assistência imediata já se tornaram indispensáveis.
Essas ações são fundamentais, mas não substituem prevenção. Cidades mais preparadas precisam monitorar chuvas, mapear áreas de risco, manter sistemas de drenagem, organizar rotas de evacuação e capacitar comunidades para agir rapidamente. A lógica preventiva reduz perdas antes que a emergência aconteça.
Sistemas de alerta
Cidades vulneráveis podem utilizar monitoramento de chuvas, sensores, alertas por celular, sirenes e protocolos de evacuação. Essas ações não impedem um evento climático, mas podem diminuir mortes, perdas materiais e desorganização durante situações de emergência.
Esse é um bom exemplo de adaptação porque mostra que enfrentar mudanças climáticas não significa necessariamente impedir completamente o fenômeno. Em muitos casos, significa preparar a cidade para reduzir seus efeitos e proteger a população.
Moradia também é política climática
Imagine famílias que vivem em encostas sujeitas a deslizamentos. Dizer simplesmente que “as pessoas não deveriam morar ali” é uma resposta insuficiente, porque muitas ocupações acontecem justamente pela falta de alternativas habitacionais acessíveis.
Por isso, programas de habitação social, reassentamento seguro e urbanização precisam fazer parte da discussão climática. O risco ambiental também está relacionado ao direito à cidade e à moradia, o que amplia o tema para além de questões exclusivamente ambientais.
Cuidado com a culpabilização da população
Outro erro seria responsabilizar moradores vulneráveis pela ocupação de áreas de risco sem considerar as condições sociais que produziram essa situação. Uma redação consistente precisa perguntar por que essas áreas foram ocupadas, se existiam alternativas e qual foi a atuação do poder público ao longo do processo.
Isso não significa retirar qualquer responsabilidade individual, mas reconhecer que problemas urbanos possuem causas estruturais. Quando o acesso à moradia segura é desigual, a vulnerabilidade ambiental também tende a ser desigual.
Educação ambiental pode aparecer?
Sim, mas não transforme tudo em “falta de conscientização”. A educação ambiental pode ajudar a população a entender riscos, descarte correto de resíduos e medidas preventivas, mas não substitui obras de drenagem, habitação ou planejamento urbano.
Uma intervenção mais consistente combina ações educativas com medidas estruturais. Dessa forma, a responsabilidade não é transferida integralmente ao cidadão, e o poder público também assume sua função na adaptação da cidade.
O lixo causa enchente?
O descarte inadequado de resíduos pode bloquear bueiros e canais e agravar alagamentos. Entretanto, reduzir todas as enchentes à ideia de que “as pessoas jogam lixo na rua” seria simplificador, porque impermeabilização do solo, ocupação urbana, drenagem insuficiente e chuvas extremas também interferem.
Um bom argumento evita causas únicas para problemas complexos. Quanto mais o estudante consegue reconhecer múltiplos fatores sem perder o foco, mais madura tende a ser sua análise.
Uma possível tese
Uma tese possível seria:
“Embora eventos climáticos extremos tenham origem em fenômenos ambientais mais amplos, seus impactos nas cidades brasileiras são intensificados pela deficiência do planejamento urbano e pela desigualdade socioespacial, o que exige políticas preventivas de infraestrutura e proteção às populações vulneráveis.”
Observe como a formulação já antecipa dois argumentos: planejamento urbano e desigualdade. Ao mesmo tempo, a própria tese já sugere dois caminhos de intervenção, relacionados a infraestrutura e proteção social.
Essa é apenas uma possibilidade. O mais importante é que sua tese anuncie claramente aquilo que será realmente desenvolvido depois.
Um possível primeiro desenvolvimento
O primeiro desenvolvimento poderia trabalhar a urbanização desordenada. O tópico frasal apresentaria a ideia de que a infraestrutura urbana insuficiente intensifica os efeitos de eventos climáticos extremos, e as frases seguintes explicariam como impermeabilização, drenagem e ocupação do solo interferem nesse processo.
Depois, você poderia apresentar uma consequência, como alagamentos e perdas materiais, e finalizar mostrando que adaptação climática exige planejamento preventivo. Dessa maneira, o parágrafo não apenas afirma que o problema existe, mas demonstra como ele se forma.
Um possível segundo desenvolvimento
O segundo desenvolvimento poderia analisar desigualdade. O parágrafo começaria mostrando que os impactos climáticos não se distribuem igualmente entre a população e, em seguida, explicaria como moradias precárias e infraestrutura insuficiente ampliam os riscos enfrentados por determinados grupos.
Nesse momento, O Quinze poderia funcionar como repertório, desde que sua relação fosse explicada. O fechamento poderia defender que políticas climáticas precisam priorizar territórios historicamente mais vulneráveis, ligando o argumento diretamente à intervenção.
E se eu escolher calor e enchentes?
Também pode funcionar. Um desenvolvimento poderia trabalhar ilhas de calor e falta de arborização, enquanto o outro analisaria enchentes e deficiência de drenagem. A diferença entre os parágrafos continuaria clara, e ambos estariam diretamente relacionados ao tema.
O cuidado está em não transformar a redação em uma lista técnica. Mesmo quando você utiliza conceitos urbanos, precisa mostrar quem é afetado, quais consequências aparecem e por que determinada medida é necessária.
Uma intervenção possível para drenagem urbana
Prefeituras e governos estaduais poderiam modernizar sistemas de drenagem e ampliar áreas permeáveis por meio de obras de infraestrutura, parques lineares, recuperação de margens de rios e manutenção preventiva. A finalidade seria reduzir alagamentos e aumentar a capacidade de absorção e escoamento da água.
Perceba que essa proposta está diretamente relacionada ao argumento sobre planejamento urbano. Não é uma solução genérica colocada no final do texto, mas uma resposta coerente ao problema analisado.
Uma intervenção possível para áreas de risco
Prefeituras, Defesa Civil e órgãos habitacionais poderiam mapear áreas vulneráveis, instalar sistemas de alerta e ampliar programas de habitação. Essas medidas poderiam combinar monitoramento, reassentamento seguro e urbanização de comunidades quando possível.
A finalidade seria reduzir mortes, perdas materiais e exposição a desastres. Mais uma vez, a proposta responde diretamente ao diagnóstico construído ao longo da redação.
Uma intervenção possível para ondas de calor
O poder municipal poderia ampliar arborização e áreas verdes por meio de planos de plantio, corredores verdes e proteção de parques urbanos. Essas medidas teriam como objetivo reduzir ilhas de calor e melhorar o conforto térmico, especialmente em regiões historicamente mais quentes e menos arborizadas.
Também seria possível acrescentar protocolos específicos para períodos de temperaturas extremas. Isso permitiria combinar adaptação urbana com proteção imediata à saúde da população.
Cuidado com “plantar árvores resolve tudo”
Arborização ajuda muito, mas não resolve sozinha todos os impactos climáticos. Se seus argumentos tratam principalmente de enchentes e moradia, uma conclusão dedicada apenas a árvores ficará desconectada.
A intervenção precisa responder aos problemas escolhidos. Essa coerência entre desenvolvimento e conclusão é fundamental para que o projeto de texto funcione como uma unidade.
Causa, consequência e exemplo na prática
Podemos montar um esquema simples para enchentes. A causa seria impermeabilização do solo e drenagem insuficiente; a consequência envolveria alagamentos, perdas materiais e interrupção de serviços; e o exemplo poderia aparecer em bairros construídos em áreas de várzea ou regiões com canais incapazes de absorver chuvas intensas.
Em seguida, a intervenção poderia propor obras de drenagem e ampliação de áreas permeáveis. Perceba como todas as partes do argumento se conectam e conduzem naturalmente à solução.
No caso da vulnerabilidade climática, a causa poderia estar na desigualdade socioespacial; a consequência apareceria nos impactos maiores sobre famílias pobres; o repertório poderia ser O Quinze; e a intervenção poderia envolver habitação, sistemas de alerta e proteção social. Esse segundo esquema já oferece praticamente a base de outro desenvolvimento completo.
Use a aula de ontem
Observe como as relações sintáticas ajudam a aprofundar o raciocínio. Podemos escrever: “Como a urbanização ocorreu sem planejamento adequado, determinadas regiões tornaram-se mais vulneráveis a enchentes.” Aqui temos uma relação de causa claramente construída.
Também poderíamos afirmar: “Embora os eventos climáticos atinjam toda a cidade, seus efeitos são maiores sobre populações vulneráveis.” Nesse caso, temos uma concessão que torna o argumento mais sofisticado. Por fim, uma frase como “O poder público deve ampliar a drenagem para que as cidades respondam melhor às chuvas intensas” estabelece finalidade.
Sintaxe e argumentação continuam caminhando juntas.
Evite frases absolutas
Não escreva que as mudanças climáticas são responsáveis por todas as enchentes. Essa formulação simplificaria um problema que envolve fatores climáticos e urbanos simultaneamente.
Uma construção mais precisa seria: “As mudanças climáticas podem intensificar eventos extremos, enquanto fatores urbanos como impermeabilização e drenagem insuficiente ampliam seus efeitos.” Essa formulação reconhece múltiplas causas e demonstra maior cuidado analítico.
Nem todo desastre é exclusivamente climático
Outro cuidado importante é diferenciar fenômeno e vulnerabilidade. Uma chuva intensa pode acontecer, mas o desastre depende também de onde e como as pessoas vivem. Do mesmo modo, uma onda de calor pode ser agravada pela ausência de vegetação e pela concentração de concreto.
Portanto, o evento climático não explica sozinho o tamanho do impacto. Esse raciocínio é particularmente importante porque permite demonstrar que planejamento urbano e desigualdade social fazem parte da discussão ambiental.
Mudanças climáticas e justiça climática
Você também pode utilizar a ideia de justiça climática. O conceito parte da percepção de que os grupos que menos contribuem para determinados problemas ambientais podem ser justamente os mais afetados por seus efeitos.
Em uma cidade, famílias pobres frequentemente possuem menor possibilidade de adaptação, proteção e recuperação. Esse repertório pode funcionar muito bem se você explicar sua relação com desigualdade e vulnerabilidade, evitando apenas mencionar o conceito como expressão sofisticada.
Planejamento urbano é prevenção
Uma cidade preparada não espera apenas o desastre chegar. Ela mapeia riscos, controla ocupação, mantém drenagem, preserva vegetação, cria sistemas de alerta e oferece alternativas habitacionais.
Essa lógica preventiva pode organizar toda uma proposta de intervenção. Ao mostrar que o enfrentamento dos impactos climáticos precisa começar antes da emergência, sua redação ganha uma direção muito mais consistente.
Quero seu projeto nos comentários
Nas nossas quintas-feiras, continuamos utilizando os comentários como espaço de treinamento. Hoje quero que você compartilhe sua tese, seu argumento 1, seu argumento 2 e um repertório que utilizaria.
Se quiser avançar ainda mais, acrescente uma possível intervenção. Você não precisa publicar a redação inteira; o objetivo é treinar planejamento e perceber como diferentes leitores podem construir projetos distintos a partir do mesmo tema.
Compare projetos diferentes
Talvez um estudante escolha drenagem e desigualdade, enquanto outro prefira ondas de calor e arborização. Um terceiro pode trabalhar áreas de risco e sistemas de alerta, e todos podem construir boas redações.
O que definirá a qualidade não será a existência de um argumento “secreto”, mas a capacidade de aprofundar relações de causa, consequência, exemplo e intervenção. É exatamente isso que estamos treinando nesta fase da Revisão Monstro.
Amanhã: Simulado da Semana 6
No Dia 41 da Revisão Monstro — ENEM em 77 dias, teremos nosso quarto Simulado da Semana. As dez questões vão retomar Pré-Modernismo, período composto, coordenação e subordinação, causas, consequências e exemplos na argumentação, além de habilidades mobilizadas na proposta de hoje.
Faça primeiro sem consultar os materiais. Depois corrija com atenção e registre os erros, porque a repetição desse processo é o que transforma revisão em aprendizagem acumulativa.
Faltam 38 dias: adaptação também vale para os estudos
Existe uma ideia muito presente no tema de hoje: adaptação. As cidades precisam adaptar infraestrutura, antecipar riscos e reorganizar prioridades diante de uma realidade climática que está mudando.
Sua preparação também exige adaptação. Talvez o método que funcionava quando faltavam setenta dias já não seja suficiente agora, e você precise resolver mais questões, revisar erros com maior frequência, produzir mais parágrafos ou concentrar tempo nos conteúdos em que apresenta maior dificuldade.
Faltam 38 dias para o ENEM. Não existe necessidade de entrar em pânico, mas existe necessidade de observar sua própria preparação e perguntar: o que ainda está vulnerável? Descobrir essa resposta agora permite corrigir o percurso antes da prova.
Assim como uma cidade se torna mais resistente quando se prepara antes da tempestade, um estudante se torna mais seguro quando enfrenta suas dificuldades antes do dia decisivo.
Gostou da proposta? Curta este post, assine o A Escola Literária, deixe nos comentários qual é sua maior dificuldade para o ENEM e compartilhe esta revisão com alguém que também precisa começar a reta final.
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O clima pode mudar rapidamente, mas a vulnerabilidade de uma cidade depende também das escolhas feitas antes do desastre. Planejar hoje é proteger vidas amanhã.
