Revisão Monstro — ENEM em 77 dias
Dia 31 — 22 de setembro de 2026 — Terça-feira — Gramática

Olá amigos e alunos do blog A Escola Literária! Chegamos ao Dia 31 da nossa Revisão Monstro — ENEM em 77 dias e hoje damos mais um passo importante no estudo da Gramática. Depois de trabalharmos Fonologia, ortografia, acentuação e Morfologia, chegou a hora de observar como as palavras começam a se relacionar dentro das orações. Entramos, portanto, no campo da Sintaxe.

A aula de hoje será dedicada ao período simples, especialmente aos dois grandes termos em torno dos quais muitas orações se organizam: sujeito e predicado. Mas, como estamos fazendo ao longo de toda a Revisão Monstro, não quero que você transforme o conteúdo em um exercício automático de caça ao sujeito. Nosso objetivo será compreender como a organização sintática ajuda a construir sentidos, destacar informações e orientar a leitura.

Saber identificar sujeito e predicado continua sendo importante. Entretanto, no ENEM, esse conhecimento ganha muito mais valor quando você consegue perceber por que determinada estrutura foi utilizada e qual efeito ela produz dentro de um texto.

⏳ Faltam 47 dias para o ENEM!

Hoje, 22 de setembro de 2026, faltam 47 dias para o primeiro dia do ENEM. Nossa revisão entra agora em um momento muito importante, porque começamos a aproximar conteúdos tradicionalmente classificados como “Gramática” das habilidades de leitura e produção textual que realmente serão exigidas na prova.

Ontem estudamos Parnasianismo e Simbolismo, observando dois projetos poéticos bastante diferentes. Hoje diminuiremos novamente nossa lente e analisaremos como as palavras se organizam dentro das orações. Esse movimento entre Literatura, Gramática e Redação não é acidental. Quanto melhor você compreende a estrutura da língua, mais preparado fica para interpretar textos e também para construir períodos mais claros em sua própria redação.

Nos próximos 47 dias, cada conteúdo novo precisa se somar aos anteriores. Não estamos começando a Sintaxe do zero: estamos aproveitando aquilo que já sabemos sobre verbos, substantivos, pronomes e outras classes gramaticais para entender agora as relações que essas palavras estabelecem entre si.

O que é Sintaxe?

A Sintaxe é o nível da Gramática que estuda as relações existentes entre palavras, termos e orações dentro de estruturas maiores. Enquanto a Morfologia classifica uma palavra como substantivo, verbo, adjetivo ou pronome, a Sintaxe pergunta qual função aquele elemento desempenha dentro da frase.

Observe:

O estudante dedicado resolveu a questão.

Do ponto de vista morfológico, podemos classificar:

estudante — substantivo;

dedicado — adjetivo;

resolveu — verbo;

a — artigo;

questão — substantivo.

Agora, do ponto de vista sintático, podemos perguntar:

Quem resolveu?

Qual é o sujeito?

O que foi dito sobre esse sujeito?

Qual é o predicado?

Perceba que mudamos a natureza da pergunta.

Frase, oração e período

Antes de entrar diretamente em sujeito e predicado, precisamos organizar três conceitos importantes: frase, oração e período.

Uma frase é um enunciado com sentido completo dentro de determinado contexto. Ela pode possuir verbo ou não.

Por exemplo:

Silêncio!

Temos uma frase, embora não exista verbo.

Já uma oração é uma estrutura organizada em torno de um verbo ou locução verbal.

Por exemplo:

Os alunos estudaram.

Temos uma oração porque existe o verbo “estudaram”.

O período corresponde a uma frase organizada em uma ou mais orações.

Quando possui apenas uma oração, temos um:

período simples

Quando possui duas ou mais orações, temos um:

período composto

Hoje trabalharemos principalmente o período simples.

O verbo será nosso ponto de partida

Quando você precisa analisar sintaticamente uma oração, existe uma estratégia extremamente útil:

primeiro encontre o verbo.

Observe:

Os estudantes resolveram as questões rapidamente.

O verbo é:

resolveram

Depois pergunte:

Quem resolveu?

Resposta:

Os estudantes.

Encontramos o sujeito.

Agora podemos observar tudo aquilo que é declarado sobre esse sujeito:

resolveram as questões rapidamente.

Esse é o predicado.

Essa sequência simples ajuda bastante:

verbo → pergunta → sujeito → predicado.

O que é sujeito?

O sujeito é o termo da oração sobre o qual se declara alguma coisa e que mantém, normalmente, relação de concordância com o verbo.

Observe:

Os estudantes chegaram cedo.

Sobre quem estamos falando?

Os estudantes.

Portanto:

Sujeito: os estudantes.

Predicado: chegaram cedo.

O verbo está no plural porque concorda com o núcleo do sujeito:

estudantes → chegaram.

Essa relação será importantíssima quando estudarmos concordância verbal mais adiante.

O núcleo do sujeito

Dentro do sujeito, existe uma palavra central chamada núcleo.

Observe:

Os novos estudantes da escola chegaram cedo.

Todo o trecho:

os novos estudantes da escola

funciona como sujeito.

Entretanto, a palavra mais importante dessa estrutura é:

estudantes

Ela é o núcleo.

Os outros elementos caracterizam ou determinam esse substantivo.

Reconhecer o núcleo ajuda muito porque é normalmente com ele que o verbo estabelece concordância.

Sujeito simples

Chamamos de sujeito simples aquele que possui apenas um núcleo.

Veja:

A professora explicou o conteúdo.

Sujeito:

A professora

Núcleo:

professora

Outro exemplo:

Os livros antigos desapareceram da biblioteca.

Sujeito:

Os livros antigos

Núcleo:

livros

Mesmo existindo várias palavras dentro do sujeito, há apenas um núcleo.

Por isso, ele continua sendo simples.

Sujeito composto

O sujeito composto possui dois ou mais núcleos.

Observe:

Literatura e Gramática fazem parte da prova de Linguagens.

Temos dois núcleos:

Literatura

e

Gramática

Portanto, o sujeito é composto.

Outro exemplo:

Conceição e Vicente possuem visões de mundo diferentes em O Quinze.

Núcleos:

Conceição

Vicente

O verbo aparece no plural porque concorda com os dois núcleos.

Sujeito oculto, elíptico ou desinencial

Nem sempre o sujeito aparece explicitamente escrito na oração.

Observe:

Estudamos Sintaxe hoje.

Quem estudamos?

A forma verbal “estudamos” indica primeira pessoa do plural:

nós

O pronome não aparece escrito, mas pode ser identificado pela desinência verbal.

Temos, portanto, um sujeito oculto, também chamado de elíptico ou desinencial, dependendo da terminologia utilizada pelo material.

Esse tipo de estrutura é extremamente comum na Língua Portuguesa porque muitas formas verbais já indicam quem realiza a ação.

Não confunda sujeito oculto com sujeito inexistente

Essa diferença é muito importante.

Em:

Estudamos para o ENEM.

Existe sujeito.

É:

nós

Ele apenas não está explicitamente escrito.

Agora observe:

Choveu muito ontem.

Não podemos perguntar “quem choveu?”.

Nesse caso, a oração possui um verbo utilizado de maneira impessoal.

Temos uma:

oração sem sujeito

Perceba que sujeito oculto e ausência de sujeito são coisas diferentes.

Oração sem sujeito

Chamamos de oração sem sujeito aquela construída com determinados verbos impessoais.

Um caso bastante conhecido envolve fenômenos da natureza:

Choveu durante a madrugada.

Anoiteceu rapidamente.

Nevou na serra.

Quando utilizados literalmente para indicar fenômenos naturais, esses verbos aparecem sem sujeito.

Mas cuidado com usos figurados.

Em:

Choveram críticas sobre a decisão.

O verbo não está indicando fenômeno climático. Nesse caso, existe sujeito:

críticas

A análise depende do contexto.

O verbo haver com sentido de existir

Outro caso muito importante aparece com o verbo haver, quando utilizado no sentido de existir.

Observe:

Há muitos candidatos na sala.

Nesse uso, o verbo é impessoal.

Portanto, não existe sujeito.

A forma permanece no singular:

Há muitos problemas.

E não:

“Hão muitos problemas.”

Esse conteúdo também voltará quando estudarmos concordância verbal.

O verbo fazer indicando tempo ou clima

Outro verbo impessoal muito frequente é fazer quando indica tempo transcorrido ou condições climáticas.

Observe:

Faz dois anos que estudo para vestibulares.

Faz muito frio hoje.

Nesses casos, o verbo permanece no singular.

Novamente, a Sintaxe ajuda a compreender regras de concordância.

Perceba como os conteúdos começam a se conectar.

Sujeito indeterminado

Existe ainda o sujeito indeterminado, que ocorre quando sabemos que alguma pessoa realiza a ação, mas não conseguimos ou não queremos identificá-la.

Observe:

Disseram que a prova será difícil.

Quem disse?

Alguém.

Mas não sabemos quem.

Nesse caso, o verbo na terceira pessoa do plural sem referente determinado pode indicar sujeito indeterminado.

Outro exemplo:

Precisa-se de funcionários.

Aqui também encontramos uma construção que pode apresentar sujeito indeterminado, utilizando o índice de indeterminação do sujeito.

Esse é um ponto mais técnico, mas muito importante para compreender a estrutura da oração.

Cuidado com o “se”

A palavra “se” pode desempenhar funções diferentes, e esse é um dos temas que costuma gerar dificuldades.

Compare:

Vendem-se apartamentos.

e:

Precisa-se de funcionários.

As duas frases parecem muito semelhantes, mas sua estrutura sintática é diferente.

Em:

Vendem-se apartamentos

“apartamentos” funciona como sujeito de uma estrutura passiva:

Apartamentos são vendidos.

Já em:

Precisa-se de funcionários

o verbo “precisar”, nesse sentido, exige a preposição “de”, e temos uma estrutura com sujeito indeterminado.

Você não precisa dominar todos os detalhes agora, mas guarde uma ideia essencial:

não analise o “se” isoladamente; observe o verbo e toda a estrutura.

O que é predicado?

O predicado corresponde àquilo que se declara sobre o sujeito, normalmente contendo o verbo da oração.

Observe:

Os estudantes resolveram a atividade.

Sujeito:

Os estudantes

Predicado:

resolveram a atividade

No predicado encontramos a informação que está sendo atribuída ao sujeito.

Mais adiante, aprenderemos que existem diferentes tipos de predicado.

Hoje faremos uma introdução a essa classificação.

Predicado verbal

Chamamos de predicado verbal aquele cujo núcleo é um verbo significativo, geralmente indicando ação ou processo.

Observe:

Os alunos escreveram a redação.

O núcleo do predicado é:

escreveram

Temos, portanto, predicado verbal.

Outro exemplo:

Vicente cuidava do gado durante a seca.

O verbo “cuidava” concentra a principal informação do predicado.

Predicado nominal

O predicado nominal ocorre quando a principal informação está associada a uma característica ou estado do sujeito, geralmente por meio de um verbo de ligação.

Observe:

A prova estava difícil.

Sujeito:

A prova

Verbo de ligação:

estava

Predicativo do sujeito:

difícil

O núcleo da informação não é a ação de “estar”.

É a característica:

difícil

Por isso, temos predicado nominal.

Verbos de ligação

Entre os verbos que podem funcionar como verbos de ligação encontramos:

ser

estar

parecer

permanecer

continuar

ficar

tornar-se

Mas tome cuidado: um mesmo verbo pode ter funções diferentes dependendo do contexto.

Observe:

João ficou triste.

“Ficou” funciona como verbo de ligação.

Agora:

João ficou em casa.

Nesse caso, “ficou” indica permanência em determinado lugar e possui valor mais significativo.

A análise depende da frase.

Predicado verbo-nominal

Existe ainda o predicado verbo-nominal, que combina duas informações: uma ação e uma característica atribuída ao sujeito ou a outro termo.

Observe:

Os alunos saíram cansados da prova.

Existe uma ação:

saíram

E existe uma característica dos alunos:

cansados

Portanto, temos ao mesmo tempo um núcleo verbal e um núcleo nominal.

Daí o nome:

predicado verbo-nominal

Não se preocupe se essa classificação parecer mais difícil inicialmente. Ela ficará mais clara quando estudarmos predicativos com maior profundidade.

Sujeito nem sempre vem antes do verbo

Esse é um cuidado extremamente importante.

Muitos estudantes procuram automaticamente o sujeito antes do verbo, mas a Língua Portuguesa permite outras ordens.

Observe:

Chegaram os estudantes.

O sujeito é:

os estudantes

Mesmo aparecendo depois do verbo.

Como podemos descobrir?

Perguntamos:

Quem chegou?

Os estudantes.

A posição não determina a função sintática.

Essa característica aparece bastante em textos literários, principalmente quando o autor altera a ordem mais comum para produzir determinado efeito.

Ordem direta e ordem inversa

A ordem mais comum em português é:

sujeito + verbo + complementos

Por exemplo:

Os estudantes resolveram a questão rapidamente.

Mas podemos encontrar:

Rapidamente, os estudantes resolveram a questão.

ou:

Resolveram a questão rapidamente os estudantes mais preparados.

Essas alterações podem destacar determinadas informações.

Em textos literários, a ordem inversa pode participar do ritmo, da musicalidade ou da ênfase.

Isso significa que Sintaxe também interfere no estilo.

Vamos recuperar o Parnasianismo

Ontem estudamos a grande preocupação formal dos parnasianos.

Agora imagine que um poeta altere a ordem normal das palavras para manter determinada métrica ou produzir determinado efeito sonoro.

A Sintaxe está participando da construção estética do poema.

Isso ajuda a perceber por que não devemos estudar Gramática separada da Literatura.

Quando entendemos as possibilidades da língua, conseguimos observar melhor as escolhas realizadas pelos escritores.

Sujeito e efeito de destaque

Compare:

Os estudantes organizaram o protesto.

e:

O protesto foi organizado pelos estudantes.

As duas frases apresentam acontecimentos semelhantes, mas a informação destacada muda.

Na primeira, começamos pelos estudantes.

Na segunda, o foco inicial está no protesto.

Essa diferença mostra que as escolhas sintáticas podem organizar a perspectiva do leitor.

Ainda estudaremos voz ativa e voz passiva mais profundamente, mas o exemplo já demonstra como a estrutura interfere no sentido.

Sujeito em manchetes

Observe estas duas manchetes hipotéticas:

Empresa demite 500 trabalhadores.

Quinhentos trabalhadores são demitidos pela empresa.

As duas apresentam essencialmente o mesmo acontecimento.

Entretanto, a primeira destaca o agente:

empresa

A segunda destaca as pessoas afetadas:

trabalhadores

A escolha sintática influencia aquilo que aparece primeiro e, consequentemente, aquilo que recebe maior atenção.

Essa percepção é extremamente importante para leitura crítica.

Sujeito indeterminado e responsabilidade

Compare:

Erros foram cometidos.

e:

A direção cometeu erros.

A primeira construção esconde quem realizou a ação.

A segunda identifica explicitamente um agente.

Esse tipo de diferença aparece muito em discursos institucionais e políticos.

Quando ninguém é nomeado, a responsabilidade pode parecer diluída.

Por isso, análise sintática também pode revelar estratégias discursivas.

Pergunte sempre:

Quem está realizando a ação?

Essa pessoa ou instituição aparece claramente no texto?

O sujeito na Redação do ENEM

Esse conhecimento também pode melhorar sua escrita.

Considere:

“Deve-se combater o problema.”

Quem deve combater?

A construção é vaga.

Agora:

“O Ministério da Educação deve ampliar programas de formação…”

Temos um agente claro.

Essa diferença será particularmente importante na proposta de intervenção, porque uma ação bem definida precisa apresentar quem será responsável por realizá-la.

Sintaxe também contribui para a precisão argumentativa.

Não construa períodos sem saber quem faz o quê

Alguns problemas de redação surgem quando o estudante tenta escrever frases muito longas e perde o controle das relações sintáticas.

Observe uma construção confusa:

“A sociedade que enfrenta vários problemas e precisa de soluções porque não existe investimento sendo necessário mudar.”

Existem muitas ideias, mas as relações não estão claras.

Uma escrita melhor poderia organizar:

“A sociedade enfrenta diferentes problemas porque determinadas políticas públicas ainda são insuficientes. Por isso, o poder público precisa ampliar os investimentos destinados ao setor.”

Agora conseguimos identificar claramente sujeitos, verbos e relações.

Clareza sintática ajuda a construir clareza argumentativa.

Uma técnica para revisar seus períodos

Depois de escrever um parágrafo da Redação, escolha uma frase longa e faça três perguntas:

Qual é o verbo principal?

Quem é o sujeito?

O que está sendo declarado sobre ele?

Se você não consegue responder, talvez a frase esteja excessivamente complexa ou mal organizada.

Isso não significa que todo período precise ser curto.

Significa que você precisa controlar a estrutura que está construindo.

Complexidade sintática só é positiva quando permanece clara.

Um pequeno treinamento

Observe:

Os jovens brasileiros enfrentam diferentes pressões durante a preparação para o vestibular.

Verbo:

enfrentam

Quem enfrenta?

Os jovens brasileiros

Sujeito:

os jovens brasileiros

Núcleo:

jovens

Predicado:

enfrentam diferentes pressões durante a preparação para o vestibular

Temos uma estrutura relativamente simples.

Agora vamos aumentar a dificuldade.

Segundo treinamento

Observe:

Durante a preparação para o vestibular, aumentam as preocupações dos estudantes com o futuro.

Encontre primeiro o verbo:

aumentam

O que aumenta?

as preocupações dos estudantes com o futuro

Esse é o sujeito.

Núcleo:

preocupações

Observe que o sujeito aparece depois do verbo.

Se você tivesse procurado apenas aquilo que aparecia no início da frase, provavelmente teria errado.

É por isso que o verbo precisa ser nosso ponto de partida.

Terceiro treinamento

Observe:

Há muitos desafios na preparação para o ENEM.

Verbo:

Nesse contexto, significa:

existem

O verbo “haver”, com sentido de existir, é impessoal.

Portanto:

oração sem sujeito

O termo “muitos desafios” não é sujeito.

Essa é uma das confusões mais comuns da análise sintática.

Quarto treinamento

Observe:

Disseram que a prova será difícil.

O verbo “disseram” aparece na terceira pessoa do plural e não existe no contexto um referente identificado para essa ação.

Temos:

sujeito indeterminado

Sabemos que alguém disse.

Mas não sabemos exatamente quem.

Esse recurso pode aparecer em textos justamente para apresentar informações sem revelar claramente sua origem.

Quinto treinamento

Observe:

A redação ficou excelente.

Sujeito:

A redação

Verbo de ligação:

ficou

Característica atribuída:

excelente

Temos um:

predicado nominal

Agora compare:

A redação ficou sobre a mesa.

Aqui “ficou” indica permanência em determinado lugar.

A estrutura já não funciona da mesma maneira.

Mais uma prova de que precisamos analisar as palavras dentro do contexto.

Sujeito não é necessariamente quem pratica uma ação

Existe uma definição tradicional que afirma:

“Sujeito é quem pratica a ação.”

Ela pode ajudar em determinados casos, mas é insuficiente.

Observe:

A prova foi corrigida pela professora.

O sujeito é:

A prova

Mas a prova não praticou ação nenhuma.

Ela recebeu a ação.

Por isso, uma definição mais adequada é pensar no sujeito como o termo sobre o qual se declara algo e com o qual o verbo estabelece relação de concordância.

Essa definição funciona em um número muito maior de situações.

Também não existe sujeito em toda oração

Outro erro comum é acreditar que toda oração obrigatoriamente possui sujeito.

Já vimos:

Choveu ontem.

Há muitos candidatos.

Faz três dias que comecei a revisão.

São exemplos de orações sem sujeito.

Reconhecer essas estruturas é importante tanto para análise quanto para concordância verbal.

Gramática funciona como uma rede de conhecimentos.

Um conteúdo prepara o próximo.

A importância do predicado

Os estudantes costumam concentrar tanta atenção no sujeito que acabam tratando o predicado como “todo o resto”.

Essa definição pode ajudar operacionalmente, mas não mostra a importância real do termo.

É dentro do predicado que encontramos grande parte das informações sobre o sujeito:

o que ele faz;

como está;

o que se tornou;

o que sofreu;

onde se encontra;

que característica possui.

Compreender a organização do predicado ajuda a perceber como um texto distribui informações.

Verbo não significa necessariamente ação

Esse ponto também precisa ficar claro.

Observe:

O aluno correu.

Temos ação.

Agora:

O aluno está preocupado.

O verbo “está” não representa uma ação praticada pelo aluno. Ele estabelece uma ligação entre o sujeito e uma característica.

Outro exemplo:

O aluno permanece silencioso.

Novamente, temos um estado.

Por isso, dizer simplesmente que “verbo é palavra que indica ação” é insuficiente.

Os verbos podem expressar ação, estado, mudança, processo, fenômeno e outras relações.

Sintaxe e interpretação

Imagine uma questão do ENEM que destaque uma construção como:

“Foram esquecidos os compromissos assumidos anteriormente.”

Uma análise puramente mecânica poderia perguntar onde está o sujeito.

Mas uma análise discursiva poderia questionar por que a frase não identifica claramente quem esqueceu os compromissos.

Essa escolha produz um efeito.

A linguagem pode ocultar agentes, destacar consequências ou reorganizar responsabilidades.

É justamente aí que a Sintaxe deixa de ser apenas classificação e se transforma em interpretação.

Sintaxe na publicidade

Observe um slogan hipotético:

“Você merece mais.”

Sujeito:

você

Predicado:

merece mais

A escolha do pronome cria comunicação direta com o consumidor.

Agora:

“Experimente agora.”

Temos um verbo no imperativo e um sujeito oculto:

você

A publicidade fala diretamente ao interlocutor, mesmo sem escrever explicitamente o pronome.

Uma estrutura sintática simples pode produzir forte efeito persuasivo.

Sintaxe na Literatura

Textos literários frequentemente modificam a ordem mais comum das palavras para produzir ritmo, musicalidade ou destaque.

Um poeta simbolista, por exemplo, pode organizar os termos de uma oração de maneira pouco usual para favorecer determinados sons.

Um parnasiano pode reorganizar a estrutura para manter a métrica de um verso.

Um narrador realista pode construir períodos longos e irônicos que conduzem o leitor por diferentes raciocínios.

Compreender Sintaxe ajuda a perceber essas escolhas.

Sintaxe na notícia

Considere:

Polícia prende suspeito durante operação.

Agora:

Suspeito é preso durante operação.

Na primeira manchete, a instituição policial ocupa posição de destaque.

Na segunda, a atenção inicial está sobre o suspeito.

A informação factual central é semelhante, mas a organização sintática modifica o foco.

Quando você aprende a observar essas escolhas, sua leitura crítica melhora.

Como estudar sujeito e predicado hoje

Depois desta aula, pegue dez frases reais. Você pode retirá-las de notícias, propagandas, textos literários ou até de suas próprias redações.

Em cada uma:

localize o verbo;

identifique o sujeito, quando existir;

encontre o núcleo do sujeito;

classifique-o;

identifique o predicado.

Depois escolha três frases e faça uma pergunta adicional:

Que efeito essa organização sintática produz?

É essa segunda etapa que aproxima seu estudo do ENEM.

Faça também uma revisão morfológica

Você pode aproveitar as mesmas frases para recuperar o conteúdo da semana passada.

Escolha o sujeito:

Os estudantes atentos resolveram rapidamente a atividade.

Morfologicamente:

os — artigo;

estudantes — substantivo;

atentos — adjetivo.

Sintaticamente, as três palavras formam:

o sujeito

com núcleo:

estudantes

Depois:

resolveram — verbo;

rapidamente — advérbio.

Perceba como Morfologia e Sintaxe se complementam.

Uma pequena tabela para guardar

Para sua revisão rápida:

Sujeito simples

Possui um núcleo.

O aluno estudou.

Sujeito composto

Possui dois ou mais núcleos.

O aluno e a professora conversaram.

Sujeito oculto

Pode ser identificado pelo contexto ou pela forma verbal.

Estudamos muito.
Sujeito: nós.

Sujeito indeterminado

Existe alguém praticando a ação, mas não é identificado.

Disseram que haverá prova.

Oração sem sujeito

Construída com verbos impessoais.

Há muitos candidatos.

Choveu ontem.

Use essa tabela como ponto de partida, mas continue praticando com textos.

Cuidado com o mecanismo automático

Talvez você já tenha aprendido a fazer perguntas como:

“Quem é que…?”

Essa estratégia ajuda muitas vezes, mas não deve substituir análise.

Em estruturas mais complexas, será necessário observar concordância, sentido do verbo e organização da frase.

Por isso, não transforme a pergunta ao verbo em uma regra infalível.

Use-a como ferramenta.

Depois confirme sua análise.

A Sintaxe continuará nas próximas semanas

Hoje estamos apenas começando.

Na próxima semana, entraremos no período composto, estudando coordenação e subordinação. Mais adiante, veremos concordância, regência, crase e outros conteúdos que dependem diretamente da base construída hoje.

Isso significa que vale a pena investir algum tempo em sujeito e predicado.

Se essa estrutura estiver clara, os assuntos posteriores se tornam muito mais compreensíveis.

Se estiver confusa, a dificuldade tende a se acumular.

Amanhã: desenvolvimento da redação

No Dia 32 da Revisão Monstro — ENEM em 77 dias, voltaremos para Redação com:

Desenvolvimento da redação: como construir um argumento consistente

Nas últimas aulas aprendemos a interpretar o tema, construir introdução e utilizar repertório sociocultural. Agora chegaremos ao coração argumentativo do texto: os parágrafos em que você precisa provar que sua tese possui sustentação.

E o conteúdo de hoje também ajudará.

Uma argumentação clara depende de frases bem organizadas.

Você precisa deixar evidente:

quem realiza determinada ação;

que problema está sendo analisado;

quais relações existem entre causas e consequências;

que agente possui responsabilidade.

Sintaxe e argumentação também caminham juntas.

Faltam 47 dias: escrever com clareza também é dominar a estrutura

Quando pensamos em Gramática para o ENEM, existe uma tendência a imaginar apenas regras que podem gerar alternativas certas ou erradas. Mas compreender a estrutura das orações produz um benefício muito maior.

Você começa a enxergar como os textos são montados.

Percebe quem aparece como sujeito.

Nota quando o agente desaparece.

Identifica onde está a informação principal.

Reconhece quando um período ficou mal organizado.

E consegue escrever com maior precisão.

Hoje faltam 47 dias para o ENEM. Não tente transformar esta aula em uma coleção de nomes técnicos para decorar. Utilize essas classificações para compreender algo mais importante:

as frases possuem arquitetura.

Quando você entende essa arquitetura, melhora sua capacidade de interpretar o texto dos outros e de construir o seu próprio.

Encontre o verbo.

Procure as relações.

Observe quem aparece.

Veja o que está sendo dito.

E continue.

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Compreender a Sintaxe é perceber que uma frase não é apenas uma sequência de palavras: cada termo ocupa um lugar, estabelece uma relação e ajuda a direcionar o olhar de quem lê.