Revisão MONSTRO — ENEM em 77 Dias — Dia 12
03 de setembro de 2026 — Quinta-feira — Temas de Redação
Simulado de Redação no estilo ENEM
Olá amigos e alunos do blog A Escola Literária! Chegamos ao Dia 12 da nossa Revisão ENEM em 77 Dias e hoje é novamente dia de transformar teoria em prática. Ontem estudamos uma habilidade fundamental para qualquer candidato que deseja construir uma boa redação: interpretar corretamente a proposta e delimitar o tema antes de começar a escrever. Agora teremos a oportunidade de aplicar imediatamente aquilo que aprendemos.
Nossa segunda proposta de treinamento aborda uma questão cada vez mais presente na vida de estudantes, famílias, professores e de toda a sociedade: a educação digital. Vivemos em uma realidade na qual estudar, trabalhar, buscar informações, realizar serviços, comunicar-se e participar da vida pública passa cada vez mais pelo ambiente digital. Entretanto, possuir acesso a um aparelho conectado não significa, automaticamente, saber utilizar a tecnologia de maneira crítica, responsável, segura e produtiva.
É justamente essa diferença que estará no centro da nossa proposta. Hoje não quero apenas que você escreva sobre computadores, celulares ou Internet. Quero que pense no que significa formar cidadãos capazes de utilizar conscientemente as tecnologias digitais e, principalmente, nos obstáculos que ainda dificultam esse processo no Brasil.
⏳ Faltam 66 dias para o ENEM!
Hoje, 3 de setembro de 2026, faltam 66 dias para o primeiro dia do ENEM, cuja aplicação de 2026 está prevista para 8 de novembro; o segundo dia será em 15 de novembro. Estamos chegando a uma etapa em que a frequência dos treinamentos começa a fazer diferença, principalmente na Redação, porque cada proposta enfrentada agora representa uma nova oportunidade para aperfeiçoar interpretação, planejamento, argumentação e intervenção.
Não espere chegar ao final de outubro para começar a produzir textos. A redação é uma habilidade construída por repetição consciente. Você escreve, percebe um problema, corrige, tenta novamente e começa gradualmente a identificar padrões em sua própria produção. Talvez hoje você ainda tenha dificuldade para formular a tese ou aprofundar um argumento, mas justamente por isso estamos treinando faltando mais de dois meses para a prova.
Na Cartilha do Participante mais recente disponibilizada pelo Inep, a prova é apresentada como uma produção dissertativo-argumentativa em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, na qual o participante precisa defender um ponto de vista utilizando argumentos coerentes e coesos e apresentar uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. Nosso treinamento seguirá essa lógica.
Antes da coletânea: o que significa educação digital?
Antes de começar a ler os textos motivadores, vale fazer uma primeira aproximação do conceito. Educação digital não pode ser reduzida a ensinar alguém a ligar um computador, utilizar um aplicativo ou criar uma conta em uma rede social. Essas habilidades podem fazer parte do processo, mas a questão é muito mais ampla.
Ser educado para o ambiente digital envolve saber utilizar tecnologias de maneira consciente, reconhecer riscos, proteger dados pessoais, pesquisar informações, avaliar a confiabilidade das fontes, compreender conteúdos produzidos por algoritmos, lidar com inteligência artificial, reconhecer tentativas de manipulação e participar dos espaços digitais com ética e responsabilidade. Portanto, quando falamos em educação digital, estamos falando simultaneamente de acesso, conhecimento, pensamento crítico, segurança e cidadania.
Essa compreensão inicial será importante para que você não reduza sua redação a uma discussão apenas sobre possuir ou não Internet. A infraestrutura é um aspecto central, mas não é o único. Mesmo quem possui conexão pode não ter recebido formação adequada para lidar criticamente com o enorme volume de informações, plataformas e tecnologias disponíveis.
Relembre a aula de ontem: qual é o recorte?
O tema de hoje será:
Desafios para promover a educação digital no Brasil
Não leia apenas a expressão “educação digital” e comece a escrever. Observe as outras palavras.
A palavra “desafios” indica que você deverá investigar obstáculos, limitações ou fatores que dificultam o avanço desse processo. O verbo “promover” sugere uma ação social: precisamos pensar em condições capazes de ampliar e fortalecer a educação digital. Finalmente, a expressão “no Brasil” exige que a discussão esteja vinculada à realidade brasileira.
Podemos transformar o tema em uma pergunta, utilizando a estratégia da aula de ontem:
Por que ainda existem dificuldades para promover uma educação digital ampla, crítica e segura no Brasil?
Agora temos uma pergunta argumentativa. A coletânea a seguir oferecerá diferentes perspectivas que poderão ajudá-lo a formular sua própria resposta.
SIMULADO DE REDAÇÃO ENEM
Tema: Desafios para promover a educação digital no Brasil
Leia atentamente os textos motivadores. Durante a leitura, procure perceber que cada um deles apresenta uma dimensão diferente do problema. Não copie simplesmente informações para sua redação; use-as como ponto de partida para compreender a questão, relacioná-la aos conhecimentos construídos ao longo de sua formação e elaborar uma posição própria.
TEXTO I — A conexão avançou, mas as desigualdades permanecem
O avanço da conectividade nas escolas brasileiras é significativo. Dados da pesquisa TIC Educação 2024 indicaram que 96% das escolas brasileiras possuíam acesso à Internet, e, entre as instituições conectadas, 88% dispunham de Internet em sala de aula. Apesar desse avanço, a existência de conexão não significa que todos os estudantes disponham das mesmas condições para utilizar recursos digitais em atividades educacionais.
A própria pesquisa mostrou desigualdades importantes. Nas escolas estaduais, 67% dos alunos utilizavam a Internet para realizar atividades solicitadas pelos professores, enquanto, nas redes municipais, essa proporção era de apenas 27%. Nas instituições municipais, 51% possuíam computadores destinados a atividades educacionais e 47% reuniam simultaneamente acesso à Internet e dispositivos disponíveis aos estudantes.
Esses números ajudam a compreender que o primeiro desafio da educação digital continua relacionado às condições materiais de acesso. Uma política educacional baseada em tecnologias pode ampliar oportunidades, mas também corre o risco de reproduzir desigualdades quando estudantes e escolas dispõem de estruturas muito diferentes.
Fonte: Cetic.br/NIC.br — Pesquisa TIC Educação 2024. Adaptado.
TEXTO II — Usar inteligência artificial não significa saber utilizá-la criticamente
As ferramentas de inteligência artificial generativa passaram rapidamente a fazer parte da rotina de muitos estudantes. Segundo a TIC Educação 2024, sete em cada dez estudantes brasileiros do Ensino Médio usuários da Internet afirmaram utilizar ferramentas de IA generativa em pesquisas escolares. Entretanto, apenas 32% disseram ter recebido orientação da escola sobre como utilizar essas tecnologias.
A diferença entre utilização e orientação apresenta um desafio importante para a educação contemporânea. Ferramentas digitais podem ampliar possibilidades de pesquisa, criação e aprendizagem, mas também podem produzir informações incorretas, apresentar vieses e ser empregadas de maneira pouco crítica quando o usuário não compreende suas limitações.
A presença da tecnologia, portanto, não elimina a necessidade do professor nem transforma automaticamente o estudante em um usuário preparado. Pelo contrário, quanto mais complexas se tornam as ferramentas, maior pode ser a necessidade de formação para utilizá-las de maneira consciente.
Fonte: Cetic.br/NIC.br — Pesquisa TIC Educação 2024. Adaptado.
TEXTO III — As escolas avançam, mas ainda enfrentam obstáculos
A edição TIC Educação 2025, divulgada pelo Cetic.br em agosto de 2026, mostrou que as discussões sobre o uso crítico das tecnologias passaram a ocupar maior espaço nas escolas. Em 2025, 75% das instituições relataram debates sobre uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais, enquanto 67% discutiram a inclusão da educação midiática no currículo.
Apesar desse avanço, apenas 65% das escolas desenvolviam alguma ação direcionada aos estudantes nas áreas de educação digital, midiática ou cidadania digital, com diferenças entre contextos: a proporção chegava a 72% nas escolas urbanas. Entre as instituições que realizavam essas iniciativas, 75% dos gestores apontaram a baixa participação das famílias como obstáculo e 64% mencionaram a falta de materiais e recursos educacionais de apoio. Entre as escolas que não desenvolviam essas ações, também apareciam problemas relacionados à infraestrutura e à qualidade do acesso à Internet.
Os dados indicam que a educação digital depende de uma combinação de fatores. Não basta apenas estabelecer que o assunto deve aparecer nas escolas; professores, gestores e famílias precisam encontrar condições para transformar a proposta em práticas permanentes de formação.
Fonte: Cetic.br/NIC.br — TIC Educação 2025. Adaptado.
TEXTO IV — Educação digital também é cidadania
Para a UNESCO, a alfabetização midiática e informacional deve ser entendida como uma dimensão importante da cidadania contemporânea. Ela envolve capacidades que permitem às pessoas acessar, avaliar, compreender, produzir e compartilhar informações de maneira crítica, ética e responsável. A instituição também destaca que, diante do crescimento da inteligência artificial, compreender autoria, fontes, confiabilidade, transparência e funcionamento dos sistemas digitais passa a integrar esse processo formativo.
Essa perspectiva amplia a ideia de educação digital. Não se trata apenas de formar usuários eficientes de ferramentas tecnológicas, mas cidadãos capazes de compreender o ambiente informacional no qual estão inseridos e participar dele de maneira consciente.
Em uma sociedade na qual decisões pessoais, profissionais, educacionais e políticas são cada vez mais influenciadas por conteúdos digitais, aprender a avaliar informações e compreender tecnologias também se torna uma forma de participação social.
Fonte: UNESCO — Educação Midiática e Alfabetização Midiática e Informacional. Adaptado.
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, produza um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema:
“Desafios para promover a educação digital no Brasil”
Apresente um ponto de vista claro sobre o problema e desenvolva argumentos capazes de sustentá-lo de maneira coerente e coesa. Ao final, apresente uma proposta de intervenção relacionada à questão discutida, respeitando os direitos humanos e articulando-a ao projeto argumentativo desenvolvido ao longo do texto.
A formulação deste simulado segue a lógica geral das orientações de produção dissertativo-argumentativa apresentadas pelo Inep para a Redação do ENEM.
Agora é sua vez: não comece escrevendo
Parece estranho encontrar essa orientação em uma aula de Redação, mas hoje quero que sua primeira atitude seja justamente não começar pela primeira frase da introdução. Nosso objetivo é aplicar a aula de ontem e construir um pequeno projeto de texto antes de redigir.
Volte ao tema e identifique o problema central. Você poderia perguntar quais condições ainda impedem que a população brasileira tenha acesso não apenas às tecnologias, mas também ao conhecimento necessário para utilizá-las com autonomia, pensamento crítico e segurança. Depois, observe a coletânea e perceba que ela apresenta diferentes caminhos possíveis: desigualdade de infraestrutura, formação de estudantes, preparação dos professores, participação das famílias, inteligência artificial, educação midiática e políticas públicas.
Agora você precisa tomar decisões. Não tente falar sobre todas essas questões, porque sua redação não comportará oito argumentos bem desenvolvidos. Selecione dois e construa uma relação clara entre eles e sua tese.
Não confunda acesso digital com educação digital
Esse é um dos cuidados mais importantes desta proposta. Acesso e educação digital estão relacionados, mas não são sinônimos.
Imagine uma escola que disponha de Internet rápida, computadores e tablets. Esses recursos ampliam as possibilidades de ensino, mas sua simples presença não garante que os estudantes saibam verificar fontes, proteger seus dados, utilizar inteligência artificial responsavelmente ou compreender como algoritmos podem influenciar aquilo que aparece em suas telas.
No sentido inverso, também seria difícil implementar uma educação digital consistente em comunidades que possuem acesso precário à Internet ou escassez de equipamentos.
Temos, portanto, duas dimensões que podem dialogar: condições materiais de acesso e formação para o uso crítico das tecnologias.
Você não precisa necessariamente utilizar esses dois argumentos, mas precisa compreender que o tema permite ir muito além da ideia de simplesmente “dar computadores às escolas”.
Um possível caminho: desigualdade digital
Um estudante poderia decidir abordar as diferenças de acesso à infraestrutura tecnológica. Nesse caso, seria necessário aprofundar o raciocínio e não apenas afirmar que existe desigualdade no Brasil.
Como a falta de equipamentos afeta a aprendizagem? De que maneira escolas rurais, redes municipais ou famílias de baixa renda podem enfrentar condições diferentes? Como essas desigualdades interferem na possibilidade de desenvolver competências digitais?
Essas perguntas transformam a palavra “desigualdade” em um argumento.
Lembre-se do que temos repetido nesta revisão: uma palavra-chave não constitui, sozinha, uma argumentação. O parágrafo precisa estabelecer relações entre causa, problema e consequência.
Outro caminho: formação crítica
Um segundo eixo poderia discutir o fato de que saber utilizar um aplicativo não é o mesmo que possuir educação digital. A expansão da inteligência artificial torna essa questão especialmente evidente. Se muitos estudantes já utilizam essas ferramentas, mas uma parcela menor recebeu orientação específica da escola, temos uma situação que exige mediação pedagógica e formação.
Nesse tipo de argumento, você poderia discutir pensamento crítico, confiabilidade das informações, autoria, desinformação, proteção de dados ou uso responsável das tecnologias. O importante seria selecionar um caminho suficientemente específico para que o parágrafo não se transforme em uma lista de riscos da Internet.
Quanto mais delimitado estiver o argumento, maior será a possibilidade de aprofundá-lo.
As famílias também podem participar da discussão
Os dados da TIC Educação 2025 mostram que a participação das famílias aparece entre os desafios encontrados pelas próprias escolas na implementação de ações relacionadas à educação digital e midiática. Isso abre outra possibilidade argumentativa: a formação para o ambiente digital não acontece exclusivamente dentro dos muros escolares.
Crianças e adolescentes utilizam tecnologias em casa, recebem conteúdos por redes sociais, interagem em aplicativos e convivem com decisões familiares relacionadas ao uso de telas. Dessa forma, políticas de educação digital podem considerar também estratégias de aproximação entre escola e família.
Entretanto, tome cuidado para não transferir toda a responsabilidade para os responsáveis. O problema é social e envolve diferentes agentes, inclusive escolas, Estado, empresas de tecnologia, plataformas e a própria sociedade.
E o papel do Estado?
Outro caminho possível está relacionado às políticas públicas. Se existem diferenças importantes de infraestrutura entre escolas e dificuldades relacionadas à formação e aos materiais educacionais, a promoção da educação digital não pode depender apenas da iniciativa individual de cada professor ou instituição. Os dados mais recentes da TIC Educação mostram justamente que infraestrutura, materiais de apoio e articulação com famílias ainda aparecem como desafios concretos.
Uma argumentação nessa direção poderia discutir a necessidade de políticas capazes de combinar conectividade, equipamentos, formação docente e produção de materiais pedagógicos. Mais uma vez, o objetivo não é escrever simplesmente que “o governo precisa investir mais”, mas demonstrar onde está a deficiência e que tipo de resposta poderia enfrentá-la.
Essa reflexão também será útil quando chegarmos à proposta de intervenção.
Cuidado com o repertório “coringa”
O tema de hoje permite inúmeros repertórios. Você poderia pensar em conceitos relacionados à cidadania, educação, desigualdade, comunicação, inteligência artificial ou sociedade da informação. Obras literárias, filmes, estudos acadêmicos, legislações e acontecimentos históricos também podem ser utilizados quando houver relação real com o argumento.
O que você não deve fazer é pegar uma frase previamente decorada e inseri-la no texto apenas porque contém palavras como “educação” ou “tecnologia”.
A aula anterior já nos ensinou qual deve ser a sequência: primeiro interpretar o tema; depois formular a tese; em seguida escolher os argumentos; somente então selecionar repertórios capazes de fortalecê-los.
Se a referência não ajuda a explicar sua ideia, provavelmente não precisa aparecer.
Pense na proposta de intervenção desde o planejamento
O texto do ENEM precisa chegar a uma proposta de intervenção relacionada ao problema desenvolvido. Por isso, sua conclusão não deveria surgir como uma solução improvisada nos últimos minutos.
Se você argumentou que existe falta de formação crítica nas escolas, uma possível intervenção deverá dialogar com essa dificuldade. Se seu argumento central envolve desigualdade de infraestrutura, sua proposta precisa considerar as condições de acesso. Se discutiu a preparação dos educadores, será necessário pensar em ações que enfrentem essa questão.
Pergunte no planejamento:
Quem pode agir?
O que pode ser feito?
Como essa ação poderia acontecer?
Com qual finalidade?
Que detalhamento torna a proposta mais concreta?
Não precisa escrever sua conclusão completa agora, mas deve saber para qual direção ela caminhará.
Um exemplo de intervenção genérica
Imagine uma conclusão que termine assim:
“Portanto, o governo deve investir em educação digital para resolver o problema.”
A frase possui intenção de solução, mas deixa praticamente todas as perguntas abertas. Qual governo? Investir em quê? Formação docente? Infraestrutura? Produção de materiais? Como a ação seria executada? Quem seria atendido? Qual resultado se pretende alcançar?
Quanto mais vaga for a intervenção, menor será sua capacidade de demonstrar planejamento.
Uma proposta bem articulada nasce daquilo que foi discutido anteriormente. Por isso, não existe uma intervenção universal capaz de servir igualmente para todos os temas.
Faça sua redação completa, se possível
Nosso objetivo nas quintas-feiras é realizar um verdadeiro treino. Por isso, se você tiver condições, escreva hoje a redação inteira, preferencialmente à mão, utilizando uma folha semelhante ao espaço que encontraria em uma situação de prova.
Não procure corrigir cada frase no momento em que ela surge. Primeiro desenvolva seu projeto. Depois faça uma leitura completa e revise.
Durante a revisão, observe se a introdução apresenta claramente a direção argumentativa; se cada desenvolvimento trabalha um argumento diferente; se os repertórios estão ligados ao raciocínio; se os conectivos estabelecem relações adequadas; e se sua intervenção responde aos problemas realmente discutidos.
Essa releitura é parte do exercício de escrita.
Se não puder escrever a redação completa, planeje-a
Talvez hoje você não tenha tempo suficiente para produzir o texto inteiro. Nesse caso, não abandone completamente o treinamento.
Faça pelo menos um projeto de redação.
Escreva qual seria sua tese. Depois indique dois argumentos, pense em um repertório para cada desenvolvimento e elabore uma proposta de intervenção. Esse exercício pode ser concluído em poucos minutos e já obriga você a tomar as principais decisões argumentativas.
No próximo treino, tente transformar o planejamento em redação completa.
O importante é não passar pelas propostas das quintas-feiras apenas como leitor. Redação se aprende escrevendo.
Quero suas ideias nos comentários
Nosso espaço de comentários também fará parte do treinamento. Você não precisa publicar a redação inteira, principalmente se o campo do WordPress não for confortável para textos longos.
Quero que você compartilhe ao menos o seu projeto de texto.
Pode escrever nos comentários sua tese, os dois argumentos que utilizaria e uma ideia de proposta de intervenção. Se quiser, acrescente também um repertório que considera produtivo para o tema.
O objetivo não é descobrir quem possui a “resposta correta”. Diferentes estudantes podem construir teses diferentes e produzir ótimas redações.
Imagine como isso pode enriquecer nosso estudo: um aluno pode concentrar sua discussão na desigualdade de acesso, outro na formação dos professores, outro na alfabetização midiática e outro na utilização da inteligência artificial. Ao observar esses caminhos, percebemos que um mesmo tema permite diferentes projetos argumentativos.
Por isso, participe.
Qual seria sua tese para o tema de hoje?
Não tenha medo de discordar
Uma boa redação não depende de repetir exatamente aquilo que aparece nos textos motivadores. A coletânea fornece elementos para a reflexão, mas você precisa desenvolver um ponto de vista próprio.
Isso não significa defender ideias sem fundamento. Sua posição precisa ser coerente, respeitar o tema e ser sustentada por argumentos.
O importante é perceber que o ENEM não está pedindo que você descubra a opinião secreta do elaborador da prova.
Está avaliando sua capacidade de compreender um problema e construir uma argumentação sobre ele.
Essa liberdade pode parecer assustadora no começo, mas se torna muito mais confortável quando você aprende a planejar.
O que a proposta de hoje ensina além da Redação?
O tema da educação digital também nos ajuda a refletir sobre nossa própria preparação para o ENEM. Provavelmente grande parte dos materiais que você utiliza está em ambientes digitais: aulas em vídeo, simulados, pesquisas, redes sociais, ferramentas de inteligência artificial e, claro, os conteúdos publicados aqui no A Escola Literária.
Ter acesso a muitas informações não significa necessariamente aprender mais.
É preciso selecionar.
Comparar fontes.
Organizar materiais.
Evitar distrações.
Utilizar ferramentas conscientemente.
Questionar respostas prontas.
Saber quando uma tecnologia está ajudando e quando ela apenas está ocupando seu tempo.
De certa forma, sua própria rotina de preparação também exige educação digital.
Nossa segunda semana continua avançando
Na segunda-feira, estudamos Literatura Colonial: Quinhentismo, Barroco e Arcadismo. Na terça-feira, compreendemos variação linguística, norma-padrão e preconceito linguístico. Ontem aprendemos como interpretar uma proposta e delimitar corretamente o tema da Redação do ENEM.
Hoje colocamos justamente essa última habilidade em prática.
Amanhã teremos o Dia 13, dedicado à nossa série ENEM e Vestibulares, e no sábado chegaremos ao Dia 14, com mais um Resumo Completo. No domingo, iniciaremos uma nova semana e organizaremos os conteúdos seguintes.
Observe como os dias continuam avançando.
E você também precisa avançar com eles.
Faltam 66 dias: cada redação conta
Talvez o texto que você escrever hoje ainda tenha problemas. Pode surgir uma tese excessivamente ampla, um repertório pouco desenvolvido ou uma intervenção genérica.
Isso não significa que o treino deu errado.
Na verdade, o treinamento existe justamente para revelar essas dificuldades.
Quando você identifica um problema hoje, ainda dispõe de tempo para corrigi-lo. Se perceber que não consegue construir teses, poderá treinar teses. Se seus desenvolvimentos são superficiais, teremos aulas específicas de argumentação. Se sua conclusão costuma ser vaga, trabalharemos detalhadamente a proposta de intervenção.
Estamos no Dia 12 de 77.
Ainda há estrada.
Por isso, não olhe para a redação de hoje como um julgamento definitivo da sua capacidade. Olhe para ela como um registro de onde você está neste momento.
Daqui a algumas semanas, compare seus textos.
Talvez você se surpreenda.
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No mundo digital, ter acesso à informação é apenas o começo; aprender a compreendê-la, questioná-la e utilizá-la com responsabilidade é o que transforma tecnologia em conhecimento.
