Com o fim do prazo para registro das candidaturas, o Brasil conhece os nomes que pretendem disputar o Palácio do Planalto. Conheça as chapas, as trajetórias e os principais eixos apresentados pelos candidatos.
As Eleições 2026 entraram oficialmente em uma nova fase. Às 19h de sábado, 15 de agosto, terminou o prazo para que partidos, federações e coligações apresentassem à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas. A partir deste domingo, 16 de agosto, a propaganda eleitoral está autorizada, inclusive na internet.
Ao término do prazo, foram contabilizados 13 pedidos de candidatura à Presidência da República e 13 à Vice-Presidência. O primeiro turno acontecerá em 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
Há uma particularidade: registrar uma candidatura não significa que ela já tenha sido definitivamente aceita. Os pedidos são analisados pela Justiça Eleitoral, que verifica documentação, condições de elegibilidade e eventuais impugnações.
Este artigo de A Escola Literária possui caráter exclusivamente informativo. Os candidatos são apresentados em ordem alfabética, sem indicação de voto, apoio ou oposição a qualquer candidatura.
Quem são os candidatos à Presidência em 2026?
Das 13 chapas registradas, 12 são formadas por presidente e vice do mesmo partido. A única exceção é a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tem Geraldo Alckmin, do PSB, como vice.
Augusto Cury — Avante
Vice: Júlio Delgado — Avante
Conhecido principalmente por sua atuação fora da política, Augusto Cury é médico psiquiatra, escritor, pesquisador e autor de livros publicados em dezenas de países. A eleição de 2026 marca sua estreia em uma disputa eleitoral. Júlio Delgado, seu candidato a vice, possui longa trajetória parlamentar e já exerceu vários mandatos como deputado federal por Minas Gerais.
No programa apresentado à Justiça Eleitoral, Cury coloca entre seus objetivos a busca de um déficit público próximo de zero, redução de gastos, mudanças na educação com valorização do pensamento crítico e uma discussão sobre a adoção do semipresidencialismo. Seu programa também apresenta uma proposta internacional para financiamento do combate à fome.
Clariana Barão — Democracia Cristã (DC)
Vice: Fabiana Torquato — DC
A advogada mato-grossense Clariana Barão preside o diretório estadual do Democracia Cristã em Mato Grosso e disputa sua primeira eleição para a Presidência. Sua vice, Fabiana Torquato, também é advogada e possui experiência profissional relacionada à gestão pública e à regularização fundiária.
O programa da chapa, intitulado “Proteger Hoje, Transformar o Amanhã”, atribui destaque à proteção de mulheres e crianças. Na economia, apresenta propostas de simplificação regulatória, apoio aos pequenos negócios, infraestrutura, concessões, parcerias público-privadas e responsabilidade fiscal. Em segurança, prevê uso de tecnologia nas fronteiras e medidas contra narcotráfico, tráfico de armas e organizações criminosas.
Edmilson Costa — PCB
Vice: Cleusa Santos — PCB
Economista, professor universitário e escritor, Edmilson Costa é secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro e possui uma trajetória de militância política iniciada ainda durante a ditadura militar. Foi candidato a vice-presidente da República em 2010.
A candidatura do PCB defende uma transformação da organização econômica e social brasileira orientada para o socialismo e o chamado poder popular. Entre seus eixos aparecem a estatização do sistema financeiro, reestatização de empresas consideradas estratégicas, redução da jornada de trabalho e ampliação dos direitos trabalhistas.
Flávio Bolsonaro — PL
Vice: Alfredo Gaspar — PL
Senador pelo Rio de Janeiro, advogado e empresário, Flávio Bolsonaro iniciou sua trajetória eleitoral em 2003, quando assumiu seu primeiro mandato como deputado estadual. Depois de quatro mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi eleito senador em 2018. Alfredo Gaspar, escolhido para vice, é ex-promotor de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas e deputado federal.
Seu programa propõe redução do número de ministérios, uma nova regra fiscal, retomada de privatizações e concessões e diminuição de gastos públicos. Na segurança pública, apresenta políticas de endurecimento do combate às organizações criminosas e construção de presídios de segurança máxima. Na educação aparecem propostas como escolas cívico-militares, alfabetização pelo método fônico e modelos de voucher educacional; na saúde, telessaúde e ampliação de atendimento domiciliar estão entre os pontos apresentados.
Hertz Dias — PSTU
Vice: Vanessa Portugal — PSTU
Professor de História da rede pública, rapper e militante do movimento negro, Hertz Dias é natural do Maranhão. Já participou de outras eleições, inclusive como candidato a vice-presidente em 2018. Vanessa Portugal, sua vice, é professora da rede pública de Belo Horizonte e possui atuação sindical.
O PSTU apresenta uma plataforma explicitamente socialista e anticapitalista. Entre as propostas estão estatização do sistema financeiro, mudanças na tributação das grandes fortunas, revogação das reformas trabalhista e previdenciária e fim da escala 6×1 sem redução salarial.
Luiz Inácio Lula da Silva — PT
Vice: Geraldo Alckmin — PSB
Atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva disputa mais um mandato tendo novamente Geraldo Alckmin como candidato a vice. Lula iniciou sua trajetória política no movimento sindical do ABC paulista, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e foi eleito presidente em 2002, 2006 e 2022. Alckmin foi governador de São Paulo em quatro oportunidades e atualmente exerce a Vice-Presidência.
O programa apresentado para 2026 mantém uma concepção de Estado como indutor do desenvolvimento econômico, com investimentos públicos, política industrial e programas sociais. Também propõe fortalecimento do SUS, ampliação de oportunidades educacionais e políticas integradas de segurança pública. Na área fiscal, a proposta indica continuidade do atual arcabouço, associada à busca por crescimento econômico e equilíbrio das contas públicas.
Pablo Marçal — PRTB
Vice: Leonardo Avalanche — PRTB
Pablo Marçal foi o último nome a entrar na relação de pedidos de candidatura à Presidência. Empresário e influenciador digital, ganhou projeção política nacional durante a eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024, na qual terminou em terceiro lugar. Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB, ocupa a vaga de vice.
A situação de Marçal possui uma particularidade jurídica relevante. O PRTB protocolou seu pedido de registro às 18h51 de 15 de agosto, poucos minutos antes do fim do prazo. Uma decisão judicial reconheceu provisoriamente sua filiação ao partido com efeitos retroativos, mas o empresário possui decisões do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que o tornam inelegível. Ele recorre dessas decisões, e caberá à Justiça Eleitoral analisar se poderá efetivamente participar da eleição. Portanto, pedido de registro e candidatura definitivamente deferida não devem ser confundidos.
Em suas manifestações públicas sobre a disputa presidencial, Marçal tem apresentado o empreendedorismo como um dos eixos de seu discurso econômico. Como seu pedido de candidatura foi realizado praticamente no encerramento do prazo, seu programa de 2026 deverá ser acompanhado conforme a documentação for consolidada no sistema eleitoral.
Renan Santos — Missão
Vice: Aroldo Medina — Missão
Empresário, músico e ativista político, Renan Santos é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do partido Missão. Aroldo Medina, seu candidato a vice, é jornalista e tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
Seu programa coloca entre as prioridades o equilíbrio das contas públicas, reformas na estrutura do Estado, segurança pública e enfrentamento às organizações criminosas. As propostas incluem mudanças administrativas, revisão de políticas governamentais e medidas mais rígidas no sistema prisional e no combate às facções.
Ronaldo Caiado — PSD
Vice: Gilberto Kassab — PSD
Médico, produtor rural e político com várias décadas de vida pública, Ronaldo Caiado foi deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos. Já disputou a Presidência da República em 1989. Seu candidato a vice é Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, ex-ministro e fundador do PSD.
O programa de Caiado inclui propostas de ajuste fiscal, aumento dos investimentos, mudanças institucionais como o fim da reeleição para cargos do Executivo e maior rigor no enfrentamento ao crime organizado. Segurança pública, atividade empresarial e responsabilidade fiscal aparecem entre os principais eixos de sua campanha.
Na saúde, a campanha preparou um conjunto de propostas com participação do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta.
Romeu Zema — Novo
Vice: Eduardo Girão — Novo
Empresário e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema deixou o governo mineiro em 2026 para disputar a Presidência da República. Seu vice é Eduardo Girão, senador pelo Ceará e empresário.
Seu programa enfatiza redução do tamanho do Estado, controle de gastos, privatizações, concessões e mudanças nas relações trabalhistas. Zema também propõe alterações na política externa brasileira e reformas institucionais.
Sua candidatura representa uma plataforma fortemente baseada no liberalismo econômico, defendendo maior participação da iniciativa privada e redução da presença empresarial do Estado na economia.
Rui Costa Pimenta — PCO
Vice: Antônio Carlos Silva — PCO
Jornalista e presidente nacional do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta possui longa trajetória na esquerda brasileira e já disputou outras eleições presidenciais. Antônio Carlos Silva, seu vice, é professor de Matemática, sindicalista e um dos fundadores do PCO.
Seu programa defende o cancelamento de privatizações e a reestatização de empresas, além da nacionalização do petróleo. Também apresenta propostas de redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, reajuste de salários de acordo com a inflação, revogação das reformas trabalhista e previdenciária, aumento de gastos em saúde e educação e mudanças na política agrária.
Samara Martins — Unidade Popular (UP)
Vice: Raquel Brício — UP
Dentista do Sistema Único de Saúde e dirigente da Unidade Popular, Samara Martins possui trajetória ligada aos movimentos estudantil, negro e de mulheres. Em 2022, concorreu à Vice-Presidência da República. Sua vice em 2026 é a assistente social e ativista Raquel Brício, do Pará.
A UP apresenta uma plataforma socialista que inclui redução da jornada de trabalho, nacionalização do sistema bancário, reestatização de empresas, mudanças na estrutura agrária e suspensão do pagamento da dívida pública. O programa também enfatiza políticas voltadas à população trabalhadora e às camadas socialmente vulneráveis.
Wilson Grassi — Democrata
Vice: Suêd Haidar — Democrata
Médico veterinário, Wilson Grassi Júnior possui sua trajetória profissional ligada principalmente à medicina veterinária e à defesa dos animais. Participou da implantação do primeiro hospital veterinário público de São Paulo e já disputou eleições para deputado federal e vereador. Sua vice é Suêd Haidar, empresária e presidente nacional do Democrata, partido anteriormente chamado Partido da Mulher Brasileira.
A candidatura procura relacionar a proteção e o bem-estar animal a políticas mais amplas de saúde pública, segurança e educação. É uma plataforma que busca levar ao debate presidencial uma pauta que tradicionalmente ocupa espaço menor nas campanhas nacionais.
Treze candidatos e diferentes projetos de país
A diversidade das candidaturas permite perceber que a eleição de 2026 não envolve apenas a escolha entre nomes diferentes. Há também concepções bastante distintas sobre o papel do Estado, economia, segurança, educação, saúde, direitos trabalhistas e relações internacionais.
Em um extremo do debate econômico, há candidaturas que defendem maior presença estatal, nacionalizações e reestatizações. Em outro, candidatos defendem privatizações, redução da máquina pública e maior participação da iniciativa privada. Entre essas posições estão propostas que combinam intervenção estatal, responsabilidade fiscal, políticas sociais e parcerias com empresas privadas.
A segurança pública também aparece com força. Diversos programas apresentam propostas para enfrentar organizações criminosas, mas os métodos sugeridos variam entre prevenção, integração entre forças de segurança, inteligência policial, endurecimento penal e mudanças no sistema penitenciário.
Outro tema recorrente é o trabalho. Enquanto algumas candidaturas defendem redução da jornada, fim da escala 6×1 ou revogação de reformas anteriores, outras propõem maior flexibilização das relações trabalhistas.
É justamente essa comparação entre propostas que permite ao eleitor compreender que uma eleição democrática deve ser muito mais do que uma disputa entre personalidades.
Dois conceitos importantes: candidato registrado e candidato deferido
A eleição de 2026 oferece também uma boa oportunidade para aprendermos como funciona a Justiça Eleitoral.
Depois que um partido apresenta um pedido de registro, o Tribunal Superior Eleitoral verifica se o candidato atende às condições previstas na legislação. Podem existir impugnações, diligências e processos judiciais antes da decisão definitiva.
Por isso, nas semanas seguintes ao encerramento dos registros, a situação de algumas candidaturas ainda poderá mudar. O próprio TSE esclarece que a apresentação do pedido não garante automaticamente seu deferimento.
Essa distinção é especialmente importante no caso de Pablo Marçal, cuja situação jurídica deverá ser julgada pela Justiça Eleitoral.
Eleições 2026 também são tema de Atualidades
Para quem está estudando para ENEM e vestibulares, acompanhar as eleições não significa simplesmente memorizar nomes de candidatos ou resultados de pesquisas.
O mais importante é compreender os grandes debates que aparecem durante o processo eleitoral.
Entre eles:
- democracia e representação política;
- funcionamento dos Três Poderes;
- sistema eleitoral brasileiro;
- políticas econômicas e responsabilidade fiscal;
- segurança pública e crime organizado;
- desigualdade social;
- políticas de saúde e educação;
- privatizações e atuação do Estado na economia;
- direitos trabalhistas;
- relações internacionais e soberania;
- redes sociais, inteligência artificial e desinformação;
- polarização política e participação popular.
Esses assuntos podem aparecer contextualizados em questões de História, Geografia, Sociologia e Filosofia, além de fornecer repertório para a produção de textos argumentativos.
Como acompanhar a eleição sem cair na guerra política das redes sociais?
Em uma campanha eleitoral, informação, propaganda, opinião e desinformação circulam simultaneamente. Por isso, o eleitor — e principalmente o estudante — precisa desenvolver uma postura crítica.
Antes de compartilhar uma informação, verifique a origem. Quando alguém disser que determinado candidato “propôs” alguma coisa, procure saber se a medida realmente aparece em seu programa de governo ou se foi apenas uma declaração isolada.
Também é importante diferenciar:
fato: informação que pode ser verificada;
opinião: interpretação de alguém sobre determinado acontecimento;
proposta: medida que um candidato afirma pretender realizar;
propaganda eleitoral: comunicação destinada a convencer o eleitor;
desinformação: conteúdo falso, adulterado ou apresentado fora de contexto.
O sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, reúne informações oficiais sobre candidaturas, declarações de bens, partidos, chapas e documentos apresentados durante o processo eleitoral.
A campanha está apenas começando
Com o encerramento do prazo de registros e o início oficial da propaganda eleitoral em 16 de agosto, começa agora a fase mais intensa das Eleições 2026.
Até 4 de outubro, os brasileiros terão contato com debates, entrevistas, programas de governo, propaganda eleitoral e propostas bastante diferentes para os próximos quatro anos.
Independentemente da posição política de cada eleitor, uma democracia se fortalece quando o voto é resultado de informação, comparação de propostas e pensamento crítico.
A Escola Literária continuará acompanhando as Eleições 2026 como tema de Atualidades, trazendo conteúdos que ajudem estudantes e leitores a compreender os acontecimentos políticos sem transformar informação educacional em propaganda partidária.
E você?
Qual tema das Eleições 2026 gostaria de ver analisado nos próximos artigos: economia, educação, segurança pública, pesquisas eleitorais, funcionamento das eleições ou propostas dos candidatos?
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