Olá, alunos e amigos do blog A Escola Literária!
Uma redação pode apresentar boas ideias, argumentos pertinentes e repertório adequado, mas ainda assim parecer cansativa quando repete continuamente as mesmas palavras. Isso acontece porque escrever bem não significa apenas escolher o que dizer, mas também organizar o modo como cada informação será retomada ao longo do texto.
Na produção escrita, é comum que um mesmo referente apareça várias vezes. O tema da redação, os agentes sociais, os problemas discutidos e as propostas apresentadas precisam ser mencionados novamente para que o leitor acompanhe o raciocínio. O desafio está em fazer essas retomadas sem transformar o texto em uma sequência mecânica de repetições.
É nesse ponto que entra a coesão referencial, um dos mecanismos responsáveis por conectar as partes do texto e permitir que o leitor reconheça de quem ou de que se está falando em cada passagem.
O que é coesão referencial?
A coesão referencial é o conjunto de recursos usados para introduzir, retomar, substituir ou antecipar palavras e ideias dentro de um texto. Ela ajuda a estabelecer continuidade entre as frases e os parágrafos, evitando que cada oração pareça isolada das anteriores.
Observe:
A evasão escolar prejudica milhares de estudantes. A evasão escolar também amplia as desigualdades sociais. A evasão escolar exige medidas urgentes.
As frases possuem sentido, mas a repetição excessiva torna a leitura pouco fluida. Uma versão mais coesa seria:
A evasão escolar prejudica milhares de estudantes. Esse problema também amplia as desigualdades sociais e, por isso, ele exige medidas urgentes.
As expressões esse problema e ele retomam a ideia de evasão escolar. O leitor compreende que todas as frases tratam do mesmo referente, mas o texto não precisa repetir exatamente a mesma expressão.
Referente: aquilo de que o texto fala
Para compreender a coesão referencial, é importante conhecer o conceito de referente. O referente é a pessoa, o objeto, a instituição, o fenômeno ou a ideia mencionada no texto.
Veja:
A escola exerce papel fundamental na formação dos cidadãos. Essa instituição deve promover conhecimento e participação social.
O referente é a escola. Na segunda frase, a expressão essa instituição substitui o termo anterior e mantém a continuidade do assunto.
Em uma redação, podem existir vários referentes ao mesmo tempo. O estudante deve controlar essas retomadas para que o leitor saiba exatamente a que cada pronome ou expressão se refere.
A repetição nem sempre é um erro
Antes de estudar as formas de substituição, é necessário desfazer um equívoco comum: repetir uma palavra não é automaticamente um erro.
Em alguns momentos, a repetição pode ser necessária para:
- manter a precisão;
- destacar um conceito central;
- evitar ambiguidade;
- reforçar uma ideia importante;
- preservar um termo técnico.
Em um texto sobre violência escolar, por exemplo, não há problema em repetir a expressão violência escolar algumas vezes. O problema surge quando o termo aparece de maneira excessiva, especialmente em frases muito próximas, sem nenhuma variação.
Veja:
A violência escolar afeta a aprendizagem. A violência escolar também prejudica a convivência. A violência escolar precisa ser combatida.
A repetição poderia ser reduzida:
A violência escolar afeta a aprendizagem e prejudica a convivência. Esse fenômeno precisa ser combatido por meio de ações educativas permanentes.
A questão não é eliminar toda repetição, mas usá-la com equilíbrio.
Pronomes como recursos de retomada
Os pronomes são um dos recursos mais utilizados para retomar termos anteriores.
Observe:
Os estudantes precisam participar das decisões escolares. Eles conhecem de perto os problemas da comunidade.
O pronome eles retoma os estudantes.
Outro exemplo:
A escola apresentou um novo projeto. Ele será desenvolvido durante o semestre.
O pronome ele retoma um novo projeto.
Esse recurso parece simples, mas exige cuidado. O pronome precisa ter um referente claro. Quando há mais de um termo possível, a frase pode ficar ambígua.
Veja:
O professor conversou com o diretor quando ele chegou à escola.
Quem chegou à escola: o professor ou o diretor?
A frase pode ser reescrita:
Quando o diretor chegou à escola, o professor conversou com ele.
ou:
O professor conversou com o diretor depois de chegar à escola.
A escolha depende do sentido pretendido. O importante é evitar pronomes cuja referência não possa ser identificada com segurança.
Pronomes demonstrativos e retomada de ideias
Pronomes demonstrativos como esse, essa, isso e essa situação são muito úteis para retomar ideias apresentadas anteriormente.
Observe:
Muitos jovens abandonam os estudos para trabalhar. Essa situação contribui para a manutenção das desigualdades sociais.
A expressão essa situação retoma toda a informação anterior, e não apenas uma palavra específica.
Outro exemplo:
O acesso desigual à tecnologia limita a participação dos estudantes em atividades digitais. Isso compromete o processo de aprendizagem.
O pronome isso resume a ideia expressa na primeira frase.
Na redação formal, porém, é recomendável evitar o uso excessivo de isso. O pronome pode ser substituído por expressões mais precisas:
- esse problema;
- essa desigualdade;
- esse cenário;
- essa prática;
- esse processo;
- essa realidade;
- esse comportamento.
A precisão fortalece o texto e reduz a sensação de vagueza.
Sinônimos e expressões equivalentes
Outra estratégia importante é substituir um termo por uma palavra de sentido semelhante.
Veja:
A desigualdade social limita o acesso a direitos. A disparidade econômica também compromete a mobilidade social.
A segunda expressão não é idêntica à primeira, mas mantém relação semântica com ela.
Outros exemplos:
- educação → ensino, formação, processo educacional;
- governo → poder público, Estado, administração pública;
- jovens → adolescentes, juventude, população jovem;
- problema → questão, dificuldade, desafio, obstáculo;
- sociedade → coletividade, população, corpo social.
Esse recurso deve ser usado com critério. Nem sempre duas palavras consideradas sinônimas podem ser trocadas livremente. Cada termo possui nuances próprias.
Por exemplo, Estado e governo não significam exatamente a mesma coisa. O Estado corresponde ao conjunto permanente de instituições políticas, enquanto o governo é a administração que ocupa temporariamente o poder. Em alguns contextos, a substituição funciona; em outros, provoca imprecisão.
Hiperônimos: palavras de sentido mais amplo
Os hiperônimos são termos mais gerais que podem retomar palavras mais específicas.
Observe:
Livros, jornais e revistas devem fazer parte da rotina de leitura. Esses materiais contribuem para a formação crítica.
A expressão esses materiais engloba livros, jornais e revistas.
Outro exemplo:
O Instagram, o TikTok e o YouTube influenciam o comportamento dos jovens. Essas plataformas digitais ocupam grande espaço na vida cotidiana.
A expressão plataformas digitais retoma os três elementos mencionados anteriormente.
Esse recurso é muito útil em redações porque permite agrupar ideias e evitar listas repetidas.
Hipônimos: palavras de sentido mais específico
Os hipônimos fazem o caminho inverso. Eles são termos mais específicos dentro de uma categoria geral.
Veja:
Diversos meios de transporte contribuem para a mobilidade urbana. Ônibus, metrôs e trens são fundamentais para milhões de trabalhadores.
A expressão geral meios de transporte é detalhada por termos mais específicos.
Na construção de argumentos, esse movimento ajuda a sair de uma ideia ampla para exemplos concretos.
Expressões resumidoras
As expressões resumidoras retomam um conjunto de informações anteriores e o transformam em uma síntese.
Observe:
A precariedade das escolas, a falta de professores e a ausência de materiais dificultam a aprendizagem. Esse conjunto de problemas exige investimentos públicos permanentes.
A expressão esse conjunto de problemas reúne três ideias anteriores.
Outras formas possíveis são:
- esse cenário;
- essa realidade;
- esse processo;
- esse conjunto de fatores;
- essa conjuntura;
- essa série de dificuldades;
- tal situação;
- essa dinâmica social.
Essas construções são especialmente úteis na passagem entre o desenvolvimento do argumento e sua consequência.
Elipse: a retomada sem repetir a palavra
A elipse ocorre quando um termo é omitido porque pode ser recuperado pelo contexto.
Veja:
Alguns estudantes participam das atividades; outros não.
Na segunda oração, o verbo participam foi omitido, mas o leitor compreende:
Alguns estudantes participam das atividades; outros não participam.
Outro exemplo:
O governo deve ampliar os investimentos em educação e garantir melhores condições de trabalho aos professores.
O sujeito o governo aparece uma única vez, mas se relaciona com os dois verbos: deve ampliar e garantir.
A elipse evita repetições e torna o texto mais econômico. Contudo, sua aplicação exige clareza. Se a omissão dificultar a compreensão, é melhor repetir o termo.
Substituição por caracterização
Um referente também pode ser retomado por uma característica relacionada a ele.
Observe:
Paulo Freire defendeu uma educação crítica e transformadora. O educador pernambucano tornou-se referência internacional.
A expressão o educador pernambucano retoma Paulo Freire.
Outro exemplo:
Machado de Assis analisou profundamente a sociedade brasileira. O autor de Dom Casmurro utilizou a ironia como recurso recorrente.
Esse tipo de retomada enriquece a escrita porque oferece uma informação complementar. Em redações de vestibular, porém, é preciso ter certeza de que a caracterização está correta.
Repetição lexical controlada
Em determinados casos, repetir a palavra principal é mais adequado do que usar uma substituição artificial.
Observe:
A democracia depende da participação popular. Sem democracia, os direitos políticos tornam-se frágeis.
A repetição de democracia reforça o conceito central e não prejudica o texto.
Compare com uma substituição pouco natural:
A democracia depende da participação popular. Sem esse sistema coletivo de organização decisória, os direitos políticos tornam-se frágeis.
A segunda construção parece exagerada e menos precisa.
A busca por variedade vocabular não deve transformar a redação em um texto artificial. A coesão referencial precisa servir à clareza, não à exibição de palavras incomuns.
Como evitar referentes ambíguos
Um dos problemas mais sérios da coesão referencial ocorre quando o leitor não consegue identificar a que termo uma expressão se refere.
Veja:
A escola informou aos responsáveis que os alunos precisavam participar da reunião, mas eles não compareceram.
Quem não compareceu: os responsáveis ou os alunos?
A frase pode ser reescrita:
A escola informou aos responsáveis que os alunos precisavam participar da reunião, mas os estudantes não compareceram.
ou:
A escola informou aos responsáveis que os alunos precisavam participar da reunião, mas as famílias não compareceram.
Nessa situação, a repetição ou a substituição precisa é melhor do que um pronome ambíguo.
Coesão referencial entre os parágrafos
A retomada não acontece apenas dentro de uma frase. Ela também conecta parágrafos inteiros.
Imagine que um parágrafo termine assim:
A ausência de bibliotecas escolares limita o contato dos estudantes com diferentes gêneros de leitura.
O parágrafo seguinte pode começar:
Essa limitação não compromete apenas o desempenho acadêmico, mas também reduz as oportunidades de formação cultural.
A expressão essa limitação retoma a ideia anterior e cria continuidade entre os parágrafos.
Outra possibilidade:
Diante desse cenário, torna-se necessário ampliar os investimentos em espaços de leitura.
Essas expressões funcionam como pontes, mostrando ao leitor que o novo parágrafo decorre do anterior.
Retomada e progressão temática
Um texto coeso não apenas repete ou substitui termos. Ele também faz as ideias avançarem. Esse movimento é chamado de progressão temática.
Veja:
A desinformação prejudica o debate público. Esse fenômeno se fortalece nas redes sociais, onde conteúdos falsos circulam rapidamente. A velocidade dessa circulação, por sua vez, dificulta a verificação das informações.
Cada frase retoma algo anterior, mas acrescenta um novo elemento:
- desinformação;
- circulação nas redes;
- velocidade da circulação;
- dificuldade de verificação.
Esse encadeamento evita que o texto fique parado em uma única afirmação.
Coesão referencial e repertório sociocultural
Ao inserir repertório em uma redação, o estudante também precisa construir retomadas claras.
Observe:
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações contemporâneas tornaram-se mais frágeis e instáveis. Essa interpretação ajuda a compreender a superficialidade de muitos vínculos estabelecidos nas redes sociais.
A expressão essa interpretação retoma a ideia do autor e a conecta ao argumento.
Outro exemplo:
Na obra Vidas Secas, Graciliano Ramos representa uma família submetida à fome e ao abandono. Essa narrativa evidencia como a exclusão social reduz as possibilidades de escolha dos indivíduos.
Em vez de apenas citar o repertório, o estudante o integra ao texto por meio de uma retomada que explica sua relevância.
Coesão referencial na introdução
Na introdução, o tema pode ser retomado por expressões equivalentes para evitar repetição e delimitar o problema.
Observe:
O abandono escolar permanece como um dos principais desafios da educação brasileira. Esse fenômeno resulta de fatores econômicos, familiares e institucionais. Diante dessa realidade, torna-se necessário analisar suas causas e consequências.
O termo principal aparece uma vez e depois é retomado por esse fenômeno e dessa realidade.
A introdução fica mais fluida e prepara o desenvolvimento.
Coesão referencial no desenvolvimento
Nos parágrafos argumentativos, as retomadas ajudam a estabelecer relações entre causa, consequência, exemplo e conclusão parcial.
Veja:
A necessidade de trabalhar leva muitos jovens a abandonar os estudos. Essa pressão econômica afasta o estudante da escola e reduz suas perspectivas profissionais. Tal afastamento, por sua vez, contribui para a reprodução da desigualdade social.
O referente muda de forma ao longo do parágrafo:
- necessidade de trabalhar;
- essa pressão econômica;
- tal afastamento.
Cada expressão recupera a anterior e acrescenta uma nova dimensão ao argumento.
Coesão referencial na conclusão
Na conclusão, é importante retomar o problema discutido sem copiar exatamente a frase da introdução.
Observe:
Portanto, para enfrentar esse quadro de evasão escolar, o Ministério da Educação deve ampliar programas de permanência estudantil.
A expressão esse quadro de evasão escolar recupera o tema e prepara a proposta de intervenção.
Outro exemplo:
Dessa forma, combater a exclusão educacional apresentada exige ações articuladas entre governo, escola e sociedade.
A retomada mostra ao leitor que a proposta responde ao problema desenvolvido no texto.
Palavras que empobrecem a retomada quando usadas em excesso
Algumas palavras aparecem tanto nas redações que acabam produzindo pouca precisão:
- coisa;
- isso;
- negócio;
- questão;
- problema;
- situação;
- fato.
Esses termos não são proibidos, mas precisam ser acompanhados de informação suficiente.
Compare:
Isso prejudica a sociedade.
A frase é vaga.
Essa desigualdade no acesso à educação prejudica a sociedade.
A segunda versão especifica o referente.
Também é possível variar:
- esse obstáculo;
- essa prática;
- essa omissão;
- esse comportamento;
- esse processo;
- essa forma de exclusão.
A escolha deve depender do sentido construído anteriormente.
Evite substituições exageradas
Alguns estudantes acreditam que toda repetição deve ser eliminada e acabam criando expressões pouco naturais.
Veja:
A escola precisa combater o preconceito. A instituição formadora de mentes juvenis deve atuar…
A expressão pode soar artificial. Uma alternativa mais direta seria:
A escola precisa combater o preconceito. A instituição deve promover ações permanentes de conscientização.
Ou ainda:
A escola precisa combater o preconceito e promover ações permanentes de conscientização.
Nem toda frase exige uma substituição elaborada. Muitas vezes, reorganizar o período é a melhor solução.
O perigo dos sinônimos imprecisos
A busca por variedade vocabular pode alterar o sentido original.
Observe:
A pobreza compromete o acesso à educação.
Substituir pobreza por miséria nem sempre é adequado, porque os termos possuem graus diferentes de intensidade.
Da mesma forma:
- preconceito não é exatamente discriminação;
- Estado não é exatamente governo;
- aluno não é exatamente criança;
- informação não é exatamente conhecimento;
- tecnologia não é exatamente internet.
Antes de substituir uma palavra, verifique se o novo termo realmente preserva o sentido.
Um exemplo de parágrafo pouco coeso
Veja o parágrafo:
A desigualdade educacional é um problema brasileiro. A desigualdade educacional prejudica os estudantes pobres. A desigualdade educacional também reduz as oportunidades profissionais. A desigualdade educacional deve ser combatida pelo governo.
A ideia é compreensível, mas a repetição é excessiva e não há progressão.
Uma versão melhor seria:
A desigualdade educacional permanece como um grave problema brasileiro. Esse cenário prejudica principalmente os estudantes de baixa renda, pois limita o acesso a recursos pedagógicos e reduz suas oportunidades profissionais. Para enfrentar tal disparidade, o poder público deve ampliar os investimentos nas escolas mais vulneráveis.
Agora o parágrafo apresenta retomadas variadas e desenvolve a ideia.
Outro exemplo: cuidado com o excesso de pronomes
Veja:
A escola apresentou um projeto aos professores. Eles disseram que ele seria aplicado quando eles recebessem os materiais.
A frase contém vários pronomes com referências pouco claras.
Uma versão mais precisa seria:
A escola apresentou um projeto aos professores, que informaram que a proposta seria aplicada após o recebimento dos materiais.
A substituição de um pronome por um substantivo torna a frase mais clara.
Método prático para revisar a coesão referencial
Ao terminar sua redação, faça uma leitura específica para verificar as retomadas.
1. Circule as palavras repetidas
Procure termos que aparecem várias vezes no mesmo parágrafo.
2. Identifique quais repetições são necessárias
Conceitos centrais podem ser mantidos quando a substituição causar imprecisão.
3. Substitua apenas o que estiver excessivo
Use pronomes, expressões equivalentes, hiperônimos ou caracterizações.
4. Verifique cada pronome
Pergunte: o leitor saberá imediatamente a quem ou a que esse pronome se refere?
5. Observe o início dos parágrafos
Confira se existe ligação com a ideia anterior.
6. Analise a progressão
Veja se cada retomada acrescenta algo novo ou apenas repete a mesma afirmação.
7. Releia em voz alta
A leitura oral ajuda a perceber repetições cansativas e referências confusas.
Banco de expressões para retomada
Algumas expressões podem ajudar, desde que sejam usadas de acordo com o contexto:
Para retomar um problema
- esse problema;
- essa dificuldade;
- esse obstáculo;
- esse desafio;
- essa questão;
- esse quadro.
Para retomar um fenômeno social
- esse fenômeno;
- esse processo;
- essa dinâmica;
- essa realidade;
- esse cenário.
Para retomar uma atitude
- essa conduta;
- essa prática;
- esse comportamento;
- essa postura;
- essa iniciativa.
Para retomar várias causas
- esses fatores;
- esse conjunto de causas;
- tais elementos;
- essas circunstâncias.
Para retomar consequências
- esses efeitos;
- tais consequências;
- esses impactos;
- esses resultados.
O banco de expressões não deve ser usado de maneira automática. Cada escolha precisa corresponder ao conteúdo retomado.
Exercícios de revisão
Reescreva as frases, reduzindo as repetições e mantendo a clareza.
1.
A leitura amplia o vocabulário. A leitura também melhora a interpretação. A leitura deve fazer parte da rotina escolar.
Uma possibilidade:
A leitura amplia o vocabulário e melhora a interpretação. Por isso, essa prática deve fazer parte da rotina escolar.
2.
O governo criou um programa educacional. O programa educacional atenderá escolas públicas. O programa educacional começará no próximo ano.
Uma possibilidade:
O governo criou um programa educacional destinado às escolas públicas. A iniciativa começará no próximo ano.
3.
A violência nas redes sociais afeta os jovens. Isso prejudica isso e torna isso muito grave.
Uma possibilidade:
A violência nas redes sociais afeta os jovens, prejudica sua saúde emocional e torna esse problema ainda mais grave.
4.
Os professores conversaram com os alunos sobre os pais, mas eles não compreenderam a proposta.
A frase é ambígua. Uma possibilidade:
Os professores conversaram com os alunos sobre a participação das famílias, mas os estudantes não compreenderam a proposta.
Outra interpretação exigiria outra reescrita.
Como esse conteúdo aparece nos vestibulares
A coesão referencial pode ser cobrada em questões que pedem ao estudante para:
- identificar o referente de um pronome;
- substituir uma expressão sem alterar o sentido;
- reconhecer ambiguidades;
- explicar a função de uma retomada;
- avaliar a progressão entre frases;
- corrigir repetições inadequadas;
- relacionar coesão e coerência;
- analisar efeitos de sentido produzidos por pronomes e substituições.
Nas provas de produção textual, a coesão aparece na avaliação da articulação entre as partes do texto. Um texto com referências claras demonstra domínio da escrita e facilita a compreensão dos argumentos.
Retomar não é apenas substituir
A coesão referencial não se resume a trocar palavras repetidas por sinônimos. Ela envolve controlar o caminho percorrido pelas ideias.
Uma boa retomada precisa:
- apontar claramente para o referente;
- preservar o sentido;
- evitar ambiguidades;
- conectar frases e parágrafos;
- contribuir para o avanço do argumento.
Quando o estudante entende esse princípio, deixa de procurar palavras diferentes apenas para “não repetir” e passa a construir relações mais claras entre as informações.
A clareza deve orientar todas as escolhas
Uma redação coesa não é aquela que elimina completamente a repetição. É aquela em que cada palavra permite ao leitor acompanhar o raciocínio sem esforço desnecessário.
Pronomes, sinônimos, expressões equivalentes, hiperônimos, elipses e caracterizações são ferramentas importantes, mas precisam ser escolhidas com precisão. Em algumas situações, substituir melhora o texto; em outras, repetir é a decisão mais segura.
O objetivo central da coesão referencial é garantir que o leitor saiba sempre de quem ou de que se está falando. Quando as retomadas são bem construídas, as ideias se conectam, os argumentos avançam e a redação ganha fluidez.
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