Ontem, quando a bola rolou para Brasil x Marrocos, eu queria muito ver a Seleção vencer.
Como todo brasileiro apaixonado por futebol, sonhei com os três pontos, com os gols e com aquela alegria que só o futebol consegue proporcionar. Mas, no fim das contas, o placar mostrou um empate em 1 a 1. Não foi o resultado que eu esperava. Não foi o resultado que eu queria.
Mas sabe de uma coisa? Nem sempre a melhor parte de uma partida está no placar.
Ontem, o verdadeiro espetáculo aconteceu dentro da minha casa.
Estavam ali minha mãe, minha irmã, meu cunhado, minha sobrinha e meus filhos, Deborah e Jesseh. Entre comentários sobre o jogo, risadas, expectativas e aquela ansiedade típica de cada lance perigoso, fomos construindo algo muito mais valioso do que uma vitória: momentos.
Enquanto o Brasil buscava o gol em campo, nós celebrávamos algo que anda cada vez mais raro nos dias de hoje: a família reunida.
Olhando ao meu redor, percebi que o futebol era apenas a desculpa perfeita para estarmos juntos. Cada grito, cada reclamação com a arbitragem, cada análise improvisada de técnico de sofá se transformava em memória. E memórias assim não terminam quando o juiz apita o fim da partida.
O empate ficou registrado nas estatísticas. Mas o que vai permanecer comigo é a imagem da sala cheia, dos sorrisos compartilhados e da sensação de pertencimento que só a família pode proporcionar.E o melhor é que a história continua hoje.
Nossa família carrega com orgulho suas raízes japonesas. Por isso, quando o Japão entrar em campo contra a Holanda, nossos corações estarão divididos. De um lado, o Brasil onde nascemos e construímos nossa história. Do outro, o Japão, terra dos nossos antepassados, que vive em nossas tradições, em nossa cultura e em nossa identidade.
Talvez alguns torçam mais para um lado. Talvez outros se emocionem mais pelo outro. Mas, no fundo, todos estaremos torcendo pela mesma coisa: por mais uma oportunidade de estarmos juntos.Hoje, quando a bola voltar a rolar, vamos nos reunir novamente. E, independentemente do resultado, já teremos conquistado algo importante antes mesmo do apito inicial.
Porque existem jogos que terminam empatados.
Mas existem encontros de família que terminam com o coração cheio.E esses, sem dúvida, são as maiores vitórias.
