Revisão MONSTRO — ENEM em 77 Dias — Dia 10
01 de setembro de 2026 — Terça-feira — Gramática
Olá amigos e alunos do blog A Escola Literária! Chegamos ao Dia 10 da nossa Revisão ENEM em 77 Dias e iniciamos setembro com um conteúdo de Língua Portuguesa que ultrapassa bastante a simples memorização de regras gramaticais. Hoje vamos compreender por que uma língua pode apresentar diferentes formas de uso, qual é o papel da norma-padrão e por que certas maneiras de falar acabam sendo injustamente associadas à falta de inteligência ou de conhecimento.
Nossa aula será sobre variação linguística, norma-padrão e preconceito linguístico, um conjunto de conceitos muito importante para compreender a maneira como o ENEM trabalha a linguagem. Em vez de tratar a língua como um sistema rígido no qual existe apenas uma forma possível de expressão, precisamos perceber que todo idioma é utilizado por milhões de pessoas em situações, regiões e grupos sociais diferentes. Naturalmente, isso produz variedades.
Ao mesmo tempo, reconhecer a diversidade linguística não significa afirmar que qualquer forma de linguagem serve igualmente para qualquer situação. Saber adequar nossa fala e nossa escrita aos diferentes contextos também faz parte do domínio da língua. É justamente nessa relação entre diversidade e adequação que está o centro da nossa aula.
⏳ Faltam 68 dias para o ENEM!
Hoje, 1º de setembro de 2026, faltam 68 dias para o primeiro dia do ENEM. Nossa contagem regressiva continua avançando, e já chegamos ao décimo conteúdo da série.
Se você está acompanhando desde a Aula Inaugural, perceba o quanto já caminhamos. Começamos entendendo como organizar a revisão, passamos por Literatura, Gramática, estrutura da Redação, proposta de produção textual e, ontem, iniciamos nossa viagem pela Literatura Colonial. Hoje damos mais um passo.
Não precisamos transformar esses 68 dias em motivo de ansiedade. Precisamos transformá-los em oportunidade de estudo. Há muita coisa pela frente, mas também existe tempo suficiente para melhorar quando o trabalho é feito com constância.
A língua não é utilizada da mesma maneira por todos
Imagine duas pessoas brasileiras conversando. Uma nasceu no interior de Minas Gerais e outra em Recife. Mesmo falando português, provavelmente apresentarão diferenças de pronúncia, vocabulário e expressões.
Agora imagine um adolescente conversando com os amigos e, horas depois, participando de uma entrevista de emprego. Mesmo sendo a mesma pessoa, é provável que a linguagem utilizada nas duas situações seja diferente.
Pense ainda em uma conversa pelo WhatsApp e em uma redação do ENEM. Você escreveria exatamente da mesma maneira?
Provavelmente não.
Essas diferenças existem porque a língua varia.
Chamamos de variação linguística o conjunto de mudanças e diferenças que aparecem no uso de uma língua de acordo com fatores como região, grupo social, época histórica e situação comunicativa.
Isso significa que não existe apenas um único português utilizado de maneira absolutamente idêntica por todos os seus falantes.
Uma língua viva está sempre mudando
Toda língua viva sofre transformações ao longo do tempo. Algumas palavras desaparecem, outras surgem, determinadas construções deixam de ser utilizadas e novas formas de expressão entram no cotidiano.
Se pudéssemos conversar com uma pessoa que falava português há quatrocentos anos, provavelmente perceberíamos várias diferenças. Algumas palavras seriam desconhecidas para nós, outras teriam sentidos diferentes e determinadas estruturas pareceriam estranhas.
Essa mudança não representa uma “degradação” da língua. É um fenômeno natural.
A própria Língua Portuguesa que utilizamos hoje é resultado de séculos de transformações. Se os idiomas nunca mudassem, ainda falaríamos exatamente como os povos que viveram muitos séculos antes de nós.
Por isso, quando estudamos variação linguística, precisamos abandonar a ideia de que qualquer mudança significa automaticamente que a língua está sendo destruída.
Variação histórica
A variação histórica acontece justamente quando observamos diferenças no uso da língua ao longo do tempo.
Palavras, construções e maneiras de escrever que eram comuns em determinada época podem desaparecer ou adquirir outro significado.
Isso é especialmente interessante quando estudamos Literatura.
Ao ler textos antigos, encontramos vocabulário e estruturas que hoje podem parecer estranhas. Uma palavra usada por José de Alencar no século XIX pode não ser frequente no português contemporâneo, assim como certas formas presentes nos documentos do período colonial podem exigir uma leitura mais cuidadosa.
Portanto, quando encontramos uma expressão antiga em uma obra literária, não devemos simplesmente classificá-la como “errada”. Precisamos compreender a língua dentro do período histórico em que aquele texto foi produzido.
Variação regional
A variação regional, também chamada de variação geográfica, está relacionada às diferenças linguísticas existentes entre regiões.
No Brasil, um mesmo objeto pode receber nomes diferentes dependendo do lugar. A mandioca, por exemplo, pode ser chamada de aipim ou macaxeira em diferentes regiões. Outras palavras, expressões e formas de pronúncia também mudam.
Os sotaques são um exemplo evidente dessa diversidade. Um falante do Nordeste, do Sul, do interior de São Paulo ou do Rio de Janeiro pode pronunciar determinadas palavras de maneira diferente.
Nenhuma dessas pessoas fala “sem sotaque”.
Todos nós temos marcas linguísticas relacionadas ao lugar onde vivemos ou ao grupo com o qual convivemos.
O problema começa quando determinado sotaque passa a ser tratado como superior e outro como sinal de ignorância.
Nesse momento, saímos do campo da simples diferença linguística e entramos no campo do preconceito.
Variação social
A língua também pode variar de acordo com características dos grupos sociais aos quais os falantes pertencem. Idade, profissão, escolarização e diferentes comunidades podem influenciar o vocabulário e as formas de expressão utilizadas.
Pense no vocabulário de um médico conversando com outro profissional da área. Termos que são perfeitamente compreensíveis entre os dois podem ser desconhecidos para a maior parte da população.
Da mesma maneira, adolescentes podem utilizar expressões que não fazem parte do repertório de pessoas mais velhas. Certos grupos profissionais criam jargões específicos, enquanto comunidades desenvolvem maneiras particulares de utilizar a língua.
Essas variedades cumprem funções importantes dentro dos grupos em que circulam.
Por isso, analisar uma forma linguística exige compreender também quem fala e dentro de qual comunidade aquela fala ocorre.
Variação situacional
Talvez esta seja uma das formas de variação mais fáceis de perceber no cotidiano.
Nós adaptamos nossa linguagem à situação.
Você provavelmente não fala com um amigo íntimo exatamente da mesma maneira que falaria em uma apresentação formal. Também pode escrever rapidamente “vc vai hj?” em uma mensagem e, algumas horas depois, escrever “Você comparecerá à reunião hoje?” em um contexto profissional.
Isso não significa necessariamente que uma pessoa “sabe português” em um momento e “não sabe” no outro.
Significa que ela está adequando sua linguagem ao contexto.
A essa mudança relacionada à situação comunicativa podemos associar diferentes registros, que vão de usos bastante informais a formas mais monitoradas e formais.
O domínio da língua envolve também saber perceber quando cada registro é adequado.
Formal e informal não significam certo e errado
Essa distinção é fundamental.
Uma conversa informal não é necessariamente uma versão “errada” de uma conversa formal. Ela apenas segue convenções diferentes.
Se dois amigos conversam e um diz:
“Cê vai lá hoje?”
a frase pode funcionar perfeitamente naquela situação comunicativa.
Entretanto, imagine que um estudante esteja escrevendo um requerimento oficial e utilize exatamente o mesmo registro. Nesse caso, o problema não está necessariamente na existência daquela variedade linguística, mas na inadequação ao contexto.
Na Redação do ENEM, por exemplo, o candidato deve utilizar a modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.
Isso significa que formas próprias de conversas informais, abreviações de mensagens e determinadas construções de oralidade não são adequadas ao contexto da prova.
A palavra-chave aqui é:
adequação.
Então o que é norma-padrão?
A norma-padrão é um modelo de referência estabelecido para orientar determinados usos formais da língua. Ela aparece especialmente em contextos de maior monitoramento, como documentos oficiais, textos acadêmicos, situações profissionais, parte da produção jornalística e provas como a Redação do ENEM.
Seu aprendizado é importante porque permite ao falante circular por diferentes contextos sociais e produzir textos que seguem convenções compartilhadas.
Por isso, estudar concordância, regência, colocação pronominal, ortografia, pontuação e outros conteúdos gramaticais continua sendo necessário.
O problema não está em ensinar a norma-padrão.
O problema aparece quando transformamos esse conhecimento em argumento para considerar pessoas que utilizam outras variedades linguísticas menos inteligentes, menos capazes ou inferiores.
Norma-padrão e variedades linguísticas podem coexistir
Algumas pessoas imaginam que reconhecer a variação linguística significa abandonar o ensino da Gramática normativa.
Não significa.
Podemos reconhecer que todas as comunidades possuem maneiras legítimas de utilizar a língua e, ao mesmo tempo, ensinar aos estudantes as convenções da escrita formal.
Na verdade, quanto maior o repertório linguístico de uma pessoa, mais possibilidades ela possui.
Um estudante pode conversar informalmente com os amigos, compreender diferentes variedades regionais, utilizar determinadas expressões em seu cotidiano e, quando necessário, escrever um texto formal seguindo as convenções da norma-padrão.
Isso é competência linguística.
Não precisamos substituir uma variedade por outra. Precisamos aprender quando utilizar cada uma delas.
O que é preconceito linguístico?
Chamamos de preconceito linguístico a discriminação dirigida a uma pessoa ou grupo por causa da maneira como utiliza a língua.
Esse preconceito pode aparecer quando alguém ridiculariza determinado sotaque, associa uma variedade regional à falta de inteligência ou considera automaticamente um falante inferior porque sua fala não segue determinados padrões da língua escrita formal.
É importante perceber que muitas vezes o preconceito linguístico está ligado a outros preconceitos sociais.
Quando a fala de um determinado grupo é desprestigiada, frequentemente não estamos julgando apenas uma construção gramatical. Estamos julgando também a região, a classe social ou a comunidade à qual aquele falante pertence.
Por isso, a discussão é muito mais profunda do que decidir se uma frase está ou não de acordo com a norma-padrão.
Um exemplo clássico
Observe:
“Nós vamos ao mercado.”
Agora:
“Nós vai no mercado.”
De acordo com a norma-padrão, a primeira construção apresenta a concordância esperada entre sujeito e verbo.
Isso significa que devemos ensinar essa estrutura e que, em uma redação formal, ela será a forma adequada.
Entretanto, a existência da segunda construção dentro de determinadas variedades populares da língua não significa que seus falantes sejam incapazes de raciocinar ou compreender o mundo.
A Linguística procura observar esses usos como fenômenos que possuem padrões dentro das comunidades em que ocorrem.
Portanto, podemos afirmar ao mesmo tempo:
A primeira construção está adequada à norma-padrão.
E:
Um falante que utiliza a segunda forma não deve ser discriminado por isso.
Essas duas afirmações não são contraditórias.
Por que o ENEM gosta desse assunto?
A prova de Linguagens costuma valorizar a compreensão da língua em situações reais de comunicação.
Por isso, uma questão pode apresentar uma tirinha, um diálogo, uma propaganda, uma canção, uma postagem em rede social ou um trecho literário e perguntar sobre a variedade linguística utilizada.
Nesse tipo de questão, talvez o estudante que pensa apenas em “certo ou errado” encontre dificuldades.
A pergunta pode exigir que você compreenda por que determinada variedade foi utilizada naquele contexto.
Uma linguagem regional pode ajudar a caracterizar uma personagem.
Uma expressão informal pode aproximar uma campanha publicitária de determinado público.
Uma gíria pode marcar identidade de grupo.
Uma construção oral pode produzir humor.
Uma diferença de pronúncia pode indicar origem regional.
Ou seja, aquilo que parece apenas uma “forma diferente de falar” pode desempenhar uma função dentro do texto.
Pergunte sempre: quem fala?
Diante de uma questão sobre variação linguística, faça uma primeira pergunta:
Quem está falando?
A resposta já pode fornecer informações importantes.
É uma criança? Um personagem de determinada região? Um profissional? Um jovem? Uma autoridade? Um narrador literário?
Depois pergunte:
Para quem essa pessoa está falando?
A linguagem utilizada em uma conversa com familiares pode ser diferente daquela dirigida a um público desconhecido.
Em seguida:
Em que situação ocorre essa comunicação?
Uma conversa cotidiana possui exigências diferentes de uma cerimônia oficial.
Finalmente:
Qual efeito essa escolha linguística produz?
Quando você responde a essas quatro perguntas, a questão começa a se tornar muito mais clara.
Variação linguística na Literatura
O conteúdo de hoje também dialoga diretamente com nossas aulas de Literatura.
Escritores podem utilizar diferentes variedades linguísticas para construir personagens, representar regiões, produzir humor ou aproximar o texto da oralidade.
No Modernismo brasileiro, por exemplo, a incorporação de formas mais próximas da fala cotidiana tornou-se uma estratégia importante de ruptura com determinados modelos formais anteriores.
Na literatura regionalista, diferentes formas de expressão também podem contribuir para a caracterização do ambiente e das personagens.
Por isso, quando você encontra uma construção que se afasta da norma-padrão em um texto literário, não conclua imediatamente que existe um erro.
Pergunte primeiro:
Essa escolha é intencional?
O que ela revela sobre a personagem?
Que efeito produz?
Em Literatura, uma construção não convencional pode ser justamente um recurso expressivo.
Variação linguística na publicidade
A publicidade também utiliza a língua de maneira estratégica.
Uma empresa que deseja atingir um público jovem pode utilizar expressões informais e referências ligadas ao universo desse grupo. Uma campanha destinada a determinada região pode empregar elementos linguísticos reconhecíveis por aquela comunidade.
Isso acontece porque a linguagem também cria proximidade e identidade.
O anunciante não escolhe palavras apenas porque elas transmitem informações. Escolhe também porque deseja produzir determinado efeito no público.
Quando uma questão do ENEM apresenta uma propaganda, portanto, observe a relação entre linguagem e destinatário.
Talvez determinada gíria esteja ali justamente porque a campanha deseja parecer próxima de quem lê.
Um pequeno treinamento
Imagine a seguinte situação:
Uma campanha de incentivo à vacinação dirigida a adolescentes apresenta a frase:
“Bora atualizar a carteirinha?”
Se analisarmos apenas pela perspectiva de uma linguagem extremamente formal, alguém poderia sugerir:
“Compareça à unidade de saúde para realizar a atualização de sua carteira de vacinação.”
Essa segunda frase é mais formal.
Mas isso significa que ela é automaticamente melhor?
Não.
Precisamos considerar a situação.
Se a campanha deseja dialogar com adolescentes nas redes sociais, a expressão “Bora atualizar a carteirinha?” cria proximidade, utiliza um registro informal e pode tornar a mensagem mais compatível com o público pretendido.
Uma possível questão poderia perguntar:
O emprego da expressão “bora” nessa campanha tem como principal função
A) demonstrar desconhecimento das regras da Língua Portuguesa.
B) substituir obrigatoriamente a norma-padrão em textos oficiais.
C) aproximar a linguagem da campanha do público jovem ao qual ela se dirige.
D) comprovar que diferenças linguísticas impedem a comunicação entre gerações.
E) reproduzir exclusivamente uma variedade histórica do português.
A resposta correta seria:
C) aproximar a linguagem da campanha do público jovem ao qual ela se dirige.
Perceba a lógica.
Não estamos perguntando se a palavra pertence ou não à norma-padrão.
Estamos perguntando por que ela foi utilizada naquele texto.
Essa é uma mudança fundamental na maneira de interpretar a linguagem.
Adequação linguística: uma palavra para guardar
Se você precisar guardar apenas uma ideia desta aula para muitas questões do ENEM, guarde:
adequação.
A língua é utilizada dentro de situações comunicativas.
Uma forma extremamente informal pode ser adequada em uma conversa entre amigos e inadequada em um documento oficial. Uma construção muito formal pode ser perfeitamente adequada em uma cerimônia, mas soar artificial em uma conversa cotidiana.
O bom usuário da língua não é necessariamente aquele que utiliza norma-padrão o tempo inteiro.
É aquele que possui repertório suficiente para adequar sua linguagem às diferentes situações.
Essa ideia também nos ajuda a compreender por que aprender norma-padrão continua sendo importante: ela amplia nossas possibilidades de participação em situações formais de comunicação.
E na Redação do ENEM?
Na redação, a situação comunicativa já está determinada pela própria prova.
Você deverá produzir um texto dissertativo-argumentativo utilizando a modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.
Por isso, precisa controlar determinadas estruturas que talvez não sejam utilizadas da mesma maneira em uma conversa cotidiana.
Observe a diferença:
Em uma conversa:
“Tem muita gente que não sabe disso.”
Em uma redação formal, dependendo do contexto, você poderia construir:
“Muitos cidadãos desconhecem essa realidade.”
Não se trata apenas de substituir palavras por termos mais difíceis. Trata-se de compreender que diferentes situações exigem diferentes escolhas.
Sua redação não precisa parecer um texto escrito no século XIX, mas precisa demonstrar domínio de um registro formal adequado à prova.
Não confunda linguagem formal com linguagem difícil
Esse é outro erro importante.
Alguns estudantes acreditam que escrever formalmente significa usar as palavras mais complicadas possíveis.
Não significa.
Uma boa escrita formal deve ser principalmente clara, precisa e organizada.
Se você conhece uma palavra simples que expressa perfeitamente sua ideia, não precisa substituí-la por outra extremamente rara apenas para parecer sofisticado.
A tentativa excessiva de impressionar pode gerar construções artificiais e até erros.
O ENEM não avalia quantas palavras difíceis você conhece.
Avalia sua capacidade de utilizar a Língua Portuguesa para construir um texto claro e argumentativo.
Preconceito linguístico não é correção gramatical
Precisamos fazer ainda uma distinção importante.
Corrigir uma redação porque ela deveria seguir a modalidade escrita formal não é automaticamente preconceito linguístico.
O contexto da prova exige esse registro.
Da mesma maneira, ensinar um aluno a escrever uma construção segundo a norma-padrão faz parte do ensino da língua.
O preconceito aparece quando a variedade utilizada por uma pessoa é usada como justificativa para diminuí-la, ridicularizá-la ou negar sua capacidade intelectual.
Podemos ensinar adequação sem humilhar o falante.
Podemos ensinar norma-padrão sem afirmar que todas as outras variedades são inferiores.
Esse equilíbrio é fundamental.
A língua também revela identidade
Nossa maneira de falar pode carregar marcas de nossa história.
O sotaque pode revelar uma região. Determinadas palavras podem indicar pertencimento a uma comunidade. Expressões podem aproximar pessoas de um mesmo grupo.
Por isso, tentar apagar completamente as variedades linguísticas seria também apagar parte da diversidade cultural de uma sociedade.
O Brasil possui uma enorme diversidade regional e social, e essa diversidade também aparece na língua.
Reconhecer isso não diminui o valor da norma-padrão.
Apenas nos ajuda a compreender que a Língua Portuguesa é muito maior do que qualquer manual de Gramática.
Como estudar este conteúdo até o ENEM
Depois desta aula, procure questões anteriores que apresentem diálogos, tirinhas, propagandas, músicas e textos com marcas de oralidade.
Em vez de procurar imediatamente um “erro”, analise a situação comunicativa.
Pergunte quem fala, para quem, em qual contexto e com qual finalidade.
Também vale observar situações reais durante o seu dia. Compare a maneira como você conversa com amigos, escreve uma mensagem, fala com um professor ou redige um texto formal.
Você perceberá que provavelmente já domina diferentes registros sem sequer pensar conscientemente nisso.
A aula de hoje serve justamente para dar nomes e organização teórica a fenômenos que fazem parte da nossa vida diariamente.
Três conceitos que você precisa diferenciar
Antes de terminar, organize estas três ideias.
Variação linguística é a existência de diferentes formas de utilização da língua relacionadas a fatores históricos, regionais, sociais e situacionais.
Norma-padrão é um modelo de referência utilizado principalmente em determinadas situações formais.
Preconceito linguístico é a discriminação de pessoas ou grupos em razão da variedade linguística que utilizam.
Esses conceitos se relacionam, mas não significam a mesma coisa.
Compreendê-los separadamente evita muitas confusões.
Nossa segunda semana continua
Ontem, no Dia 9, estudamos Literatura Colonial: Quinhentismo, Barroco e Arcadismo. Hoje avançamos para o estudo da língua e compreendemos que a diversidade linguística faz parte do funcionamento natural de qualquer idioma.
Amanhã, no Dia 11 da Revisão ENEM em 77 Dias, voltaremos para Redação com uma aula decisiva:
Como interpretar a proposta e delimitar o tema da Redação do ENEM
Vamos aprender a identificar o recorte temático, compreender as palavras-chave da proposta e evitar situações em que o estudante escreve sobre o assunto geral sem responder exatamente àquilo que o ENEM solicitou.
Esse conteúdo será especialmente importante porque, na quinta-feira, você receberá nossa segunda proposta completa de treinamento:
Desafios para promover a educação digital no Brasil
Observe como as aulas começam a dialogar. Hoje falamos sobre língua, sociedade, comunicação e adequação. Amanhã discutiremos leitura e interpretação. Na quinta-feira utilizaremos essas habilidades para construir uma argumentação.
Nossa revisão continua se tornando mais completa a cada dia.
Faltam 68 dias: não transforme dificuldade em desistência
Talvez você ainda erre questões sobre variação linguística. Talvez conceitos como norma-padrão e adequação pareçam confusos em alguns exercícios.
Isso faz parte do processo.
Você ainda possui 68 dias para aprender, praticar e corrigir.
Não use aquilo que ainda não sabe como prova de que não conseguirá. Use como indicação do que precisa estudar.
Quando errar uma questão, descubra o motivo.
Quando encontrar uma palavra desconhecida, pesquise.
Quando perceber uma dificuldade, registre.
É assim que uma lacuna deixa de ser simplesmente um problema e se transforma em um objetivo de estudo.
Nossa meta não é chegar ao ENEM sem jamais ter errado durante a preparação.
Nossa meta é chegar lá tendo aprendido com o maior número possível de erros antes da prova.
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Conhecer a língua não é aprender uma única maneira de falar: é compreender suas diferenças e saber escolher, em cada situação, a forma mais adequada de construir sentidos.
