Revisão MONSTRO ENEM em 77 Dias — Dia 4
26 de agosto de 2026 — Quarta-feira — Redação

Olá amigos e alunos do blog A Escola Literária! Chegamos ao Dia 4 da nossa Revisão ENEM em 77 Dias e, a partir de hoje, começamos uma sequência muito importante dentro do nosso percurso: todas as quartas-feiras serão dedicadas à Redação do ENEM. Ao longo das próximas semanas, vamos construir esse conhecimento passo a passo, começando pela estrutura geral da prova e avançando depois para interpretação da proposta, introdução, repertório sociocultural, desenvolvimento dos argumentos, coesão, coerência, conclusão e proposta de intervenção.

Se você é daqueles estudantes que ficam nervosos só de pensar em escrever uma redação, quero que encare esta aula como um ponto de partida. Uma boa redação não nasce de inspiração repentina nem depende de algum talento misterioso para escrever. Ela pode ser construída por meio de conhecimento, planejamento, prática e correção. Quanto melhor você compreender o que o ENEM espera do seu texto, menos a redação parecerá uma tarefa imprevisível e mais ela se tornará uma atividade que você sabe como enfrentar.

⏳ Faltam 74 dias para o ENEM!

Hoje, 26 de agosto de 2026, faltam 74 dias para a primeira aplicação do ENEM, em 8 de novembro. As provas de 2026 estão previstas para os dias 8 e 15 de novembro.

Setenta e quatro dias ainda permitem uma evolução significativa na escrita, especialmente porque a redação é uma habilidade que pode ser treinada. Imagine quantos textos você ainda pode planejar, quantas introduções pode reescrever, quantos argumentos pode melhorar e quantas propostas de intervenção pode aprender a construir até chegar à prova. Não é necessário esperar até se sentir completamente preparado para começar a escrever; na verdade, é escrevendo, errando, corrigindo e reescrevendo que a preparação acontece.

Por isso, se sua redação atual ainda está distante da nota que você deseja, não transforme essa distância em motivo para desistir. Transforme-a em um diagnóstico. A pergunta importante não é apenas “quanto eu tiraria hoje?”, mas principalmente “o que preciso aprender para escrever melhor amanhã?”.

Antes de escrever, entenda o que o ENEM está pedindo

A redação do ENEM exige a produção de um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política. O participante deve defender um ponto de vista, sustentá-lo com argumentos consistentes e apresentar uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido, respeitando os direitos humanos.

Essa definição contém praticamente o mapa inteiro da prova. Quando o ENEM pede um texto dissertativo-argumentativo, significa que você não está sendo convidado simplesmente a contar uma história, narrar uma experiência pessoal ou apresentar informações soltas sobre determinado assunto. É necessário discutir um problema e defender uma posição.

A palavra “argumentativo” é especialmente importante. Sua redação precisa apresentar uma ideia central, ou seja, um ponto de vista a respeito do tema, e desenvolver razões capazes de sustentar essa posição. Não basta afirmar que determinado problema existe; é necessário mostrar por que ele acontece, quais consequências produz, quais fatores contribuem para sua permanência ou quais obstáculos dificultam sua solução.

Ao mesmo tempo, o ENEM não espera apenas uma crítica. O texto também deve caminhar em direção a uma proposta de intervenção, isto é, a uma possibilidade de ação diante do problema discutido. Essa proposta precisa estar articulada ao restante da redação e respeitar os direitos humanos.

Afinal, qual é a estrutura de uma redação do ENEM?

É comum ensinarmos uma organização em introdução, desenvolvimento e conclusão, porque ela oferece ao estudante uma estrutura lógica e segura para organizar a argumentação. Entretanto, é importante entender que isso não significa que exista uma fórmula oficial obrigatória determinando exatamente quatro parágrafos ou uma quantidade fixa de linhas para cada parte.

Um modelo bastante funcional para quem está se preparando é utilizar quatro parágrafos: um de introdução, dois de desenvolvimento e um de conclusão. Essa estrutura ajuda a distribuir as ideias com clareza e permite trabalhar dois argumentos principais antes de apresentar a proposta de intervenção.

O mais importante, porém, não é contar parágrafos mecanicamente. É compreender a função que cada parte desempenha.

Introdução: apresente o tema e mostre para onde sua redação vai

A introdução é o primeiro contato do corretor com seu projeto de texto. Ela precisa mostrar que você compreendeu a proposta e que possui uma direção argumentativa. Uma boa introdução costuma apresentar o tema, contextualizar a discussão e estabelecer uma tese, ou seja, o posicionamento que será desenvolvido ao longo da redação.

Imagine, por exemplo, um tema hipotético relacionado aos desafios para combater a desinformação no Brasil. Uma introdução fraca poderia apenas afirmar que “a desinformação é um problema muito grave atualmente”. A frase não está necessariamente errada, mas ainda diz muito pouco. Quais aspectos tornam esse problema relevante? O que explica sua permanência? Qual será a linha de argumentação?

Uma introdução mais planejada poderia indicar, por exemplo, que a disseminação de informações falsas é favorecida tanto pela insuficiente educação midiática quanto pela velocidade de circulação de conteúdos nas plataformas digitais. Pronto: agora temos duas linhas argumentativas que poderão ser aprofundadas nos parágrafos seguintes.

Perceba que a introdução funciona como uma espécie de promessa feita ao leitor. Você apresenta uma direção, e o desenvolvimento precisa cumprir essa promessa.

Desenvolvimento: é aqui que sua argumentação ganha força

O desenvolvimento é o espaço no qual você precisa demonstrar que sua tese não é apenas uma opinião lançada no papel. Cada parágrafo deve apresentar uma ideia central e desenvolvê-la por meio de explicações, relações de causa e consequência, exemplos, comparações, referências socioculturais ou outros recursos argumentativos.

Um erro muito comum acontece quando o estudante apresenta uma ideia e imediatamente pula para a próxima. Ele escreve, por exemplo, que “a falta de educação digital favorece a desinformação” e encerra o raciocínio. A afirmação poderia ser pertinente, mas ainda precisa ser aprofundada.

Você poderia perguntar: por que a falta de educação digital favorece a desinformação? Que comportamento do usuário está relacionado a isso? Quais consequências aparecem quando alguém não sabe verificar a procedência de uma informação? Existe algum repertório sociocultural que ajude a compreender esse fenômeno?

É justamente esse aprofundamento que transforma uma afirmação em argumento.

Ao longo de nossa revisão, teremos uma aula inteira dedicada à construção de argumentos e outra destinada especificamente ao aprofundamento argumentativo. Por enquanto, quero que você guarde uma regra simples: não abandone uma ideia logo depois de apresentá-la. Explique-a.

Conclusão: não é apenas o lugar de escrever “portanto”

A conclusão precisa encerrar o percurso argumentativo construído durante o texto. No ENEM, ela ganha uma responsabilidade adicional porque é normalmente nesse momento que aparece a proposta de intervenção.

Isso significa que a conclusão não deve surgir como uma solução completamente desconectada do que foi discutido. Se os seus parágrafos de desenvolvimento demonstraram que determinado problema está relacionado à falta de informação e à ausência de políticas públicas, por exemplo, sua intervenção deveria dialogar com esses fatores.

Uma boa conclusão produz no leitor a sensação de que o texto chegou a algum lugar. Introdução, desenvolvimento e conclusão precisam funcionar como partes de um mesmo projeto argumentativo, e não como blocos escritos independentemente.

Mais adiante, teremos uma aula específica sobre os elementos que tornam uma proposta de intervenção completa. Hoje, nosso objetivo é compreender que ela não é um detalhe colocado no último parágrafo apenas para cumprir uma obrigação: ela faz parte da lógica argumentativa do texto.

A redação vale até 1.000 pontos

A avaliação da redação é organizada em cinco competências. Cada corretor pode atribuir de 0 a 200 pontos a cada competência, fazendo com que a redação possa alcançar até 1.000 pontos. O Inep informa também que a redação é avaliada de forma independente por pelo menos dois corretores.

Essa informação deve mudar a maneira como você encara sua nota. Quando alguém diz apenas “tirei 700 na redação”, esse número sozinho não mostra exatamente onde estão os problemas do texto. É muito mais útil analisar quanto foi obtido em cada competência.

Talvez o estudante domine relativamente bem a norma-padrão, mas tenha dificuldade na argumentação. Outro pode possuir ótimas ideias, mas apresentar problemas de coesão. Um terceiro pode construir um texto consistente e perder muitos pontos na proposta de intervenção.

Por isso, as cinco competências funcionam também como um excelente instrumento de diagnóstico. Elas ajudam você a identificar onde sua redação precisa melhorar.

Competência I — Domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa

A primeira competência avalia o domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa. Essa é a dimensão em que entram aspectos relacionados à construção linguística do texto e ao atendimento às convenções da escrita formal. A formulação oficial da matriz define a Competência I como a capacidade de demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

É comum resumirmos essa competência como “Gramática”, mas precisamos tomar cuidado para não reduzir sua importância a uma caça desesperada por erros. O objetivo não é escrever um texto artificialmente complicado nem utilizar palavras difíceis apenas para impressionar o corretor. O estudante precisa escrever de maneira clara, organizada e adequada à situação formal da prova.

Problemas recorrentes de concordância, regência, pontuação, ortografia e estruturação das frases podem prejudicar o desempenho nessa competência. Por outro lado, um texto bem construído demonstra controle da escrita e permite que a argumentação seja compreendida sem ruídos.

Existe uma ligação direta entre nossa aula de ontem e a redação de hoje. Quando estudamos Gramática, não estamos apenas nos preparando para responder questões objetivas; estamos também desenvolvendo recursos para escrever melhor.

Competência II — Compreensão do tema, repertório e tipo textual

A segunda competência avalia se o participante compreendeu a proposta de redação e consegue desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo, mobilizando conhecimentos de diferentes áreas. Essa é a formulação apresentada pelo Inep na matriz de referência.

Aqui aparecem três questões fundamentais: compreender o tema, respeitar o gênero solicitado e utilizar conhecimentos para desenvolver a discussão.

Compreender o tema parece óbvio, mas não é. Um estudante pode escrever um texto muito bem estruturado e, ainda assim, abordar apenas uma parte daquilo que foi solicitado. Por isso, antes de começar qualquer redação, precisamos aprender a desmontar o tema e compreender exatamente qual problema está sendo proposto.

Também é nessa competência que ganha importância o repertório sociocultural. Referências históricas, filosóficas, literárias, científicas, sociológicas, jurídicas ou culturais podem fortalecer a argumentação quando são realmente relacionadas à discussão.

O grande erro é acreditar que basta mencionar um filósofo famoso, uma série ou uma frase decorada. Repertório não deve funcionar como enfeite. Se você cita uma referência, precisa mostrar ao leitor por que ela ajuda a compreender o problema discutido.

Teremos uma aula inteira dedicada a isso.

Competência III — Construção do projeto argumentativo

A Competência III está diretamente relacionada à capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos para defender um ponto de vista. Essa definição aparece na matriz oficial da redação do ENEM.

Esta é uma competência central para compreender por que planejamento faz tanta diferença. Um estudante pode conhecer muito sobre determinado assunto e ainda escrever uma redação confusa porque não conseguiu organizar aquilo que sabia.

Imagine uma mesa cheia de peças de quebra-cabeça. Possuir muitas peças não significa que a imagem está montada. Você precisa selecionar quais peças serão utilizadas e descobrir como elas se relacionam.

Na redação acontece algo parecido. Você provavelmente terá várias ideias ao ler a proposta. Algumas serão boas, outras superficiais, outras repetitivas e algumas poderão não ter relação direta com o tema. Seu trabalho é selecionar as mais produtivas e organizá-las dentro de um percurso lógico.

É por isso que sempre recomendo dedicar alguns minutos ao projeto de texto antes de começar a redação definitiva.

Defina sua tese. Escolha seus argumentos. Pense nos repertórios que realmente ajudam. Imagine a relação entre os parágrafos. Só depois comece a escrever.

Planejar não é perder tempo. Muitas vezes, é exatamente o que evita perder tempo no meio da redação.

Competência IV — Coesão: faça suas ideias conversarem

A quarta competência avalia o conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Aqui entramos principalmente no campo da coesão textual, isto é, nos recursos que estabelecem relações entre as diferentes partes do texto. Conjunções, pronomes, expressões referenciais, advérbios e outros mecanismos ajudam o leitor a compreender como uma ideia se relaciona com a seguinte.

Observe a diferença entre simplesmente acumular frases e construir relações:

A desinformação circula rapidamente. Muitas pessoas compartilham conteúdos sem verificar as fontes. A educação midiática é necessária.

As três ideias possuem relação, mas essa relação ainda está pouco marcada.

Agora veja:

A desinformação circula rapidamente, sobretudo porque muitos usuários compartilham conteúdos sem verificar sua procedência. Nesse contexto, torna-se necessária a ampliação da educação midiática.

As informações agora estão conectadas de maneira mais clara. Expressões como “porque” e “nesse contexto” ajudam a estabelecer relações lógicas.

Entretanto, coesão não significa colocar “além disso”, “portanto”, “entretanto” e “desse modo” em todas as frases. Conectivos precisam expressar relações verdadeiras entre as ideias. Usá-los mecanicamente pode deixar o texto artificial e até criar relações inadequadas.

Teremos uma aula específica sobre coesão textual durante nossa revisão.

Competência V — A proposta de intervenção

A quinta competência avalia a capacidade de elaborar uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Essa é uma característica muito marcante da redação do ENEM. Depois de discutir determinado problema social, você precisa mostrar uma possibilidade de intervenção. Entretanto, dizer apenas “o governo precisa resolver esse problema” é muito vago.

Uma proposta consistente precisa ser desenvolvida. Quem deve agir? O que deverá fazer? De que maneira essa ação poderá ser realizada? Qual resultado se pretende alcançar? Existem detalhes que podem tornar a proposta mais concreta?

Nas próximas aulas de Redação, vamos trabalhar a intervenção com muito mais profundidade e estudaremos os elementos que ajudam a construir uma proposta completa.

Por enquanto, guarde isto: sua conclusão precisa dialogar com o problema que sua própria redação apresentou.

Não adianta discutir falta de educação midiática durante todo o texto e, no final, sugerir uma ação que não tenha relação com essa questão.

As cinco competências não funcionam como cinco redações diferentes

Um dos pontos mais importantes desta aula é compreender que as competências são separadas para fins de avaliação, mas aparecem juntas no texto.

Quando você escreve um bom argumento, está trabalhando principalmente a Competência III, mas precisa utilizar a norma-padrão da Competência I e os mecanismos de coesão da Competência IV para expressá-lo. Se acrescentar um repertório sociocultural pertinente, também estará fortalecendo aspectos observados na Competência II.

Da mesma forma, uma proposta de intervenção pode estar muito bem detalhada do ponto de vista da Competência V e, ainda assim, apresentar problemas de clareza ou coesão.

Por isso, não pense na redação como cinco tarefas independentes. Pense em um único texto que será observado por cinco perspectivas diferentes.

Pense nos 1.000 pontos como cinco blocos de 200

Existe uma maneira interessante de visualizar a avaliação: imagine sua redação como um conjunto de cinco blocos de até 200 pontos.

Competência I: como está sua escrita formal?

Competência II: você compreendeu o tema, respeitou o tipo textual e mobilizou repertório?

Competência III: seus argumentos estão selecionados, organizados e desenvolvidos?

Competência IV: suas ideias estão bem conectadas?

Competência V: sua proposta de intervenção está adequada ao problema?

Quando você terminar uma redação durante os próximos meses, faça essas cinco perguntas. Mesmo sem ter um corretor disponível naquele momento, elas já podem ajudá-lo a reler o próprio texto com mais atenção.

A revisão é uma etapa fundamental da escrita. Muitas vezes, percebemos problemas apenas depois de nos afastarmos alguns minutos do texto e retornarmos a ele.

Uma estrutura segura para começar

Se você ainda não possui muita experiência com redação, pode utilizar inicialmente uma estrutura bastante simples:

Parágrafo 1 — Introdução

Apresente o problema, contextualize o tema e formule uma tese indicando a direção argumentativa.

Parágrafo 2 — Desenvolvimento 1

Apresente seu primeiro argumento, explique-o, desenvolva o raciocínio e utilize repertório quando ele contribuir efetivamente para a discussão.

Parágrafo 3 — Desenvolvimento 2

Trabalhe um segundo argumento relacionado à tese, novamente aprofundando a ideia e estabelecendo relações claras com o problema.

Parágrafo 4 — Conclusão

Retome a lógica do texto e apresente uma proposta de intervenção relacionada ao que foi discutido.

Essa organização não deve virar uma prisão. Conforme sua escrita amadurecer, você poderá desenvolver outras estratégias. Entretanto, para quem ainda se sente perdido diante da folha em branco, ter um mapa inicial pode diminuir muito a ansiedade.

Não comece a redação pela frase bonita

Um erro recorrente entre estudantes é gastar vários minutos tentando encontrar uma frase impactante para iniciar o texto. Enquanto procuram uma abertura perfeita, não definiram sequer o que pretendem defender.

Faça o contrário.

Primeiro compreenda o tema.

Depois escolha sua tese.

Em seguida determine seus argumentos.

Somente então pense na melhor forma de apresentar essas ideias.

Uma frase simples, clara e funcional vale muito mais do que uma abertura sofisticada que não conduz a lugar algum.

A redação do ENEM é uma construção argumentativa. Clareza vem antes da ornamentação.

Não decore uma redação pronta

Outra tentação da reta final é tentar memorizar um texto genérico que possa ser adaptado a qualquer tema. Esse caminho é arriscado porque a Competência II exige justamente a compreensão da proposta e o desenvolvimento do tema específico apresentado.

Você pode — e deve — construir repertório, treinar estruturas, ampliar seu vocabulário de conectivos e aperfeiçoar maneiras de organizar os parágrafos. O que não funciona bem é tentar encaixar qualquer assunto dentro de um texto previamente decorado.

A melhor preparação não consiste em prever exatamente qual será o tema. Consiste em aprender a pensar diante de qualquer tema.

É isso que vamos treinar às quintas-feiras.

Amanhã teremos nossa primeira proposta de Redação

No Dia 5 da Revisão ENEM em 77 Dias, você encontrará nossa primeira simulação de proposta no estilo ENEM:

Desafios para combater a desinformação na sociedade brasileira

Você receberá textos motivadores e uma proposta de produção textual para aplicar aquilo que começamos a estudar hoje.

Mesmo que você ainda não se sinta preparado para escrever a redação inteira, quero que participe do exercício. Leia os textos, delimite o problema, formule uma tese e pense em dois argumentos possíveis. Depois, você poderá compartilhar suas principais ideias nos comentários do blog.

Essa participação é importante porque estudar Redação não pode ser uma atividade exclusivamente passiva. Ler aulas ajuda, mas chega um momento em que você precisa colocar as ideias no papel.

Como estudar Redação nos próximos 74 dias

A melhor estratégia é combinar estudo e produção. Haverá dias em que você aprenderá um conceito novo e outros em que deverá aplicá-lo em um texto. Quando receber uma correção, não olhe apenas para a nota: tente descobrir o padrão dos erros que está cometendo.

Se sua Competência I apresenta dificuldades frequentes, reserve parte dos estudos para Gramática e revisão linguística. Se os problemas aparecem na Competência III, talvez você precise investir mais tempo no planejamento e no aprofundamento argumentativo. Se sua intervenção costuma ser genérica, trabalhe especificamente a Competência V.

A redação melhora quando o treinamento passa a ter um objetivo claro.

Também recomendo guardar suas produções. Não jogue fora uma redação ruim. Daqui a algumas semanas, volte a ela e tente reescrever determinados parágrafos. Comparar versões antigas e novas é uma das melhores maneiras de perceber concretamente a própria evolução.

Não espere escrever uma redação perfeita

Você vai escrever textos ruins durante a preparação.

Isso faz parte.

Algumas introduções não funcionarão. Haverá argumentos superficiais. Você esquecerá um acento, repetirá uma palavra, utilizará um conectivo inadequado ou chegará à conclusão e perceberá que sua proposta está genérica.

Esses erros são muito mais úteis agora do que no dia da prova.

Cada problema identificado durante o treinamento é uma oportunidade de correção. Se você compreender por que determinada redação não funcionou e conseguir melhorar o texto seguinte, aquela produção cumpriu uma função extremamente importante.

O estudante que busca perfeição desde o primeiro treino pode desenvolver medo de escrever. O estudante que busca evolução começa a enxergar cada redação como parte de um processo.

Nosso caminho até aqui

Estamos no quarto dia de nossa revisão. No domingo, organizamos a jornada dos 77 dias. Na segunda-feira, entendemos como o ENEM trabalha Literatura e a importância da leitura interpretativa. Ontem, estudamos os quatro níveis da Gramática e percebemos como Fonologia, Morfologia, Sintaxe e Semântica fazem parte do funcionamento da língua.

Hoje acrescentamos outro elemento fundamental: compreendemos a arquitetura da Redação do ENEM e conhecemos as cinco competências que orientam sua avaliação.

Veja como o conhecimento começa a se acumular. Não estamos estudando assuntos aleatórios; estamos construindo uma preparação progressiva.

A Gramática estudada ontem será útil na Competência I.

A interpretação que trabalhamos em Literatura será necessária para compreender os textos motivadores e a proposta.

A capacidade de organizar informações será essencial para construir seus argumentos.

Tudo começa a se conectar.

Faltam 74 dias: sua redação ainda pode mudar muito

Talvez hoje sua redação esteja em 500, 600, 700 pontos ou em qualquer outra faixa. Talvez você nem saiba qual seria sua nota porque ainda não começou a treinar.

Isso não determina onde você estará em novembro.

Ainda existem 74 dias de preparação, e Redação é justamente uma área na qual o treino consciente pode produzir avanços muito perceptíveis. Você pode melhorar a construção da tese, aprender a desenvolver argumentos, ampliar seu repertório, dominar melhor os conectivos e tornar sua proposta de intervenção muito mais completa.

Mas existe uma condição: você precisa escrever.

Não espere chegar outubro para começar.

Não espere encontrar o tema perfeito.

Não espere perder o medo.

Comece com o medo mesmo. Escreva, analise, corrija e tente novamente.

A folha em branco só deixa de assustar quando passamos a preenchê-la com frequência.

A referência oficial para nossa preparação

Para esta aula, utilizamos como referência a Cartilha do Participante mais recente disponível atualmente no portal do Inep, referente à Redação do ENEM 2025 e atualizada pelo instituto em julho de 2026, além da Matriz de Referência e das orientações oficiais sobre a avaliação. O próprio portal de documentos do Inep ainda lista essa cartilha como a versão mais recente disponível para consulta neste momento.

Sempre que houver atualização oficial específica para a redação do ENEM 2026, vale conferir as novas orientações divulgadas pelo Inep. Até lá, nosso trabalho será compreender profundamente o modelo de avaliação vigente e, principalmente, desenvolver as competências de leitura, argumentação e escrita que sustentam uma boa redação.

Amanhã, nossa teoria começa a virar prática.

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Uma redação nota alta não começa na última linha da prova: ela começa agora, em cada texto que você aceita escrever, corrigir e melhorar.