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As Eleições Gerais de 2026 já entraram em sua fase decisiva. O primeiro turno acontecerá no dia 4 de outubro de 2026, enquanto um eventual segundo turno para presidente da República e governadores está marcado para 25 de outubro. As convenções partidárias, responsáveis pela escolha formal dos candidatos pelos partidos e federações, terminaram em 5 de agosto; até 15 de agosto, às 19h, as legendas ainda precisam apresentar os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral. A campanha eleitoral propriamente dita, inclusive na internet, poderá começar a partir de 16 de agosto.

Isso significa que estamos justamente naquele momento em que a eleição deixa de ser formada apenas por especulações, pesquisas e pré-candidaturas e começa a ganhar seu desenho oficial. É importante fazer uma distinção: ser escolhido em convenção partidária não é exatamente a mesma coisa que ter o registro definitivamente deferido pela Justiça Eleitoral. Depois da escolha feita pelos partidos, os pedidos são apresentados à Justiça Eleitoral, que verifica documentação, condições de elegibilidade e demais requisitos legais. Por isso, este artigo apresenta o cenário conhecido e publicamente confirmado até 10 de agosto de 2026, e ele ainda poderá sofrer alterações.

Por que votar importa?

A eleição não deveria ser compreendida apenas como uma disputa entre nomes, partidos ou grupos ideológicos. O voto é uma das formas mais concretas pelas quais o cidadão participa da organização do Estado brasileiro. A própria Constituição Federal estabelece que todo o poder emana do povo, sendo exercido diretamente ou por meio de representantes eleitos. A Constituição também determina que a União possui três Poderes independentes e harmônicos entre si: Legislativo, Executivo e Judiciário.

O Poder Executivo administra o Estado e executa políticas públicas. No plano federal, é chefiado pelo presidente da República; nos estados e no Distrito Federal, pelos governadores. O Poder Legislativo, por sua vez, produz leis, discute o orçamento e exerce uma função fundamental de fiscalização. No âmbito federal, ele é formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Já o Poder Judiciário tem entre suas funções interpretar e aplicar as leis e solucionar conflitos jurídicos. Diferentemente do Executivo e do Legislativo, seus integrantes não são escolhidos diretamente pelo voto popular.

E aqui aparece uma informação fundamental para quem acompanha apenas a corrida presidencial: em 2026 não escolheremos somente o presidente da República.

O que vamos eleger em 2026?

No dia 4 de outubro, o eleitor brasileiro fará seis escolhas na urna eletrônica. Serão escolhidos deputado federal, deputado estadual — ou distrital, no Distrito Federal —, dois senadores, governador e vice-governador e presidente e vice-presidente da República. A ordem oficial de votação será justamente essa.

Teremos, portanto, eleições para representantes de dois dos três Poderes: o Executivo e o Legislativo. No Executivo, estarão em disputa a Presidência da República e os governos estaduais e do Distrito Federal. No Legislativo, serão renovadas as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, as Assembleias Legislativas e a Câmara Legislativa do Distrito Federal, além de 54 das 81 cadeiras do Senado, porque neste pleito serão renovados dois terços da Casa. Por isso cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes para senador.

Isso ajuda a compreender por que uma eleição geral possui consequências que vão muito além do Palácio do Planalto. Um presidente precisa se relacionar com o Congresso para aprovar grande parte de sua agenda, enquanto deputados e senadores participam da elaboração das leis, da votação do orçamento e da fiscalização dos atos do Executivo. Escolher o Legislativo é, portanto, tão relevante para o funcionamento da democracia quanto escolher quem ocupará a Presidência.

Esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita: o que significam esses espectros?

Durante uma eleição, é muito comum ouvirmos expressões como esquerda, centro, direita, centro-esquerda e centro-direita. Essas classificações ajudam a organizar diferentes posições sobre economia, papel do Estado, políticas sociais, segurança, costumes, relações trabalhistas e outras questões públicas. Entretanto, elas não são categorias oficiais do Tribunal Superior Eleitoral e não funcionam como caixas completamente rígidas. Um mesmo partido pode reunir correntes diferentes e determinadas propostas podem aproximar adversários em alguns temas e afastá-los em outros.

Para tornar este artigo didático e coerente, adotaremos aqui cinco faixas: Esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e Direita, tomando o PT como uma das principais referências do campo da Esquerda e o PL como uma das principais referências do campo da Direita no cenário eleitoral atual. A distribuição dos demais candidatos nesse eixo deve ser entendida como uma classificação analítica para facilitar a leitura do cenário, e não como uma determinação oficial da Justiça Eleitoral.

Esquerda

O principal nome desse campo é Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual presidente da República e candidato a um novo mandato. O PT marcou sua Convenção Nacional de 2 de agosto para oficializar novamente a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB), repetindo a composição vencedora de 2022. Na primeira semana de agosto, Lula já era tratado pelas principais coberturas nacionais e internacionais como candidato na disputa presidencial.

Além do PT, a Unidade Popular (UP) formalizou em convenção nacional a candidatura de Samara Martins, tendo Raquel Bricio como candidata a vice-presidente. Samara é dentista do SUS e dirigente de movimentos sociais e participou da eleição de 2022 como candidata a vice-presidente pela própria UP. Entre as propostas divulgadas pelo partido estão maior participação estatal na economia, nacionalização de riquezas estratégicas e ampliação do orçamento destinado a políticas sociais.

Outras legendas situadas nesse campo também apresentaram nomes próprios durante o período pré-eleitoral, como PCB, PSTU e PCO. Como o processo de registro das candidaturas ainda está em andamento nesta atualização de 10 de agosto, é importante acompanhar a consolidação dessas chapas no sistema da Justiça Eleitoral antes de tratar todos esses nomes como integrantes da lista definitiva de candidatos. O prazo legal termina em 15 de agosto.

Centro-esquerda

Uma particularidade das eleições de 2026 é que parte importante das forças que podem ser classificadas como centro-esquerda não construiu, até o momento, uma candidatura presidencial independente.

O PDT, por exemplo, decidiu em sua Convenção Nacional apoiar a candidatura de Lula. Já o PSB participa diretamente da chapa presidencial por meio de Geraldo Alckmin, candidato a vice. Dessa maneira, parcela importante desse campo político chega à disputa nacional integrada a uma coalizão encabeçada pelo PT, em vez de apresentar um nome próprio para a Presidência.

Isso também demonstra uma característica importante do sistema político brasileiro: espectro ideológico e aliança eleitoral não são exatamente a mesma coisa. Partidos diferentes podem formar alianças em torno de uma candidatura comum mesmo mantendo identidades, histórias e programas próprios.

Centro

O centro político apresenta uma situação interessante nesta eleição. Uma de suas legendas mais tradicionais, o MDB, decidiu em convenção nacional não lançar candidatura própria à Presidência e não estabelecer apoio nacional obrigatório a nenhum presidenciável. Os diretórios estaduais foram liberados para definir seus posicionamentos conforme as realidades locais.

Isso faz com que, neste momento da eleição, não exista entre as grandes forças tradicionalmente associadas ao centro uma candidatura presidencial própria com o mesmo grau de consolidação observado nos principais campos à esquerda e à direita. O centro, entretanto, continua politicamente relevante justamente porque partidos e lideranças desse espaço podem participar de alianças, palanques estaduais e negociações para o Congresso.

É também um bom exemplo de por que acompanhar apenas os presidenciáveis oferece uma visão incompleta de uma eleição. Partidos sem candidato ao Planalto podem conquistar dezenas de cadeiras no Congresso e ter participação importante na formação das maiorias parlamentares a partir de 2027.

Centro-direita

Nesta organização didática do cenário, podemos situar na centro-direita duas candidaturas que procuram construir alternativas próprias fora da polarização principal entre PT e PL.

A primeira é Ronaldo Caiado (PSD). Ex-governador de Goiás, ex-senador e ex-deputado federal, Caiado teve sua candidatura oficializada pelo PSD em convenção realizada em 26 de julho. O partido também confirmou Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente. Durante a oficialização, Caiado apresentou sua candidatura como alternativa à polarização política e destacou sua experiência administrativa e sua passagem pelo governo de Goiás.

Outro nome é Renan Santos, do partido Missão, cuja candidatura foi oficializada em convenção nacional realizada em 20 de julho. A legenda foi registrada pelo TSE em 2025 e surgiu a partir do Movimento Brasil Livre, o MBL. Esta será, portanto, a primeira eleição presidencial disputada pelo partido.

A posição exata de candidaturas como essas dentro do eixo entre centro e direita pode variar conforme o critério adotado pelo pesquisador ou analista. Aqui elas aparecem na centro-direita para diferenciar candidaturas conservadoras ou liberais que buscam construir um espaço político próprio da candidatura presidencial do PL.

Direita

Tomando o PL como principal referência da Direita nesta organização do cenário, o candidato do partido é o senador Flávio Bolsonaro. Sua candidatura foi formalizada na Convenção Nacional do PL realizada em São Paulo, no dia 25 de julho. Posteriormente, Flávio anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente de sua chapa.

Outro candidato que pode ser situado no campo da Direita nesta organização é Romeu Zema, do Novo. Ex-governador de Minas Gerais, Zema teve sua candidatura presidencial oficializada na convenção nacional do partido em 27 de julho. Empresário antes de ingressar na política, ele foi eleito governador mineiro pela primeira vez em 2018, reeleito em 2022 e deixou o governo em março de 2026 para disputar a Presidência. Quando sua candidatura foi oficializada, o Novo ainda não havia definido o nome do candidato a vice.

Assim, a Direita chega à eleição com mais de uma candidatura própria, embora o PL tenha atualmente um dos nomes de maior projeção desse campo. Pesquisas eleitorais divulgadas no início de agosto vinham mostrando Lula e Flávio Bolsonaro como os dois candidatos com maior intenção de voto nos cenários testados, enquanto Caiado, Renan Santos e Zema apareciam em percentuais menores. Pesquisa é fotografia de um determinado momento, porém, e não previsão de resultado eleitoral.

Então, como está o cenário presidencial até agora?

Observando os cinco espectros adotados neste artigo, podemos visualizar uma eleição em que a Esquerda possui Lula, do PT, como seu principal nome e também candidaturas próprias de partidos menores, como Samara Martins, da UP. A centro-esquerda aparece majoritariamente integrada à aliança que apoia Lula, enquanto o centro tem partidos relevantes que optaram por não apresentar candidatura presidencial própria, como ocorreu com o MDB.

Na centro-direita, Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Missão, procuram construir alternativas próprias. Na Direita, Flávio Bolsonaro, do PL, e Romeu Zema, do Novo, estão entre os candidatos já oficializados em convenções partidárias. Essa organização não pretende estabelecer quem é “melhor” ou “pior”, mas ajudar o estudante e o eleitor a compreender como diferentes forças estão se posicionando na disputa.

E existe uma pergunta que vale levar para além das pesquisas eleitorais: você já sabe quais critérios utilizará para escolher não apenas seu candidato à Presidência, mas também seus dois senadores, seu deputado federal e seu deputado estadual?

Talvez essa seja uma das reflexões mais importantes de 2026. A democracia não termina quando apertamos o botão “confirma”. O voto consciente pressupõe pesquisar candidatos, verificar suas trajetórias, conhecer propostas, compreender o papel de cada cargo, consultar fontes confiáveis e acompanhar os eleitos depois da posse. Divergir politicamente faz parte da democracia; informar-se antes de decidir também deveria fazer parte dela.

Este artigo foi atualizado em 10 de agosto de 2026. Como o prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto, o quadro apresentado poderá sofrer mudanças, substituições ou novas confirmações. Acompanhe as próximas atualizações do A Escola Literária, porque continuaremos trazendo conteúdos de atualidades de maneira didática, contextualizada e sem transformar informação política em indicação de voto.

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