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Muito antes das discussões contemporâneas sobre protagonismo feminino, a escritora Júlia Lopes de Almeida já levantava essas bandeiras em sua literatura. Em Memórias de Martha, publicado em 1899, somos convidados a entrar na mente de uma mulher que, mesmo limitada pelas normas da sociedade patriarcal, ousa questionar os padrões e refletir sobre sua condição. Trata-se de um romance à frente de seu tempo — e ainda muito atual.
Narrado em primeira pessoa, o livro assume a forma de um diário íntimo, no qual Martha revisita sua infância, juventude e casamento. Ao fazer isso, ela revela as contradições da sociedade brasileira da virada do século XIX para o XX, marcada por aparências, desigualdades e um forte conservadorismo. A escrita delicada e introspectiva da autora não anula seu olhar crítico: pelo contrário, amplifica a denúncia silenciosa de um sistema que aprisiona as mulheres em papéis sociais rígidos.
Júlia Lopes de Almeida é considerada uma precursora da literatura feminista brasileira, embora raramente tenha recebido o devido destaque nos manuais escolares. Seu estilo lembra o de Clarice Lispector em alguns momentos — sobretudo pelo mergulho psicológico na personagem —, mas sem abrir mão da crítica social, que aproxima sua obra de autores como Machado de Assis. A escrita é elegante, irônica em certos momentos, e carregada de lucidez.
Ao reler Memórias de Martha hoje, percebemos como a literatura pode ser uma forma de resistência e denúncia. A protagonista não busca heroísmo nem glória, mas sua inquietação transforma o romance em um espaço de reflexão sobre o lugar da mulher, o peso das convenções e o desejo de liberdade. É uma leitura indispensável para quem quer entender a história social do Brasil sob o olhar feminino.
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