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Panorama dos temas de redação nos vestibulares 2026

Quando a gente olha para os temas de redação dos vestibulares 2026 (provas aplicadas no fim de 2025), aparece um retrato bem nítido do que as bancas julgam essencial para um estudante que vai entrar na universidade: maturidade para interpretar o mundo, capacidade de argumentar com equilíbrio e leitura crítica sobre conflitos reais da sociedade brasileira — e, em muitos casos, domínio de gêneros textuais variados.

Neste artigo, você vai ver o que foi cobrado nas principais seleções do país (federais e estaduais, em diferentes regiões), quais eixos temáticos se repetem e como usar esse panorama para orientar sua preparação.

1) O grande “tema nacional” do ano: envelhecimento e desafios sociais (ENEM e boa parte das federais)

O Enem 2025 — que funciona como porta de entrada para a maioria das universidades federais e várias estaduais via Sisu — pediu uma dissertação sobre “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.

Isso puxa um eixo fortíssimo: demografia, políticas públicas, cuidados, inclusão, trabalho, saúde, renda, redes de apoio e dignidade na velhice. Em termos práticos: quem se preparou bem para discutir cidadania e desigualdade saiu na frente, porque o tema cobra repertório social e capacidade de propor caminhos viáveis.

Como muitas federais usam exclusivamente o Enem (ou majoritariamente), dá para dizer que esse assunto virou uma espécie de “eixo comum” do Brasil naquele ciclo.

2) As bancas estaduais reforçaram temas éticos e sociais (com recortes bem próprios)

Se o Enem coloca um tema abrangente, as bancas tradicionais costumam afinar a lente. Em 2026, foi exatamente isso que aconteceu.

Fuvest (USP): ética do perdão e limites morais

A Fuvest trouxe uma proposta sobre perdão — se ele pode ser condicionado ou limitado — com opção entre dissertação e carta argumentativa. É um tema com cara de filosofia moral, relações humanas e ética pública/privada: ótimo para quem sabe argumentar com nuance, evitar maniqueísmo e construir tese com maturidade.

Unicamp: “machosfera” e CLT — atualidade, linguagem e gênero textual

A Unicamp manteve sua marca registrada: duas propostas com gêneros diferentes. Uma delas discutia a machosfera e o ódio contra mulheres; a outra, a importância histórica da CLT, exigindo adequação ao gênero (depoimento / nota de esclarecimento). Aqui, não basta “opinar”: o candidato precisa dominar a forma, a voz e o efeito de sentido do texto.

Unesp: solidão como epidemia contemporânea

A Unesp perguntou: “Vivemos hoje uma epidemia da solidão?”. Tema extremamente atual — saúde mental, redes sociais, urbanização, trabalho, vínculos — e, ao mesmo tempo, com base sociológica e cultural. Ótimo para mostrar repertório (sem cair em achismo) e construir argumentação com exemplos concretos.

UERJ: fidelidade a si mesmo em tempos atuais (com referência literária)

A UERJ fez um movimento interessante: partiu de um conselho em Hamlet para perguntar se é possível ser fiel a si mesmo hoje. É um tema que mistura identidade, coerência ética, pressão social, performatividade e contradições contemporâneas — e exige que o candidato saiba trazer o texto de apoio para dentro da reflexão.

3) A pauta educacional apareceu com força (UFRGS) — e é tendência

A UFRGS colocou a redação em torno de evasão e abandono escolar. Tema de Brasil real: desigualdade, trabalho precoce, sentido da escola, políticas públicas, saúde mental, condições materiais e projeto de vida. É o tipo de proposta que valoriza visão sistêmica: o candidato precisa mostrar que entende causas múltiplas e consequências sociais amplas.

Esse recorte aponta um sinal: educação como problema social tende a seguir forte porque conversa com cidadania, economia e democracia.

4) UFSC e UFPR: diversidade de gêneros e escrita aplicada ao mundo

Duas provas chamaram atenção por exigirem uma escrita bem “pé no chão”, com tarefas claras e gêneros distintos.

UFSC: desigualdade social com três caminhos de texto

No vestibular unificado, o tema foi desigualdade social, e o candidato podia escolher entre manifesto, crônica ou carta para o “eu do futuro” (2030). A banca cobrou forma e intenção comunicativa: dizer o que pensa não basta — é preciso saber como dizer para o gênero funcionar.

UFPR: produção em tarefas (queda da natalidade, IA, barragens)

A UFPR trabalhou com três tarefas temáticas: queda da natalidade, inteligência artificial (a partir de entrevista) e impactos socioambientais de Belo Monte e Pimental (em forma de resumo). É a redação como competência acadêmica: síntese, exposição, análise de dados e fidelidade ao texto base.

Aqui aparece uma tendência relevante: a redação deixa de ser só “dissertação escolar” e passa a incluir habilidades de letramento informacional (resumir, interpretar dados, explicar ideias, organizar informação).

5) Quais temas dominaram o Brasil em 2026?

Juntando tudo, dá para mapear cinco eixos que apareceram com força no país inteiro:

  1. Cidadania e políticas públicas
    Envelhecimento (Enem) e problemas sociais estruturais.
  2. Desigualdade e vulnerabilidade social
    Desigualdade (UFSC), abandono escolar (UFRGS), impactos ambientais e sociais (UFPR).
  3. Saúde mental e vida contemporânea
    Solidão (Unesp), pressões identitárias e coerência pessoal (UERJ).
  4. Gênero, violência simbólica e cultura digital
    Machosfera e ódio contra mulheres (Unicamp).
  5. Trabalho, direitos e transformações sociais
    CLT (Unicamp), precarização, tecnologia e mudanças no mundo do trabalho (UFPR e recortes correlatos).

Ou seja: 2026 cobrou o estudante capaz de ler criticamente o presente — com repertório, responsabilidade e argumentação consistente.

6) O que isso muda no seu plano de estudo?

Se você está se preparando para vestibulares, esse panorama sugere três frentes de treino bem objetivas:

  • Treino de repertório “útil”: dados básicos de demografia (envelhecimento), educação, desigualdade, trabalho, saúde mental, cidadania digital.
  • Treino de argumentação com nuance: temas como perdão, identidade e solidão pedem equilíbrio, contra-argumento e cuidado com generalizações.
  • Treino de gênero textual: algumas bancas cobram manifesto, carta, crônica, nota de esclarecimento, resumo, texto expositivo. Isso muda totalmente a estratégia de escrita.

7) Fechando a leitura: a redação virou “radiografia de maturidade”

Os vestibulares 2026 mostraram que redação não é só “falar bonito”: é demonstrar leitura de mundo, organização de ideias, responsabilidade ética e domínio da linguagem — às vezes em formatos bem diferentes do tradicional.

Se você quer acertar o rumo, faça o seguinte: monte um caderno de eixos (desigualdade, trabalho, saúde mental, educação, cidadania digital) e treine esses assuntos em vários gêneros. Assim você não estuda “um tema”, você treina uma competência — e isso é o que as bancas estão realmente medindo.

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Se os temas dos vestibulares 2026 mostraram alguma coisa, foi isto: quem sabe ler além da superfície escreve melhor, argumenta com mais segurança e se destaca na correção.

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