Olá, amigos e alunos do Blog Escola Literária. No último domingo, 14 de dezembro de 2025, aconteceu o primeiro dia da 2ª fase da Fuvest 2026, etapa decisiva para quem sonha com uma vaga na USP. A prova reuniu Língua Portuguesa (Literatura, Interpretação de Textos e Gramática) e Redação, compondo metade da nota dessa fase. De modo geral, o exame manteve o alto nível característico da banca, com propostas bem elaboradas, exigência de leitura atenta e forte capacidade de reflexão.
Literatura: leitura profunda e protagonismo feminino
Um dos pontos que mais chamaram atenção foi a cobrança efetiva da lista obrigatória, composta integralmente por obras de autoras. Títulos como Nebulosas (Narcisa Amália), As Meninas (Lygia Fagundes Telles), A Visão das Plantas (Djaimilia Pereira de Almeida), Memórias de Martha (Júlia Lopes de Almeida), Opúsculo Humanitário (Nísia Floresta) e Canção para ninar menino grande (Conceição Evaristo) apareceram de forma direta nas questões.
A Fuvest deixou claro que não bastava conhecer o enredo: era necessário compreender temas, contextos históricos, construção de narrador e recursos de linguagem. Um destaque especial foi a questão que colocou Nebulosas em diálogo com um trecho de Cosmos, de Carl Sagan, exigindo do candidato a capacidade de estabelecer relações entre literatura, ciência e reflexão filosófica.
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Interpretação de textos: múltiplos gêneros em diálogo
A prova apresentou uma variedade significativa de gêneros: artigo de divulgação científica, charge, fotografia artística e textos literários e ensaísticos. Um exemplo marcante foi o texto sobre a transformação das pessoas em “dados” na internet, que avaliou a capacidade de identificar estratégias didáticas e inferências críticas.
Também houve leitura de imagem, como a charge sobre a crise climática e a fotografia Serra Pelada, de Sebastião Salgado, em que o candidato precisou articular estética, denúncia social e conceito de arte. A Fuvest reforçou, assim, seu perfil de valorizar uma leitura que vá além do literal, conectando linguagem, contexto e intenção.
Gramática: sempre a serviço do sentido
A gramática apareceu de forma contextualizada, integrada aos textos. Análises morfossintáticas, valores semânticos, tempos verbais e construções sintáticas foram cobrados não como regras isoladas, mas como ferramentas para compreender melhor o texto. A presença de obras do século XIX também exigiu atenção a vocabulário e estruturas linguísticas de época, reforçando a importância da leitura cuidadosa.
Redação: o tema do perdão e a novidade do gênero
A redação trouxe um tema que surpreendeu muitos candidatos: “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado.” Pela primeira vez, a Fuvest ofereceu duas propostas:
- uma dissertação argumentativa tradicional;
- ou uma carta argumentativa, dirigida a alguém que acusou falsamente o autor do texto.
A coletânea foi rica e diversificada, reunindo reportagem histórica, literatura contemporânea e clássica, poesia, música popular e fotografia jornalística. O tema exigiu maturidade argumentativa, reflexão ética e bom uso do repertório. A novidade da carta foi elogiada por ampliar as formas de avaliação da escrita, embora muitos candidatos tenham preferido a dissertação por maior familiaridade.
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