Olá, amigos e alunos do Blog A Escola Literária,
No último domingo, foi realizada a primeira fase da prova tão aguardada da FUVEST 2026. Os candidatos tiveram cinco horas para responder a 90 questões de conhecimentos gerais, no formato múltipla escolha. Estão em disputa, nessa edição da prova 8.147 vagas, e 111.480 pessoas se inscreveram para o vestibular. A taxa de abstenção foi de 9,17%. Mas vamos falar da prova de português, que é o assunto desse blog.
A prova de Português da Fuvest 2026 chamou a atenção pela organização, pelo equilíbrio entre as áreas de Literatura, Gramática e Interpretação, e pelo foco em competências de leitura. Neste post, apresento uma análise completa e acessível para que estudantes, professores e candidatos entendam exatamente o que a banca cobrou e como se preparar melhor para a 2ª fase. A edição deste ano mostrou, mais uma vez, que a Fuvest valoriza profundidade interpretativa e repertório crítico, sem recorrer a questões artificiais ou extremamente conteudistas.
Em Literatura, a prova trabalhou oito das nove obras obrigatórias, deixando de fora apenas Nebulosas, de Narcisa Amália. As demais obras apareceram principalmente por meio de comparações, destacando temas como emancipação feminina, crítica social, construção da identidade e diálogo com outras áreas do conhecimento. Essa abordagem reforça que a Fuvest exige mais do que memorização de enredos: quer que o estudante compreenda relações entre livros, contextos históricos e temas centrais da narrativa contemporânea e clássica.
Entre os destaques, Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha apareceram em questões que trataram da condição feminina e da busca por direitos sociais. Já Caminho de Pedras, de Rachel de Queiroz, surgiu em comparação com As Meninas, de Lygia Fagundes Telles, explorando a autonomia das personagens e os desafios enfrentados por mulheres em diferentes momentos históricos. A presença de O Cristo Cigano, de Sophia de Mello Breyner, também foi marcante, com questões que relacionaram sua construção simbólica à filosofia de Heidegger e até a obras de arte contemporâneas.
Obras mais recentes, como Canção para Ninar Menino Grande, de Conceição Evaristo, e A Visão das Plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida, foram cobradas de forma direta, exigindo leitura e interpretação cuidadosa dos trechos apresentados. Balada de Amor ao Vento, de Paulina Chiziane, apareceu em uma questão que explorou intertextualidade bíblica e o despertar emocional da personagem Mwando. Em conjunto, essas questões formaram uma prova de dificuldade média e muito bem recebida pelos especialistas.
Na parte de Gramática e Interpretação, a Fuvest manteve sua linha tradicional de valorizar a leitura crítica. Houve textos variados, incluindo charges, artigos e ensaios, que abordaram temas atuais como o marco temporal das terras indígenas, a precarização das relações de trabalho e a chamada “uberização” da economia. As perguntas exigiam que o candidato compreendesse o ponto de vista dos textos, identificasse relações de sentido e soubesse interpretar a função de recursos linguísticos dentro do contexto.
A gramática apareceu de forma contextualizada, sem pedidos de nomenclatura ou regras decoradas. A banca preferiu questões que exigiam entendimento do uso real da língua, analisando adequação, variação linguística e coerência textual. Professores classificaram essa parte da prova como equilibrada e de dificuldade média, alinhada às competências necessárias para cursos superiores de humanidades.
Sobre a Redação, vale lembrar que ela ainda será aplicada na 2ª fase, marcada para 14 de dezembro de 2025. No entanto, a Fuvest já confirmou que manterá o novo modelo com uma coletânea única e duas propostas: uma dissertativa-argumentativa e outra narrativa, cabendo ao candidato escolher apenas uma. Esse formato oferece certa liberdade ao estudante, mas também exige maior capacidade de adaptação e leitura profunda da coletânea apresentada.
A avaliação geral da prova de Português da Fuvest 2026 indica que o exame está cada vez mais interdisciplinar e conectado à realidade social. A banca privilegiou temas relevantes, obras significativas e habilidade de leitura crítica. Para quem ainda vai prestar a 2ª fase, o caminho é claro: fortalecer a leitura, revisar obras literárias com atenção e treinar a escrita analítica e criativa. É esse conjunto que diferencia um bom desempenho na prova da Fuvest.
