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Hoje vamos compreender um dos aspectos mais importantes para entender o Realismo brasileiro: suas influências europeias. Esse movimento literário, que floresceu no Brasil a partir de 1881 com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, não surgiu isolado. Ele foi profundamente influenciado pelas transformações culturais, científicas e filosóficas que ocorriam na Europa do século XIX, especialmente na França, Inglaterra e Portugal.
A principal influência veio do Realismo europeu, liderado por autores como Gustave Flaubert, Honoré de Balzac e Émile Zola. A literatura francesa, em particular, exerceu forte impacto sobre os escritores brasileiros, que admiravam o olhar crítico e objetivo sobre a sociedade. De Flaubert, o Realismo brasileiro herdou o gosto pela observação minuciosa da realidade e pela análise psicológica — algo visível em obras como Dom Casmurro, de Machado de Assis, e O Primo Basílio, de Eça de Queirós.
Mas o Realismo também foi moldado por correntes científicas e filosóficas. O positivismo de Auguste Comte trouxe a ideia de que o comportamento humano poderia ser estudado com rigor científico; o determinismo de Taine afirmava que o homem é produto do meio, da raça e do momento histórico; e o naturalismo de Zola aplicava esses princípios à literatura, transformando o romance em uma espécie de “experimento social”. Essas ideias influenciaram fortemente autores brasileiros como Aluísio Azevedo, que em O Cortiço retratou o homem como resultado das condições ambientais e sociais em que vive.
Outra influência notável veio da literatura portuguesa, especialmente de Eça de Queirós, cuja ironia e crítica moral foram decisivas para a formação do Realismo em língua portuguesa. No Brasil, esse diálogo transatlântico se fortaleceu — escritores como Machado de Assis e Raul Pompeia reinterpretaram o modelo europeu, adaptando-o às contradições da sociedade brasileira do fim do século XIX, marcada pela escravidão recente, o patriarcalismo e a desigualdade social.
Assim, o Realismo brasileiro não foi mera cópia do europeu, mas uma releitura crítica e criativa. Trouxe para o nosso contexto uma nova forma de ver o homem: não como herói romântico, mas como ser complexo, contraditório e prisioneiro de suas próprias ilusões.
💡 Resumo para o vestibular:
O Realismo brasileiro foi influenciado por:
- Flaubert e Balzac – observação e crítica da sociedade;
- Zola e o Naturalismo – determinismo e visão científica;
- Comte e Taine – positivismo e análise do comportamento humano;
- Eça de Queirós – ironia e crítica moral.
📚 Lição final: o Realismo europeu ensinou aos brasileiros a olhar a sociedade com olhos racionais e críticos — e o Brasil respondeu com obras que revelam nossa própria alma.
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