Olá, leitores da Escola Literária! Hoje mergulharemos em uma das obras mais marcantes da literatura brasileira contemporânea: Torto Arado, de Itamar Vieira Junior. Publicado em 2019, o romance conquistou prêmios importantes — como o Jabuti e o Oceanos — e se tornou leitura obrigatória em diversos vestibulares. A narrativa combina lirismo e denúncia social, oferecendo uma reflexão profunda sobre terra, identidade e resistência.

A história se passa no sertão da Bahia, onde acompanhamos as irmãs Bibiana e Belonísia, filhas de trabalhadores rurais descendentes de escravizados. Desde a infância, as duas são unidas por laços intensos, mas também marcadas por um acidente simbólico — o corte de uma língua — que representa o silenciamento histórico das vozes oprimidas. A partir desse trauma, Itamar constrói uma narrativa de múltiplas vozes, entrelaçando realismo e elementos do misticismo afro-brasileiro.

O romance destaca-se pela força da linguagem: uma prosa poética, densa e ao mesmo tempo acessível. A voz narrativa de Belonísia e, posteriormente, de outras personagens, revela um olhar íntimo e sensível sobre o cotidiano da pobreza e da luta por dignidade. Itamar Vieira Junior resgata a oralidade, o ritmo da fala popular e a ancestralidade como forma de resistência cultural, relembrando que o Brasil profundo ainda pulsa nas margens do mapa e da história.

Mais do que um romance regional, Torto Arado é uma metáfora da condição humana — das raízes que prendem e das forças que libertam. A terra, o corpo e a palavra se tornam campos de disputa, onde cada personagem busca afirmar sua existência. A obra nos obriga a olhar para o Brasil invisibilizado, onde ainda ecoam as feridas da escravidão e da desigualdade.

Dica de Ouro do Vestibular: nas provas, destaque como Itamar Vieira Junior une realismo social e linguagem poética para abordar temas como opressão, identidade e pertencimento. Observe também o simbolismo do título: o “torto arado” é a metáfora da luta desigual, do trabalho exaustivo e da tentativa constante de endireitar a vida. Essa leitura é um convite a pensar o Brasil — e a si mesmo — com mais profundidade.