Olá, queridos alunos da Escola Literária! Hoje vamos conhecer uma das obras mais interessantes e menos comentadas de Machado de Assis: o romance Casa Velha. Publicado originalmente em forma de folhetim entre 1885 e 1886, esse livro marca a transição do autor entre o romantismo e o realismo, revelando sua habilidade em explorar os dramas íntimos e as contradições morais da sociedade brasileira do século XIX.

A narrativa se passa em uma casa antiga do Rio de Janeiro, onde o jovem padre Lourenço é convidado a viver enquanto escreve a biografia de um bispo. Lá, ele conhece Félix, o dono da casa, e sua filha Capitu — perdão! (risos) — na verdade, Maria, uma jovem sensível e misteriosa por quem o padre acaba se apaixonando. Esse amor impossível entre o religioso e a moça é o eixo central da trama, e, como em outras obras de Machado, o conflito entre desejo e moralidade conduz a história a um desfecho melancólico.

A “casa velha” é mais do que o cenário físico: é uma metáfora da sociedade patriarcal, conservadora e hipócrita da época. Os personagens vivem sob o peso das aparências, dos valores religiosos e das convenções sociais. Machado de Assis, com sua ironia refinada e seu olhar psicológico, desnuda as contradições humanas, mostrando como a moral pode se transformar em máscara para esconder paixões e fraquezas.

O narrador, um observador que reconstitui a história a partir de memórias, contribui para o clima de reflexão e nostalgia que permeia o romance. A linguagem machadiana, elegante e sutil, convida o leitor a mergulhar nas entrelinhas, onde se revelam os verdadeiros sentimentos e conflitos dos personagens. Assim como em Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado transforma o cotidiano em matéria filosófica e moral.

Dica de Ouro do Vestibular: ao estudar Casa Velha, observe como Machado de Assis retrata os dilemas entre razão e emoção, fé e desejo, aparência e verdade. Essa dualidade é marca central de sua obra. Em redações e provas literárias, destacar o olhar crítico e psicológico do autor é sempre um diferencial que demonstra leitura madura e sensível.