Olá, queridos alunos da Escola Literária! Hoje vamos refletir sobre uma das obras mais instigantes e necessárias da literatura contemporânea brasileira: A vida não é útil, do pensador indígena Ailton Krenak. Lançado em 2020, o livro reúne reflexões profundas sobre a relação entre humanidade, natureza e espiritualidade, questionando os valores que sustentam o mundo moderno.
Krenak, que pertence ao povo indígena Krenak de Minas Gerais, propõe em seus ensaios uma crítica contundente ao modo de vida ocidental, centrado no consumo e na exploração da Terra. Para ele, o conceito de “utilidade” se tornou uma prisão: tudo precisa ter função, gerar lucro ou produzir resultados. Em contraposição, o autor defende a ideia de uma existência conectada com o planeta, guiada pela sensibilidade, pelo respeito e pela contemplação.
Em uma linguagem poética e filosófica, Krenak convida o leitor a repensar o significado da vida. Ele questiona a separação entre homem e natureza, argumentando que essa cisão é a raiz das crises ambientais, sociais e espirituais do mundo atual. Ao propor uma visão de mundo indígena e coletiva, ele resgata valores esquecidos pela civilização moderna: a escuta, o silêncio, o equilíbrio e a ancestralidade.
Além de sua força reflexiva, A vida não é útil é um texto profundamente literário. Krenak usa metáforas, imagens e repetições que transformam seus ensaios em verdadeiros cantos de resistência. Ler esse livro é entrar em contato com uma sabedoria antiga que desafia a arrogância do pensamento contemporâneo e nos lembra que viver é muito mais do que produzir.
Dica de Ouro do Vestibular: nas provas, relacione A vida não é útil com temas como sustentabilidade, identidade cultural e crítica ao capitalismo. Mostrar como Krenak questiona os paradigmas da modernidade pode render ótimos argumentos em redações e análises literárias. Sua obra é um convite à reflexão — e também à mudança de olhar sobre o mundo.
