Há dias em que o silêncio pesa mais do que as palavras,
e o coração parece carregar memórias que não cabem no corpo.
Olho para trás e me pergunto:
o que ficou em mim dos caminhos já percorridos?
O que sobrou dos abraços que se perderam no tempo?
A vida, esse fio frágil estendido entre o ontem e o amanhã,
é tecida de quedas e recomeços.
Aprendemos cedo que a dor é professora,
e que a alegria, embora breve, ilumina
como um farol aceso na escuridão.
A vida, esse escultor invisível,
vai moldando o rosto e os gestos
com a paciência de quem sabe que tudo é pó.
E ainda assim, seguimos,
porque algo dentro de nós insiste em florescer.
Não somos para sempre,
mas há eternidade no instante em que o riso explode,
no silêncio de um olhar que compreende,
no gesto pequeno que salva uma vida sem que ninguém veja.
A existência é breve —
mas cada respiração guarda um universo.
E talvez o segredo esteja em aceitar
que somos feitos de cicatrizes,
mas também de luzes que se recusam a apagar.
