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Lançado em 1937, Caminho de Pedras é um dos romances menos comentados de Rachel de Queiroz, mas profundamente marcante por sua abordagem corajosa das tensões entre a liberdade feminina e o moralismo da sociedade patriarcal. Em uma época em que a mulher era esperada para cumprir papéis rígidos e submissos, a autora oferece uma protagonista inquieta, intelectual e questionadora.
A personagem central, Lúcia, é uma jovem que busca sentido na vida para além dos papéis tradicionais de esposa e mãe. Em meio a críticas sociais sutis, Rachel constrói uma narrativa densa e reflexiva sobre o conflito entre o desejo individual e as imposições coletivas. Lúcia quer ser livre, mas encontra uma sociedade que não a compreende — e, pior, tenta silenciá-la. Esse embate dá o tom ao livro e revela o quanto a literatura também pode ser espaço de resistência.
Ao contrário de um discurso panfletário, Rachel usa a delicadeza e a ambiguidade para expor as angústias de uma geração de mulheres educadas, mas sufocadas por padrões antiquados. O “caminho de pedras” do título simboliza a trajetória dolorosa de quem tenta trilhar sua própria estrada, enfrentando os obstáculos impostos pelo conservadorismo social e pela hipocrisia dos costumes.
Ler Caminho de Pedras hoje é uma oportunidade de revisitar as raízes de um debate que ainda ecoa na atualidade: o lugar da mulher na sociedade. A escrita sensível de Rachel, aliada a sua crítica sutil, nos convida a repensar comportamentos, valores e estruturas que, muitas vezes, ainda persistem sob novas formas.
Quer entender mais sobre o protagonismo feminino na literatura brasileira? No curso A Escola Literária: lendo além do texto, exploramos as obras e autoras que desafiaram os padrões de sua época e continuam inspirando leitores e leitoras até hoje. Vem caminhar com a gente!
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