Olá, alunos da Escola Literária! O nosso encontro de hoje é com um dos poetas mais importantes da literatura brasileira do século XX: João Cabral de Melo Neto. Ao contrário da introspecção lírica de outros autores modernistas, Cabral desenvolveu uma poesia marcada pela racionalidade, rigor formal e engajamento social, especialmente com as realidades do Nordeste.

João Cabral se opôs à ideia de poesia como expressão subjetiva de sentimentos. Para ele, o poema deveria ser construído como um objeto — exato, objetivo e consciente da palavra. Esse projeto poético ficou evidente em obras como Pedra do Sono (1942), onde o experimentalismo visual e sonoro já apontava para uma estética própria, que seria aprimorada em livros posteriores como O Cão Sem Plumas (1950) e Morte e Vida Severina (1955).

Sua linguagem é seca, contida, e muitas vezes comparada à engenharia: nada sobra, nada falta. Cada verso é medido, lapidado, como se fosse pedra. No entanto, essa rigidez formal não impede a presença de uma forte dimensão crítica, especialmente ao retratar o sofrimento do homem nordestino diante da seca, da fome e da desigualdade social. Sua poesia denuncia com lucidez — e não com sentimentalismo — as dores de um Brasil invisibilizado.

Em Morte e Vida Severina, o autor apresenta o drama de um retirante nordestino em forma de auto de natal, utilizando elementos do teatro e da tradição popular para refletir sobre o valor da vida humana em um contexto de morte cotidiana. Essa obra tornou-se símbolo da literatura engajada, capaz de emocionar pela sobriedade e comover pela verdade crua dos versos.

💡 Dica de ouro do Vestibular: Ao ler João Cabral, preste atenção ao uso da forma como expressão do conteúdo. A poesia dele é racional, mas não fria: ela emociona por meio da precisão. Essa combinação entre forma e crítica social é um diferencial importante na hora da prova e na construção de repertório para a redação.