Olá, alunos da Escola Literária! Hoje vamos mergulhar no universo do Naturalismo brasileiro, com foco em um dos seus maiores representantes: Aluísio Azevedo. Esse movimento literário, surgido no final do século XIX, aprofundou a proposta realista ao trazer à tona uma visão determinista e científica do ser humano, destacando o peso do ambiente, da hereditariedade e da condição social na formação do indivíduo.

O Naturalismo nasceu na França, com Émile Zola, e chegou ao Brasil como um reflexo das transformações sociais da época: urbanização acelerada, desigualdades sociais gritantes e influência do pensamento científico positivista e evolucionista. No Brasil, essa corrente encontrou em Aluísio Azevedo seu principal nome, especialmente com o romance O Cortiço, publicado em 1890, obra que se tornou um marco da literatura naturalista nacional.

Em O Cortiço, Aluísio Azevedo retrata a vida em um conjunto habitacional popular do Rio de Janeiro, explorando as relações humanas em um ambiente marcado por miséria, promiscuidade e violência. Os personagens são frequentemente reduzidos a impulsos primitivos, como se estivessem presos a instintos animalescos. Essa “animalização do homem” é uma das marcas do Naturalismo: os indivíduos agem movidos por desejos e necessidades biológicas, mais do que por escolhas racionais ou morais.

O autor constrói personagens-tipo (mulheres dominadas pelo desejo, homens brutais, imigrantes ambiciosos), inseridos em um cenário opressor que molda seus comportamentos. A linguagem objetiva e descritiva, aliada à crítica social contundente, transforma o romance em um verdadeiro retrato experimental da sociedade da época. Aluísio não apenas narra uma história, mas disseca o corpo social com o olhar de um cientista.

💡 Dica de ouro do Vestibular: Ao estudar o Naturalismo, destaque como o ambiente e os instintos determinam as ações dos personagens. Em O Cortiço, observe como Aluísio Azevedo transforma o espaço físico em um agente transformador dos indivíduos — essa análise crítica pode ser um diferencial na sua prova de literatura ou até como repertório em sua redação!