Olá, alunos da Escola Literária! No nosso encontro de hoje, vamos atravessar o Atlântico e visitar a literatura portuguesa do século XIX, com um dos maiores nomes do Realismo europeu: Eça de Queirós. Sua escrita inovadora, crítica e profundamente analítica das estruturas sociais de Portugal influenciou diretamente o desenvolvimento do Realismo no Brasil, especialmente na obra de autores como Machado de Assis.

Eça de Queirós destacou-se por denunciar, em seus romances, as hipocrisias da sociedade burguesa, o conservadorismo da Igreja, a corrupção da política e a decadência das instituições tradicionais portuguesas. Obras como O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio e Os Maias são exemplos perfeitos de como o autor unia narrativa envolvente a uma crítica social precisa e implacável.

Seu estilo realista rompeu com os modelos românticos ao mostrar personagens imperfeitos, movidos por desejos, fraquezas e ambições. A análise psicológica se alia à crítica de costumes, revelando os bastidores da elite lisboeta e os efeitos do moralismo vazio em uma sociedade estagnada. O adultério, a hipocrisia religiosa e o abismo entre aparência e realidade são temas frequentes em sua obra.

No Brasil, o Realismo encontrou terreno fértil para se desenvolver com características semelhantes, mas adaptadas à realidade local. A crítica à elite, a análise do comportamento humano e o uso da ironia como instrumento de denúncia social fazem de Eça um precursor e, ao mesmo tempo, um espelho para autores como Machado de Assis, que, embora com estilo próprio, compartilhou da mesma intenção crítica e refinamento artístico.

💡 Dica de ouro do Vestibular: Ao estudar Eça de Queirós, compare seus temas e estratégias com os de Machado de Assis. Essa aproximação entre literaturas lusófonas enriquece sua leitura e pode ser uma excelente forma de ampliar o repertório sociocultural na hora da redação!