É comum ouvir que quem lê muito está fugindo da realidade. Mas talvez o contrário seja mais verdadeiro: quem lê profundamente está vivendo mais intensamente. Cada página lida é um mergulho em novas experiências, emoções e perspectivas. Os livros não nos afastam do mundo – eles o expandem.

Ao ler, somos conduzidos a lugares onde talvez nunca possamos ir fisicamente, mas que nos transformam por dentro. Quando atravessamos o sertão com Riobaldo ou caminhamos pelas ruas de Paris com Jean Valjean, algo em nós se desloca. A imaginação não é fuga: é uma forma legítima de conhecimento do real. Ler é viver o que não viveríamos sozinhos.

A literatura nos oferece uma lente ampliada para enxergar a vida. Ela nos apresenta conflitos universais, dilemas morais, amores intensos e perdas irreparáveis. E tudo isso sem a necessidade de sair de casa. Como dizia Kafka, um livro deve ser o machado que quebra o mar congelado em nós. E é justamente isso que bons livros fazem: rompem nossas defesas e nos obrigam a sentir.

Ler não é um luxo – é uma necessidade. Em tempos acelerados e superficiais, a leitura nos convida à pausa, ao silêncio, à escuta. Ela nos ensina a habitar o tempo de outra forma. E talvez por isso incomode tanto: porque ler transforma. E toda transformação exige coragem.

Dica de ouro: Não leia apenas para “acumular conhecimento” ou “se dar bem na prova” – leia para viver outras vidas, ampliar sua alma e voltar ao mundo real mais atento, mais sensível e mais humano.